AGRONEGÓCIO

Aumento da demanda por energia elétrica acelera adoção de solar, biogás e baterias

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A recuperação da produção agropecuária em 2025 trouxe junto um efeito menos visível, mas cada vez mais relevante para o produtor: o aumento do consumo de energia dentro das propriedades. Com a safra de grãos voltando a superar 320 milhões de toneladas e o setor mantendo participação próxima de 23% a 24% do PIB brasileiro, segundo estimativas do Cepea/Esalq/USP em parceria com a CNA, a eletricidade passou a ocupar papel semelhante ao de insumos tradicionais — como fertilizantes e diesel.

O avanço da atividade explica a pressão sobre a infraestrutura. A modernização produtiva transformou o perfil energético das fazendas. Sistemas de irrigação, armazenagem com aeração, secagem de grãos, ordenha automatizada, confinamentos climatizados e conectividade rural elevaram a dependência de fornecimento contínuo. A energia deixou de ser apenas um custo operacional e passou a interferir diretamente na produtividade e no risco econômico.

Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que a carga elétrica rural cresce acima da média em regiões de expansão agrícola, especialmente no Centro-Oeste e no Matopiba, onde as áreas produtivas ficam distantes dos grandes centros consumidores e da infraestrutura de distribuição. Na prática, interrupções de energia passaram a gerar perdas imediatas: paralisação de pivôs de irrigação, descarte de leite por falha de refrigeração, mortalidade em granjas e deterioração de grãos durante secagem e armazenagem.

O impacto ocorre em um setor que voltou a ganhar peso macroeconômico. Dados mais recentes indicam que o PIB da agropecuária brasileira acumulou crescimento de 11,6% nos três primeiros trimestres de 2025 na comparação com igual período do ano anterior, refletindo recuperação produtiva após as perdas climáticas registradas em 2024 e a recomposição da oferta de grãos.

Como resposta, produtores passaram a investir em geração própria. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) indicam expansão acelerada da geração distribuída fotovoltaica em propriedades rurais. A energia solar se difundiu principalmente em fazendas irrigadas e unidades de armazenagem, onde o consumo diurno coincide com a geração. O retorno do investimento costuma ocorrer entre quatro e sete anos, reduzindo a exposição às variações tarifárias.

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Outra alternativa crescente é o biogás. Pesquisas da Embrapa apontam grande potencial de geração a partir de resíduos da pecuária intensiva. Dejetos de suínos, bovinos confinados e aves podem ser convertidos em eletricidade e biometano, permitindo ao produtor reduzir gastos energéticos e, ao mesmo tempo, resolver passivos ambientais. Em algumas propriedades, o combustível já abastece motores estacionários, aquecimento e equipamentos da própria fazenda.

Mais recentemente surgiram sistemas híbridos, combinando painéis solares, geradores e armazenamento em baterias. O objetivo é garantir funcionamento contínuo de atividades sensíveis, independentemente de falhas na rede. A tecnologia ganhou viabilidade econômica com a redução de custos: relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) mostra que o preço das baterias de íon-lítio caiu mais de 85% entre 2010 e 2023, ampliando o uso em aplicações estacionárias.

A expansão da irrigação também impulsiona essa mudança. A área irrigada brasileira já supera 8 milhões de hectares e continua avançando, elevando a demanda por energia estável e previsível. Em culturas de alto valor, a falta de eletricidade durante períodos críticos pode comprometer produtividade e qualidade.

O tema passou a influenciar inclusive crédito e mercado. Linhas de financiamento rural e programas ambientais priorizam projetos com eficiência energética e menor emissão, enquanto compradores internacionais valorizam cadeias produtivas com menor pegada de carbono.

Com maior mecanização e digitalização, a energia tornou-se componente estratégico da produção. Para o produtor, a conta não envolve apenas economia na tarifa elétrica, mas continuidade operacional, proteção contra perdas e estabilidade de renda. Em um agro cada vez mais dependente de tecnologia, segurança energética passou a ser fator de competitividade.

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DEMANDA – “Hoje a energia elétrica virou um dos principais insumos da propriedade rural. O produtor depende dela para irrigação, resfriamento do leite, armazenagem de grãos, aviários climatizados e até para a conectividade. Uma queda de energia de poucas horas, em determinadas atividades, já significa prejuízo direto”, explica Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (I) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT).

Segundo ele, a expansão produtiva não foi acompanhada pela infraestrutura. “O Brasil ampliou área, produtividade e tecnologia dentro da fazenda, mas a rede elétrica em muitas regiões continua dimensionada para uma realidade de vinte anos atrás. O produtor investiu em pivô, automação e armazenagem, mas ainda enfrenta oscilações e interrupções frequentes”.

“Estados com agricultura mais intensiva, como Minas Gerais — que possui a maior rede de eletrificação rural do país — mostram como a disponibilidade de energia acompanha diretamente o nível de tecnificação da produção, enquanto outras regiões sofrem com a falta de incentivos do governo para investir em infraestrutura”.

Diante deste cenário, Rezende acredita que  a geração própria deixou de ser alternativa e passou a ser estratégia de segurança. “A energia solar, o biogás e os sistemas híbridos não estão sendo adotados só por economia na conta de luz. O principal motivo é garantir previsibilidade operacional. O produtor precisa saber que vai irrigar na hora certa, que o leite não vai perder qualidade e que o grão não vai deteriorar no silo. Hoje, segurança energética é parte da gestão da fazenda”, completou.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Ordem Pública e Procon oferecem atendimento no Centro Integrado de Atendimento ao Contribuinte

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A Prefeitura de Cuiabá ampliou o acesso aos serviços públicos com a disponibilização de guichês de atendimento da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp) e do Procon Municipal na nova sede do Centro Integrado de Atendimento ao Contribuinte (CIAC), instalada em frente ao Palácio Alencastro, na região central da capital.

A iniciativa tem como objetivo descentralizar os atendimentos presenciais facilitando o acesso da população aos serviços municipais. Com a nova estrutura, os cidadãos passam a contar com mais um ponto de atendimento além das sedes já existentes dos órgãos.

No espaço destinado ao Procon Municipal, os consumidores podem receber orientações sobre seus direitos, registrar reclamações, consultar o andamento de processos, obter retorno de demandas já protocoladas e realizar o agendamento de audiências de conciliação.

Já os serviços da Secretaria de Ordem Pública, antes concentrados na sede da pasta, localizada na Avenida Érico Preza, nº 1.101, no bairro Jardim Itália, dentro do Parque Tia Nair, também passam a ser oferecidos no CIAC. A medida beneficia principalmente moradores e trabalhadores da região central, que terão acesso facilitado aos protocolos e processos administrativos da secretaria.

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Entre os serviços disponíveis estão pedidos de devolução de materiais apreendidos, juntada de documentos, solicitação de cópias de processos, emissão e renovação de Termo de Permissão de Uso (TPU), solicitação de licença especial de eventos, solicitação de autorização de poda de árvore, apresentação de defesa administrativa, cumprimento e contestação de notificações, além de pedidos de desembargo de obras, desinterdição e levantamento de suspensão ou redução de atividades.

Durante o atendimento no CIAC, o cidadão receberá orientações sobre a documentação necessária para o serviço solicitado. Quando o atendimento for realizado por terceiros, será obrigatória a apresentação de procuração assinada pelo interessado, acompanhada de cópia do documento de identificação do procurador.

Além do atendimento presencial, o cidadão pode utilizar o sistema Web Denúncias, disponível no Portal SORP, no endereço https://sorp.cuiaba.mt.gov.br, para comunicar situações que demandem a atuação da fiscalização. Para denúncias de poluição sonora, também está disponível o Disque-Silêncio pelo telefone (65) 99341-3000. O atendimento em regime de plantão ocorre às sextas-feiras e aos sábados, a partir das 22h, e aos domingos, a partir das 19h.

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Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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