AGRONEGÓCIO

Show Rural supera previsão do Pensar Agro movimenta R$ 7,5 bilhões

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O Show Rural Coopavel 2026 terminou maior do que começou. A feira, realizada de 9 a 13 de fevereiro em Cascavel (PR), encerrou com 430.300 visitantes e R$ 7,5 bilhões em negócios — acima inclusive das projeções revisadas durante o próprio evento. O resultado também superou o desempenho de 2025, quando haviam sido contabilizados 407 mil visitantes e R$ 7,05 bilhões movimentados.

O número final confirma, na prática, uma percepção que o Portal Pensar Agro já havia apontado ainda antes da abertura oficial, em 4 de fevereiro: mesmo em um ciclo de margens apertadas, o produtor não deixaria de investir, apenas mudaria a forma de investir. O comportamento visto ao longo da semana seguiu exatamente esse roteiro.

Inicialmente, a organização trabalhava com expectativa de apenas R$ 6 bilhões em negócios — cerca de 15% abaixo do ano anterior — refletindo a queda nas cotações de soja e milho, juros elevados e incertezas de renda no campo. Com o avanço da visitação, a projeção foi revisada para a faixa de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões. O fechamento superou até esse novo patamar.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Coopavel, Dilvo Grolli, o resultado reflete mais do que otimismo: indica mudança de postura do produtor rural. Em vez de expansão de área ou aquisição por impulso, a procura concentrou-se em tecnologia, manejo e soluções capazes de reduzir custo operacional e aumentar eficiência.

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A feira teve pico de público no último dia, com 61.476 visitantes, e recebeu caravanas de diversas regiões do Brasil e mais de 20 delegações internacionais, além de recorde de participação de estudantes de escolas técnicas agrícolas.

Apesar do volume total elevado, os resultados não foram homogêneos entre os setores — o que ajuda a entender o momento atual do agro brasileiro.

Na área de máquinas e implementos agrícolas, houve retração. A Câmara Setorial da Abimaq registrou queda de cerca de 15% nas intenções de compra em relação a 2025. O motivo não foi falta de interesse tecnológico, mas de rentabilidade. Com soja e milho em patamares de preço mais baixos, valorização do real e custo financeiro elevado, o produtor evitou investimentos de alto valor e longo prazo.

Ou seja: a feira foi cheia, o produtor apareceu, mas comprou com critério.

Por outro lado, o crédito rural teve desempenho oposto. O Sicoob registrou o maior volume de sua história dentro do evento: R$ 4,5 bilhões protocolados em 9.108 operações, mais que o dobro da meta inicial de R$ 2 bilhões. Aproximadamente R$ 3,8 bilhões corresponderam a crédito rural e CPR-F. O montante respondeu por mais de 40% de todo o movimento financeiro intermediado por instituições presentes na feira.

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A estratégia ajudou: durante a semana, agências de todo o Paraná ofereceram as mesmas condições do parque de exposições, transformando o evento numa plataforma de negócios estadual, não apenas presencial.

O contraste entre os setores revela o atual estágio do agronegócio brasileiro. O produtor não está paralisado — está seletivo. Grandes aquisições foram postergadas, mas investimentos ligados a produtividade, manejo e custeio avançaram.

Isso explica por que, mesmo com preços pressionados e margens comprimidas, o resultado final superou as expectativas iniciais. O produtor pode até reduzir o risco, mas não pode reduzir a produtividade — e sabe que tecnologia hoje deixou de ser expansão para virar sobrevivência econômica.

A próxima edição já tem data marcada: de 1º a 5 de fevereiro de 2027.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

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A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

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A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

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Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro

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