AGRONEGÓCIO

Sorgo ganha força na safra 2025/26 e se consolida como alternativa estratégica ao milho

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Expansão da cultura impulsiona o cenário agrícola nacional

O sorgo vem se destacando como uma das culturas mais promissoras do agronegócio brasileiro. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área cultivada com sorgo na safra 2024/25 alcançou 1,632 milhão de hectares. Para a temporada 2025/26, a expectativa é de crescimento de 11,3%, chegando a 1,816 milhão de hectares.

De acordo com Pedro Lima, engenheiro agrônomo e Gerente de Marketing da Advanta Seeds, essa expansão tende a ser ainda maior, impulsionada por fatores agronômicos, avanços tecnológicos e novas oportunidades de mercado.

Fatores agronômicos favorecem o avanço do sorgo

O principal fator de crescimento está ligado ao aspecto agronômico. Com o encurtamento da janela ideal de plantio do milho safrinha, muitos produtores enfrentam riscos climáticos crescentes.

“O milho é uma cultura consolidada, mas em algumas regiões o período de plantio ideal vem se tornando cada vez mais curto, o que compromete o potencial produtivo”, explica Lima.

Nesse contexto, o sorgo surge como uma alternativa segura.

“Por que o produtor arriscaria com o milho, se pode apostar no sorgo, que aproveita melhor a janela de plantio e apresenta boa tolerância ao estresse climático?”, destaca o engenheiro. Além de demandar menos água, a cultura é mais resistente às altas temperaturas, o que assegura maior estabilidade na produção.

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Liquidez e confiança aumentam entre os produtores

Por muito tempo, o principal obstáculo ao avanço do sorgo foi a baixa liquidez. Muitos agricultores evitavam o cultivo devido à dificuldade de comercialização e à falta de conhecimento técnico sobre o grão.

“Antes, o produtor plantava, mas não sabia quando ou por quanto venderia. Hoje, o cenário é outro”, afirma Lima.

Nos últimos anos, o mercado de contratos futuros e o crescimento da demanda fortaleceram a confiança dos produtores. “Quando o agricultor pode fixar preços antecipadamente, ele entende melhor a relação entre investimento e retorno, tornando o sorgo mais atrativo”, completa.

Demanda crescente em novos mercados e biocombustíveis

Historicamente, cerca de 96% da produção brasileira de sorgo é destinada à ração animal. Entretanto, novos usos estão ganhando destaque, especialmente a produção de etanol.

“No Brasil, o sorgo já começa a ser utilizado por algumas usinas, e nos Estados Unidos ele é misturado ao milho na fabricação de etanol, sem separação entre as matérias-primas”, explica o representante da Advanta Seeds.

Outro mercado que desponta é o externo, com destaque para a China.

“Os chineses já importam grandes volumes de soja e milho, e é natural que o sorgo também entre nesse fluxo conforme a oferta brasileira aumenta”, ressalta Lima.

Com a demanda internacional em crescimento, toda a cadeia tende a se profissionalizar, impulsionando ainda mais o cultivo.

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Regiões com maior potencial de expansão

O avanço da cultura deve ocorrer principalmente nas regiões Norte e Nordeste, especialmente no MATOPIBAPA — que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Pará. Essas áreas têm menor aptidão para o milho, mas condições ideais para o desenvolvimento do sorgo.

Outros estados estratégicos são Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, que já apresentam elevado nível de tecnificação e altas produtividades.

“São regiões tradicionais na cultura e que devem continuar crescendo nas próximas safras”, reforça Lima.

Inovação genética impulsiona o desenvolvimento do sorgo no Brasil

Durante muitos anos, o sorgo brasileiro ficou estagnado tecnologicamente, com híbridos ultrapassados. Essa realidade mudou com o investimento de grandes empresas do setor, como a Advanta Seeds, que atua há mais de 50 anos em melhoramento genético.

Entre as inovações recentes está o sorgo igrowth, tecnologia que facilita o controle de plantas daninhas e melhora o desempenho das culturas subsequentes.

“Nosso compromisso é seguir investindo em inovação e oferecer soluções que atendam à crescente demanda dos produtores”, conclui Lima.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Uva Nebbiolo ganha espaço no terroir brasileiro e reforça vinhos de alta qualidade na Serra Gaúcha

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A uva Nebbiolo, tradicionalmente associada aos renomados vinhos Barolo e Barbaresco, do Piemonte, na Itália, vem sendo trabalhada como uma nova aposta da vitivinicultura brasileira. Conhecida pelo alto grau de exigência no manejo e pelo potencial de produzir vinhos de longa guarda, a variedade começa a apresentar resultados promissores no terroir da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul.

Originária de uma das regiões mais tradicionais do vinho europeu, a Nebbiolo é considerada uma uva de comportamento agronômico desafiador, com brotação precoce, maturação tardia e sensibilidade a variações climáticas, especialmente chuvas próximas à colheita.

Serra Gaúcha aposta em adaptação da Nebbiolo ao clima brasileiro

Em Monte Belo do Sul (RS), a vinícola Casa Marques Pereira vem dedicando atenção especial à variedade e já observa resultados consistentes em diferentes safras. Na colheita de 2026, as condições climáticas foram consideradas favoráveis ao desenvolvimento da uva, com produtividade próxima de 3 kg por planta — índice expressivo para uma cultivar conhecida pela baixa regularidade produtiva.

O desempenho positivo foi resultado de um ciclo climático equilibrado, com inverno mais frio, favorecendo a dormência das videiras, além de chuvas adequadas antes da frutificação e redução das precipitações durante o período de maturação.

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Manejo no vinhedo é decisivo para qualidade da uva Nebbiolo

Segundo a equipe técnica da vinícola, o comportamento da Nebbiolo exige acompanhamento detalhado e manejo específico em cada parcela do vinhedo. Um dos ajustes adotados foi a manutenção parcial da cobertura foliar, protegendo os cachos da exposição solar excessiva.

O vinhateiro Felipe Marques Pereira destaca que essa característica está diretamente ligada à origem da variedade.

“No geral, todas as uvas gostam da exposição solar, mas a Nebbiolo nos traz uma característica específica que é poder inibir o sol do final da manhã e início da tarde. É praticamente a receita que já diz no nome. Na tradução ao português, a uva significa névoa, já que no Piemonte a neblina se dissipa ao longo do dia”, explica.

Controle de produção busca reduzir alternância produtiva da variedade

Um dos desafios da Nebbiolo é a alternância de produção entre safras, fenômeno em que anos de alta produtividade são seguidos por ciclos de menor rendimento. Para reduzir esse efeito, a equipe técnica ampliou em cerca de 30% a quantidade de gemas deixadas na poda de inverno.

As gemas são estruturas responsáveis pelo surgimento de novos ramos produtivos da videira. O ajuste na carga de gemas tem como objetivo equilibrar o vigor das plantas e garantir maior regularidade produtiva ao longo dos anos.

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Seleção massal contribui para adaptação ao terroir brasileiro

Outro processo adotado pela vinícola é a seleção massal, técnica tradicional da viticultura europeia que consiste na multiplicação de plantas com melhor desempenho agronômico dentro do próprio vinhedo.

Na prática, videiras com melhor sanidade, equilíbrio produtivo e qualidade de fruta são selecionadas ao longo dos anos para formação de novas mudas, criando uma população mais adaptada às condições locais.

Na propriedade Quinta da Orada, situada entre 466 e 543 metros de altitude, esse processo já permite identificar indivíduos mais adaptados ao clima e solo de Monte Belo do Sul.

Nebbiolo brasileira mantém identidade italiana e ganha características próprias

Apesar dos desafios, os resultados indicam que a Nebbiolo cultivada no Brasil preserva características clássicas da variedade, como alta acidez, complexidade aromática e grande potencial de envelhecimento.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento no terroir da Serra Gaúcha começa a imprimir identidade própria aos vinhos produzidos no país, ampliando o potencial da vitivinicultura brasileira no segmento de vinhos finos de alta gama.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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