AGRONEGÓCIO

Cuiabá registra aumento da leishmaniose e reforça alerta contra a raiva

Publicado em

A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), através da Vigilância em Zoonoses e do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), divulgou o boletim consolidado de 2025 com dados sobre as ações de prevenção e controle da Raiva e da Leishmaniose Visceral Canina no município.

O levantamento reforça a importância da vacinação anual de cães e gatos, do monitoramento de epizootias e da atenção aos sinais clínicos nos animais como medidas essenciais para proteger a saúde da população.

Durante o ano de 2025, foram aplicadas 10.462 doses da vacina antirrábica em cães e gatos em Cuiabá. Desse total, 7.212 doses foram administradas diretamente pela Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ) e 3.250 por meio de parcerias com os hospitais veterinários da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Universidade de Cuiabá (UNIC).

No mesmo período, as unidades de saúde notificaram 1.366 atendimentos antirrábicos em humanos. Desses, 17,8% foram classificados como casos graves, com necessidade de aplicação de soro e vacina.

A maioria dos acidentes foi provocada por cães e gatos, representando 76,5% dos registros. Já os animais silvestres corresponderam a 21% dos casos, com destaque para morcegos e macacos.

Leia Também:  Exportações de Milho do Brasil Enfrentam Lentidão no Início de Outubro

A Vigilância em Zoonoses realizou, em 2025, 187 investigações de epizootias, que são ocorrências envolvendo animais com suspeita de raiva. O maior número de notificações envolveu morcegos, com 116 casos, seguidos por cães (49) e gatos (18).

No setor de produção, foram registrados e controlados quatro focos positivos da doença, sendo três em bovinos e um em equino.

O boletim também aponta crescimento nos casos de Leishmaniose Visceral Canina (LVC) no município. Em 2025, foram confirmados 539 casos em cães, o que representa um aumento de 10,5% em relação a 2024.

Ao longo do ano, foram realizados 1.580 exames. Desses, 848 apresentaram resultado positivo no teste rápido (DPP), sendo 539 confirmados posteriormente por meio do exame laboratorial ELISA.

Entre os humanos, foram registrados seis casos de Leishmaniose Visceral Humana (LVH) em moradores de Cuiabá, com um óbito confirmado.

A Secretaria Municipal de Saúde reforça que o tratamento para humanos é ofertado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já para os animais, a orientação é que os tutores procurem a UVZ ao identificar sintomas como feridas na pele, perda de pelos, emagrecimento rápido ou crescimento anormal das unhas.

Leia Também:  Escalada da guerra comercial entre EUA e China eleva dólar a R$ 5,91 e reacende temor inflacionário no Brasil

A Prefeitura alerta que a limpeza de quintais, terrenos e áreas externas é fundamental para evitar a proliferação do mosquito-palha, transmissor da Leishmaniose.

Em relação à Raiva, a vacinação anual é indispensável para cães e gatos a partir dos três meses de idade. A doença é viral, não tem cura e pode ser fatal, tanto para animais quanto para humanos.

Em casos de mordidas, arranhões ou contato com animais suspeitos, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde.

Onde vacinar e realizar exames

A população pode buscar atendimento nos seguintes locais:

Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ) – Bairro Ribeirão do Lipa
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
Telefone: (65) 3318-6059

Hospital Veterinário da UFMT (HOVET)
Agendamento: (65) 3615-8662

Hospital Veterinário da UNIC (HOVET)
Agendamento: (65) 3363-1222

A Secretaria Municipal de Saúde reforça que o cuidado com os animais, aliado às ações de vigilância, é fundamental para garantir a saúde pública e prevenir a disseminação de doenças no município.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

Published

on

Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

Leia Também:  Deputados e entidades defendem mudanças no modelo do Plano Safra

Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

Leia Também:  Abertura de mercado na Zâmbia para o café brasileiro

Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA