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Mercado do café em 2026: preços instáveis, clima desafiante e reflexos da política do Banco Central

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O mercado do café segue com forte volatilidade no Brasil e no exterior. As oscilações recentes são resultado de fatores climáticos nos principais países produtores, das projeções para a safra 2026/27 e das políticas monetárias adotadas pelo Banco Central do Brasil, que continuam influenciando o câmbio e os custos de financiamento do setor.

Clima irregular mantém volatilidade nas cotações do café

Os preços futuros do café voltaram a registrar variações expressivas nas principais bolsas internacionais. Em Nova York, o café arábica recuou diante das previsões de chuvas nas regiões produtoras de Minas Gerais, principal polo do grão no país. Já o robusta apresentou ajustes menores, refletindo as condições irregulares de precipitação no Planalto Central do Vietnã, maior produtor mundial dessa variedade.

Analistas destacam que a volatilidade deve permanecer elevada enquanto não houver estimativas mais precisas sobre o tamanho da safra 2026/27. Segundo o portal Barchart, os investidores seguem atentos às variações climáticas e ao comportamento dos estoques mundiais.

Produção brasileira: expectativa de recuperação para o arábica e recuo no conilon

No Brasil, as condições climáticas melhoraram em relação ao ano passado, com chuvas mais regulares em boa parte das áreas produtoras de café arábica. Conforme informações da Reuters, muitos cafeicultores esperam uma safra igual ou ligeiramente superior à de 2025, o que reforça o otimismo para o ciclo 2026/27.

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Por outro lado, os produtores de café conilon (robusta) no Espírito Santo projetam queda na produção devido ao ciclo bienal da planta e ao estresse hídrico observado em algumas lavouras. Essa diferença entre as duas variedades deve impactar os preços internos e o mix exportador do país nos próximos meses.

Mercado físico brasileiro acompanha cenário internacional

No mercado interno, as cotações também seguem pressionadas. De acordo com dados do Cepea/Esalq, os preços do café arábica apresentaram recuo em diversas praças produtoras de Minas Gerais e São Paulo. O robusta, por sua vez, também teve queda, acompanhando o movimento internacional e a retração da demanda no curto prazo.

As negociações seguem cautelosas, com o produtor avaliando o comportamento do câmbio e as oportunidades de venda antecipada.

Banco Central mantém juros e reforça cautela com a economia

O Banco Central do Brasil (BCB) manteve a taxa Selic em 15% ao ano na primeira reunião de 2026, sinalizando preocupação em consolidar o controle da inflação, especialmente sobre alimentos e commodities agrícolas.

Apesar disso, o Copom indicou que poderá iniciar cortes graduais na Selic ao longo do ano, conforme a inflação continue desacelerando. O Relatório Focus aponta projeção de IPCA em torno de 4% e expectativa de estabilidade no câmbio, cenário que tende a melhorar o acesso ao crédito rural e reduzir custos de produção no agronegócio.

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Exportações e fatores geopolíticos afetam o setor

As exportações de café brasileiro seguem firmes, mas o setor observa com atenção o cenário internacional. Recentemente, representantes da indústria cafeeira pediram clareza sobre a manutenção de tarifas elevadas para o café solúvel exportado aos Estados Unidos — um dos principais destinos do produto nacional.

Esse fator geopolítico pode impactar os volumes embarcados e as margens das indústrias exportadoras, que hoje enfrentam um ambiente de custos mais altos e variação cambial constante.

Perspectivas para o mercado global de café

De acordo com projeções de consultorias internacionais, o mercado de café deve seguir operando em níveis de preços firmes em 2026, com menor volatilidade do que nos anos anteriores. O consumo global segue em crescimento, especialmente na Ásia e na Europa, sustentando a demanda por cafés especiais e robustas de qualidade.

Ainda assim, as condições climáticas e os ajustes na produção continuarão determinando o ritmo dos preços no curto e médio prazo, exigindo atenção redobrada de produtores e cooperativas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Hereford e Braford: provas de eficiência reforçam seleção genética para uma pecuária mais produtiva e sustentável

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A busca por uma pecuária mais eficiente e sustentável ganhou novos avanços com a apresentação dos resultados das Provas de Eficiência Alimentar (PEA) e de Emissão de Gases (PEG) das raças Hereford e Braford. Os dados foram divulgados durante um dia de campo realizado na última segunda-feira (29), na sede da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), reunindo criadores, pesquisadores, técnicos e representantes do setor.

Além de apresentar o desempenho dos animais avaliados, o evento destacou o papel da genética na redução dos custos de produção e na diminuição das emissões de metano, fatores cada vez mais relevantes para a competitividade da pecuária brasileira.

Avaliação mediu desempenho, consumo e emissão de metano

Na edição de 2026, foram avaliados 31 animais oriundos de diferentes criatórios do Rio Grande do Sul, sendo 15 exemplares da raça Hereford e 16 da raça Braford.

As provas analisaram indicadores como:

  • ganho de peso;
  • consumo alimentar;
  • eficiência produtiva;
  • consumo alimentar residual;
  • emissão de metano.

As informações permitem identificar animais capazes de produzir mais carne consumindo menos alimento e emitindo menor volume de gases de efeito estufa.

Braford teve Retiro do Ouro como destaque

Na categoria Braford, o melhor desempenho foi do animal C0021, pertencente à P.A.P Namur Paixão Suñé, da propriedade Retiro do Ouro.

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O segundo lugar ficou com D079, de Sérgio Renato Dias Barbieri, da Fazenda Santa Prenda, enquanto a terceira colocação foi conquistada pelo FIV T5610, de Ney Artur Azambuja, da Fazenda Santa Tereza.

Hereford premiou genética de alto desempenho

Entre os Hereford, o primeiro lugar foi conquistado pelo animal 1335, de Vitor Leston e Jacques Rodrigues Leston, da Agropecuária Dom Vitor.

Na sequência ficaram:

  • X44, de Miguel Vargas Chuy, da Cabanha Don Angélico, em segundo lugar;
  • TE L06, de Gonçalo Neves Correia, da Fazenda Casuarinas, em terceiro.
Eficiência alimentar reduz custos e fortalece sustentabilidade

Segundo o gerente executivo da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), Felipe Azambuja, as avaliações unem dois dos principais desafios da pecuária moderna: aumentar a rentabilidade e reduzir os impactos ambientais.

De acordo com ele, identificar animais que apresentam menor consumo alimentar para produzir a mesma quantidade de carne representa um importante avanço para os sistemas produtivos.

“Identificar linhagens que consumam menos para produzir o mesmo quilo de carne significa encontrar animais mais sustentáveis e que custem menos dentro do sistema de produção”, destacou.

Emissão de gases passa a integrar seleção genética

A Prova de Emissão de Gases foi conduzida paralelamente à Prova de Eficiência Alimentar, permitindo que os pesquisadores mensurassem a emissão de metano dos animais durante todo o período de avaliação nutricional.

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A integração entre as duas análises amplia a capacidade de identificar linhagens geneticamente superiores, combinando produtividade com menor impacto ambiental.

Dados servirão de base para novas DEPs

As informações obtidas durante as avaliações serão utilizadas na construção de uma população de referência das raças Hereford e Braford.

Essa base permitirá o desenvolvimento das Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) para características como eficiência alimentar, consumo alimentar residual e emissão de gases, ferramentas fundamentais para orientar a seleção de reprodutores.

Segundo Felipe Azambuja, a expectativa é que esses indicadores estejam disponíveis futuramente para todos os criadores, ampliando o acesso à genética voltada para eficiência produtiva e sustentabilidade.

Programação reuniu pesquisadores e produtores

Além da divulgação dos resultados das provas, o dia de campo contou com palestras técnicas sobre eficiência alimentar, emissão de metano e estratégias nutricionais para maximizar a expressão do potencial genético dos animais.

A iniciativa reforça a importância da integração entre pesquisa, inovação e produtores para acelerar o desenvolvimento de uma pecuária cada vez mais eficiente, rentável e alinhada às exigências dos mercados nacional e internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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