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StoneX prevê superávit global de cacau em dois anos; Brasil sente impacto de cenário econômico e decisões do Banco Central

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Mercado global de cacau caminha para novo ciclo de superávit

A consultoria financeira StoneX divulgou seu mais recente Relatório de Saldo Global de Cacau, indicando que o mercado mundial deve registrar superávit nas safras 2025/26 e 2026/27. A previsão aponta para um excedente de 287 mil toneladas no primeiro ciclo e 267 mil toneladas na safra seguinte, sinalizando um período de alívio gradual nos fundamentos de oferta e demanda.

De acordo com a consultoria, os ajustes recentes refletem melhora nas condições produtivas na Costa do Marfim, uma leve retração em Gana e redução moderada da demanda global. Apesar disso, a StoneX avalia que o balanço geral permanece positivo, com estoques globais em processo de recomposição após a forte quebra registrada em 2023/24.

Gana apresenta recuperação e reduz riscos na produção

Em Gana, a safra 2025/26 segue em ritmo otimista. Até meados de novembro, cerca de 220 mil toneladas de cacau já haviam sido entregues aos portos, superando expectativas iniciais. As condições climáticas favoráveis e a valorização do preço farmgate, que ultrapassa US$ 5.000 por tonelada, contribuem para um ambiente positivo e reduzem o contrabando para países vizinhos.

Mesmo com desafios estruturais — como doenças nas lavouras e mineração ilegal —, o país deve apresentar avanço produtivo também em 2026/27, sustentado por incentivos e pela rentabilidade elevada do cultivo.

Equador mantém expansão e consolida posição fora da África

O Equador segue como um dos principais polos de crescimento fora do continente africano. A produção nacional tem sido impulsionada por investimentos em ampliação de área, uso intensivo de fertilizantes e introdução de variedades híbridas mais resistentes a pragas e doenças.

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A StoneX projeta que o país ultrapasse 650 mil toneladas na safra 2026/27, com tendência de expansão contínua na década, resultado da combinação entre clima favorável e políticas de estímulo ao setor agrícola.

Indonésia e Peru registram evolução gradual

Na Indonésia, o cenário é de recuperação moderada, com produção estimada em torno de 230 mil toneladas nas próximas duas safras. O avanço é sustentado pelos altos preços internacionais, que ampliam a capacidade de investimento dos produtores, apesar de limitações estruturais e riscos climáticos relacionados ao El Niño.

Já o Peru segue trajetória semelhante à do Equador, beneficiado por chuvas regulares e boas práticas de manejo agrícola. A produção tem crescido de forma constante, sustentada por investimentos em tecnologia e fertilização.

Demanda global começa a dar sinais de estabilidade

Os números de moagem — principal indicador de consumo de cacau — vêm mostrando queda nos últimos trimestres, mas com tendência de estabilização. Entre outubro e dezembro de 2025, o volume processado caiu 7,7% em relação ao mesmo período de 2024.

Apesar da retração, o resultado foi superior ao trimestre anterior, o que indica possível recuperação da demanda até o fim de 2026. A StoneX projeta moagem global de 4,663 milhões de toneladas em 2025/26 e 4,774 milhões em 2026/27, um aumento de 2,4% entre as safras.

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Banco Central mantém juros e reforça cautela na política monetária

O Banco Central do Brasil (BCB) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano na reunião de janeiro de 2026, o maior patamar em quase duas décadas. O Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou, contudo, que poderá iniciar um ciclo de cortes graduais a partir de março, caso a inflação continue em trajetória de desaceleração.

Segundo o Relatório Focus, divulgado pelo próprio Banco Central, o mercado financeiro projeta inflação de 4,02% para 2026, dentro do intervalo de tolerância da meta. Esse cenário abre espaço para redução do custo de crédito e estímulo ao investimento produtivo, o que pode beneficiar cadeias do agronegócio, incluindo o setor cacaueiro.

Estoques globais caminham para normalização até 2027

Com os superávits projetados pela StoneX, os estoques globais devem se recompor gradualmente, atingindo patamares próximos a 40% da demanda mundial até o fim da safra 2026/27. Essa tendência aponta para um mercado mais equilibrado, com preços menos voláteis e maior previsibilidade para produtores e exportadores.

“O mercado global de cacau passa por um processo de reorganização e caminha para uma nova normalidade de preços, marcada pelo equilíbrio entre atratividade e sustentabilidade da demanda”, destaca Rafael Borges, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro

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Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes

O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.

A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.

A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.

Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.

Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes

O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.

Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.

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No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.

De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.

Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.

Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário

Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.

Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.

O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.

A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.

Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026

Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.

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A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.

Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.

Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.

Demanda interna por milho deve seguir aquecida

Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.

O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.

O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.

Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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