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Safra brasileira movimenta R$ 1,42 trilhão em 2025 e registra crescimento real de 51% em dez anos

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Produção recorde injeta R$ 1,42 trilhão no campo

O agronegócio brasileiro viveu em 2025 o melhor resultado de sua história recente. De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Valor Bruto da Produção (VBP) atingiu R$ 1,42 trilhão, o que representa um crescimento real de 51% em relação a 2015.

Desse total, R$ 930 bilhões correspondem às lavouras e R$ 489 bilhões à pecuária, consolidando o setor como um dos principais pilares da economia nacional. Nos últimos cinco anos, a soma das receitas do campo chegou a R$ 6,4 trilhões, impulsionada pela alta de preços e pelo aumento da produtividade.

Lavouras ganham força e diversificação de culturas cresce

O levantamento do VBP mostra que o país vem diversificando a produção agrícola e ampliando a competitividade de novas culturas. Enquanto produtos básicos como feijão, batata e banana perderam participação, itens voltados à exportação, como soja, milho, café e cacau, apresentaram forte avanço.

O amendoim foi um dos destaques, com crescimento real de 176% em dez anos. Também se observa a expansão de culturas antes pouco representativas, como gergelim, cevada e centeio, que ganham espaço com a demanda internacional e o aumento da área plantada.

Clima, guerras e demanda global impulsionam preços

O crescimento expressivo do valor financeiro no campo foi impulsionado por uma combinação de fatores externos e internos. Eventos climáticos, conflitos geopolíticos, redução dos estoques globais e uma demanda internacional aquecida elevaram as cotações das commodities, beneficiando o Brasil, que conseguiu manter ritmo elevado de produção.

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Essa conjuntura permitiu que o país se consolidasse ainda mais como um dos principais fornecedores de alimentos e matérias-primas do mundo, especialmente em meio às instabilidades globais que afetaram outros produtores.

Soja e milho seguem líderes de receita nas lavouras

A soja continua sendo a grande estrela do agronegócio brasileiro, respondendo por R$ 329 bilhões em 2025 — um aumento real de 58% em relação a 2015. A produção nacional alcançou 172 milhões de toneladas, 79% a mais do que há dez anos, impulsionada pelas exportações recordes.

Em seguida vem o milho, com R$ 166 bilhões em valor de produção, crescimento de 55% na década. Já arroz e trigo apresentaram evolução mais modesta, de cerca de 15% no período.

Entre as culturas de menor escala, cacau e café se destacaram com avanços expressivos: 238% e 158%, respectivamente, no valor de produção em dez anos.

Café e cacau disparam com valorização no mercado mundial

O setor cafeeiro registrou crescimento notável, especialmente com o avanço do café conilon, cujo valor de produção aumentou 423% na década. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção passou de 10 milhões para 21 milhões de sacas no período, impulsionada pela expansão da área plantada e pela modernização tecnológica.

O cacau, por sua vez, teve um salto de 238% no valor da produção, refletindo a escassez global e o aumento dos preços internacionais. Na média dos últimos cinco anos, o ganho real do cacau foi de 102%, enquanto o do café ficou em 75%.

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Pecuária cresce com exportações e diversificação de proteínas

A pecuária brasileira também foi protagonista da expansão do agronegócio. O valor de produção do setor aumentou 56% em dez anos, alcançando R$ 489 bilhões.

De acordo com a Conab, a produção de carnes bovina, suína e de frango subiu de 26,4 milhões de toneladas em 2015 para 32,5 milhões em 2025. A liderança permanece com a carne bovina, que gerou R$ 211 bilhões, mas o maior crescimento foi observado na carne suína, com alta real de 142% no período.

O setor de leite cresceu 48%, enquanto o de frango teve avanço de 34%, totalizando R$ 112 bilhões, valor 53% superior ao do leite.

Panorama geral: produtividade e inovação sustentam avanço

Os números mostram que o agronegócio brasileiro segue em ritmo acelerado de crescimento, apoiado em inovação tecnológica, aumento da eficiência produtiva e diversificação de culturas.

A consolidação do país como fornecedor global de alimentos, fibras e energia renovável reforça a importância do campo para a economia nacional, com perspectivas positivas para os próximos anos, desde que as condições climáticas e de mercado permaneçam favoráveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Câmbio mais favorável ao agronegócio pode impulsionar exportações no segundo semestre, aponta Rabobank

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O comportamento do câmbio segue como um dos principais fatores de atenção para o agronegócio brasileiro em 2026. Após um primeiro semestre marcado pela valorização do real frente ao dólar, o cenário para os próximos meses pode trazer mudanças importantes para a competitividade das exportações do país.

A análise faz parte do relatório AgroInfo 2026, divulgado pelo Rabobank, que avalia os impactos do ambiente macroeconômico sobre as principais cadeias produtivas do agronegócio nacional.

Valorização do real reduziu ganhos dos exportadores

Segundo o Rabobank, a apreciação da moeda brasileira ao longo da primeira metade do ano teve efeitos distintos entre os setores do agro.

Embora alguns segmentos tenham sido beneficiados pela redução dos custos de insumos importados, diversas cadeias exportadoras enfrentaram compressão das margens devido à menor conversão das receitas obtidas em dólar.

O efeito foi percebido principalmente em commodities como soja, milho, algodão e celulose, cujos preços internacionais não se refletiram integralmente nos valores recebidos pelos produtores brasileiros.

No mercado da soja, por exemplo, mesmo com as cotações internacionais alcançando patamares elevados em Chicago durante o primeiro trimestre, os preços em reais permaneceram relativamente estáveis devido à combinação entre valorização do real e redução dos prêmios de exportação.

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Cenário externo segue pressionando o mercado cambial

O relatório aponta que o ambiente internacional continua sendo determinante para o comportamento das moedas emergentes.

Conflitos geopolíticos, tensões comerciais, inflação global e as decisões de política monetária das principais economias do mundo permanecem influenciando diretamente o fluxo de capitais e a cotação do dólar.

Além disso, a desaceleração econômica em diversos mercados consumidores e as incertezas relacionadas ao comércio internacional mantêm elevado o nível de cautela dos investidores.

Exportadores podem ganhar competitividade

Para o segundo semestre de 2026, o Rabobank avalia que existe a possibilidade de enfraquecimento do real frente ao dólar, movimento que tende a favorecer setores fortemente dependentes das exportações.

A expectativa é especialmente positiva para segmentos como celulose, soja, algodão, carnes e demais commodities agrícolas, que podem ampliar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

No caso da celulose, o banco destaca que preços internacionais ligeiramente mais altos, combinados a uma possível desvalorização do real, podem impulsionar as receitas dos exportadores brasileiros ao longo da segunda metade do ano.

Impactos variam entre as cadeias produtivas

Apesar dos possíveis benefícios para as exportações, o efeito cambial não é uniforme entre todos os segmentos do agronegócio.

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No milho, por exemplo, a valorização do real já vem sendo apontada como um fator que limita a competitividade das vendas externas brasileiras diante da concorrência de países como Estados Unidos e Argentina.

Já no mercado da soja, o câmbio continua sendo um dos principais componentes da formação de preços ao produtor, juntamente com os prêmios de exportação e as cotações da Bolsa de Chicago.

Gestão de risco será fundamental

Diante de um ambiente marcado por volatilidade cambial e incertezas geopolíticas, o Rabobank reforça a importância do monitoramento constante dos mercados e da adoção de estratégias de gestão de risco.

Para produtores, cooperativas, tradings e agroindústrias, a combinação entre câmbio, preços internacionais, logística e demanda global continuará sendo determinante para a rentabilidade dos negócios nos próximos meses.

O banco avalia que o segundo semestre deverá ser marcado por maior sensibilidade dos mercados às condições macroeconômicas globais, exigindo atenção redobrada dos agentes do agronegócio na tomada de decisões comerciais e financeiras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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