Tribunal de Justiça de MT

Mais acolhimento, menos abrigos: TJMT impulsiona programa Família Acolhedora em Mato Grosso

Publicado em

O Poder Judiciário de Mato Grosso tem intensificado o trabalho para ampliar o Programa Família Acolhedora em todo o Estado. A atuação é conduzida pela Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ/TJMT), que tem articulado magistrados, servidores e parceiros institucionais para fortalecer essa política pública voltada à proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

O Programa Família Acolhedora é uma iniciativa do Sistema de Assistência Social, criada e implementada no âmbito municipal, por meio de leis específicas. Em Mato Grosso, 23 municípios já possuem legislação instituindo o programa, sendo que Cuiabá aprovou recentemente a lei para viabilizar a implantação do serviço. No entanto, apenas cinco municípios contam com o sistema em funcionamento: Alta Floresta, Tangará da Serra, Lucas do Rio Verde, Sinop e Santo Antônio do Leverger.

A juíza auxiliar da CGJ/TJMT, Anna Paula Gomes, explica que o Judiciário atua dentro dos limites constitucionais, em um trabalho conjunto e intersetorial, seguindo as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “O Tribunal de Justiça implanta, na prática, as recomendações nacionais, por meio da capacitação inicial e continuada de magistrados e servidores e da orientação para que os juízes priorizem essas ações em suas comarcas”, destacou.

Segundo ela, o PJMT orienta os magistrados da infância a irem a campo, dialogarem com os municípios, o Ministério Público e a sociedade civil organizada, incentivando a implantação e a ampliação do programa. O acompanhamento do trabalho é feito diariamente pelo Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).

No âmbito estadual, o Judiciário também integra um grupo de trabalho multissetorial, criado por decreto, que se reúne mensalmente para orientar os municípios sobre a implantação e o fortalecimento da Família Acolhedora. Além disso, há articulação com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Assistência Social, na busca por financiamento estadual que auxilie os municípios nos custos do programa.

Leia Também:  Centro Judiciário de Rondonópolis tem intensa mobilização para a Semana Nacional da Conciliação

Atualmente, nos cinco municípios onde o serviço está em funcionamento, existem 41 famílias cadastradas e 28 crianças e adolescentes acolhidos. Isso representa apenas 5,15% do total. Número ainda é reduzido diante da realidade estadual, que conta com 544 crianças e adolescentes em casas de acolhimento. A meta do grupo de trabalho é ambiciosa: alcançar pelo menos 25% das crianças acolhidas no sistema de acolhimento familiar até 2027.

Historicamente, o acolhimento no Brasil é institucional, ou seja, quando precisam ser afastadas da família de origem, crianças e adolescentes são encaminhados para abrigos. No entanto, a legislação e estudos apontam que o acolhimento familiar deve ser prioritário. Pesquisas indicam que crianças acolhidas por famílias apresentam melhor desenvolvimento emocional e social do que aquelas que permanecem em instituições.

As famílias acolhedoras passam por cadastro, preparação e capacitação antes de receberem crianças e adolescentes. Todos são orientados de que o acolhimento é temporário, até que seja possível o retorno à família de origem ou a adoção.

A assistente social Eliacir Pedrosa, que atua no Programa Família Acolhedora e é habilitada como família acolhedora, relata que ajudou a implantar o serviço em Alta Floresta, o primeiro município do Estado a adotar o modelo, hoje referência. “Depois de acompanhar a implantação em vários municípios, resolvemos habilitar nossa família. Já acolhi três adolescentes. É uma experiência fantástica, que transforma a vida deles e a nossa também”, contou.

Leia Também:  Mestrado na Esmagis - Conheça as datas que regem o mestrado em Direitos Fundamentais e Democracia

Ela compara o acolhimento ao cuidado intensivo. “Quando uma criança é acolhida, ela chega como se estivesse em uma UTI da assistência social. Precisa reaprender a viver. Fazer parte dessa história é mostrar que existem famílias com diálogo, amor e acolhimento”, afirmou.

Em Santo Antônio do Leverger, o servidor público Josimar Benedito da Silva Xavier e a esposa, Luciene de Miranda Xavier, também vivenciam essa experiência. No início, Josimar conta que sentiu receio, mas aceitou o desafio. “Quando chegou a primeira criança, passei a ensinar tudo o que ensinei aos meus filhos: educação, respeito, laço familiar. Pelo tempo que ficam conosco, são tratados como se fossem da família”, disse.

Luciene relata que o primeiro adolescente acolhido não sabia ler e, com o apoio da família, conseguiu avançar. Atualmente, o casal acolhe Miguel, de três anos, que chegou assustado e com dificuldades de fala e alimentação. “Hoje ele está totalmente adaptado. Para mim, é uma satisfação enorme contribuir com o programa e ajudar a transformar a vida dessas crianças”, afirmou.

Autor: Assessoria de Comunicação

Fotografo:

Departamento: CGJ-MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Judiciário de MT Explica: por que falar de Equidade Racial importa?

Published

on

Há muita diferença entre tratar as pessoas de forma igual e tratá-las com justiça. E para explicar melhor é fundamental falar de igualdade versusequidade racial.
De forma resumida, conforme o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a igualdade garante o tratamento igualitário perante a lei, enquanto a equidade ajusta esse tratamento às necessidades específicas de cada indivíduo ou grupo.
Assim, a equidade busca promover a aplicação da justiça na prática para corrigir desigualdades e desvantagens históricas por meio de ações afirmativas.
Depois de estudos iniciados a partir da Portaria 108/2020, o CNJ lançou em 2022 o Pacto Nacional pela Equidade Racial, do qual o Poder Judiciário de Mato Grosso é signatário a partir do Comitê de Equidade Racial.
Por meio dele, o Judiciário mato-grossense passou a realizar cursos de letramento racial e práticas antirracistas, oficinas nas diferentes áreas e outras ações no âmbito do Tribunal de Justiça e nas comarcas.
O trabalho busca promover a equidade, fortalecer a democracia, unir as pessoas pelo respeito para mostrar que o conhecimento é a melhor ferramenta para transformar a nossa realidade.

Autor: Lídice Lannes

Leia Também:  Podcast: juiz Vagner Dupim fala sobre mudanças na legislação com relação ao bullyin

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA