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Agro paulista fecha 2025 com superávit de US$ 23 bilhões e amplia presença no mercado internacional

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O agronegócio de São Paulo encerrou 2025 com um superávit de US$ 23,09 bilhões no comércio exterior, confirmando sua força mesmo diante do impacto do tarifaço norte-americano no segundo semestre. Segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, as exportações do setor somaram US$ 28,82 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 5,73 bilhões.

O levantamento, elaborado pela Diretoria de Pesquisa do Agronegócio (APTA), mostra que o agro representou 40,5% de todas as exportações paulistas entre janeiro e dezembro de 2025, reforçando sua importância para a economia estadual. Já as importações do setor responderam por 6,6% do total do estado.

Complexo sucroalcooleiro segue na liderança das exportações

O complexo sucroalcooleiro manteve-se como o principal motor das exportações do agronegócio paulista em 2025, com US$ 8,95 bilhões em vendas, o que equivale a 31% da pauta exportadora. Desse montante, 93% vieram das exportações de açúcar e 7% do etanol.

Na segunda posição, o setor de carnes respondeu por 15,4% das exportações, somando US$ 4,43 bilhões — com destaque para a carne bovina, responsável por 85% do total.

Os sucos, em especial o suco de laranja, ocuparam o terceiro lugar, com US$ 2,98 bilhões e 10,4% da pauta. O produto respondeu por 97,9% das vendas do grupo.

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Os produtos florestais vieram logo atrás, com US$ 2,97 bilhões (10,3%), impulsionados pela celulose (55,8%) e pelo papel (35,5%). Já o complexo soja respondeu por 8% das exportações, somando US$ 2,32 bilhões, liderado pela soja em grão (77,9%) e pelo farelo de soja (16,7%).

Esses cinco segmentos concentraram 75,1% de todo o volume exportado pelo agronegócio paulista em 2025.

Café registra alta expressiva e se consolida entre os principais produtos

O café manteve posição de destaque e representou 6,3% das exportações do agro paulista, com US$ 1,82 bilhão em vendas. O grupo foi composto majoritariamente por café verde (77%) e café solúvel (19,3%).

Comparado a 2024, o café foi um dos grandes destaques do ano, com alta de 42,1% nas exportações. Outros setores que apresentaram crescimento foram carnes (+24,2%) e complexo soja (+2%).

Por outro lado, alguns grupos registraram queda: o sucroalcooleiro teve retração de 28,4%, os produtos florestais recuaram 5,2% e o setor de sucos apresentou leve queda de 0,7%, refletindo variações nos preços internacionais e na demanda global.

China lidera destinos do agro paulista em 2025

A China se consolidou como o principal destino das exportações do agronegócio paulista, absorvendo 23,9% do total exportado. Em seguida aparecem a União Europeia (14,4%) e os Estados Unidos (12,1%).

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Mesmo com o tarifaço imposto pelos EUA em agosto de 2025, as exportações para o mercado norte-americano cresceram 0,6% em relação ao ano anterior. No entanto, entre agosto e novembro, as vendas ao país chegaram a cair 54,9%, antes de se recuperarem com a retirada parcial das tarifas em 20 de novembro.

A isenção passou a valer para produtos como café, frutas tropicais, sucos, cacau, banana, laranja, tomate e carne bovina, favorecendo a recomposição do comércio bilateral. Além disso, as exportações para China, México, Canadá, Argentina e União Europeia ajudaram a compensar as perdas com o mercado norte-americano.

São Paulo mantém posição de destaque no cenário nacional

No ranking nacional das exportações do agronegócio, São Paulo ficou em segundo lugar, com 17% de participação no total exportado pelo Brasil em 2025. O estado ficou atrás apenas de Mato Grosso, que liderou com 17,3%, segundo os dados da APTA.

Os números confirmam a força e a diversificação do agronegócio paulista, que segue como um dos principais pilares da economia brasileira, com desempenho sólido mesmo diante de um cenário global desafiador.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

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A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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