AGRONEGÓCIO
Exportações brasileiras de açúcar recuam em 2025, mas alcançam segundo maior volume histórico
Publicado em
19 de janeiro de 2026por
Da Redação
Volume de exportações mantém Brasil como líder mundial
O Brasil fechou 2025 com 33,774 milhões de toneladas de açúcar exportadas, segundo dados da DATAGRO e da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). Apesar de representar uma redução de 11,7% em relação a 2024, quando o país registrou recorde histórico de 38,237 milhões de toneladas, o resultado mantém o Brasil como principal exportador global da commodity.
Em dezembro, os embarques totalizaram 2,912 milhões de toneladas, alta de 2,9% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, sinalizando recuperação no final do ciclo.
Distribuição entre açúcar bruto e branco
Os embarques de açúcar apresentaram desempenho distinto conforme o tipo de produto:
- Açúcar bruto: 2,469 milhões de toneladas em dezembro (-1,0% anual); total anual de 29,469 milhões de toneladas (-12,0% em 2025).
- Açúcar branco: 443 mil toneladas em dezembro (+31,6% anual); total anual de 4,305 milhões de toneladas (-9,6% em 2025).
O crescimento do açúcar branco reflete maior demanda industrial e melhorias na logística e eficiência dos portos brasileiros.
Receita em queda devido à baixa dos preços internacionais
O valor médio do açúcar exportado pelo Brasil em dezembro foi de US$ 374,55 por tonelada, queda de 21,6% em relação ao mesmo mês de 2024, atingindo o menor nível desde novembro de 2021.
Como consequência, a receita total com exportações do mês somou US$ 1,091 bilhão, retração de 19,4% no comparativo anual. No acumulado do ano, a receita atingiu US$ 14,109 bilhões, queda de 24,2% frente a 2024.
A redução nos valores é atribuída à queda dos preços internacionais do açúcar e à variação cambial, que impactaram diretamente a arrecadação das empresas exportadoras.
Principais destinos do açúcar brasileiro
A China manteve-se como principal importadora em 2025, absorvendo 4,739 milhões de toneladas (14% do total anual), alta de 56,9% em relação a 2024. Em dezembro, o país comprou 385 mil toneladas (13,2% do total do mês).
Outros destaques incluem:
- Arábia Saudita: 324 mil toneladas em dezembro (11,1% do total mensal)
- Argélia: 228 mil toneladas em dezembro (7,8%)
No acumulado anual, a Índia ocupou a segunda posição, com 2,628 milhões de toneladas (-21,6% anual), seguida pela Argélia, com 2,121 milhões de toneladas (-4,7%).
Infraestrutura e logística fortalecem competitividade
Segundo especialistas, o avanço da infraestrutura portuária e ganhos de eficiência logística permitiram ao Brasil ampliar a capacidade de escoamento do açúcar ao longo do ano.
Essa dinâmica reduziu a necessidade de estoques elevados pelos importadores, garantindo maior previsibilidade e agilidade na reposição via açúcar brasileiro, mesmo com volumes ligeiramente inferiores aos do ano recorde.
Perspectivas para o setor
Apesar da retração anual em volume e receita, o Brasil segue liderando o comércio mundial de açúcar, com destaque para mercados estratégicos na Ásia e Oriente Médio.
O cenário reforça a importância do país como fornecedor confiável, enquanto produtores e exportadores monitoram preços internacionais e demanda global para o planejamento da safra 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Agro exporta R$ 45,6 bilhões e mantém 3º lugar no país
Published
18 horas agoon
2 de setembro de 2026By
Da Redação
O agronegócio de Minas Gerais movimentou R$ 45,6 bilhões em exportações no primeiro semestre de 2026 e manteve o Estado como o terceiro maior exportador do setor no país, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo. O resultado veio mesmo com uma queda de 9,6% na receita em relação ao mesmo período do ano passado, puxada principalmente pela redução dos embarques de café.
Entre janeiro e junho, Minas enviou 8,46 milhões de toneladas de produtos agropecuários para 166 países. O volume foi 3% menor que o registrado no primeiro semestre de 2025. Ainda assim, o Estado respondeu por 10,3% de tudo o que o agronegócio brasileiro vendeu ao exterior e o setor representou 40,9% da receita total das exportações mineiras.
Os números, levantados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG) a partir dos registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram uma mudança importante dentro da pauta. O café continuou dominante, mas soja e carnes ganharam espaço e ajudaram a amortecer a retração do principal produto mineiro.
O café respondeu sozinho por R$ 22,9 bilhões, pouco mais da metade de toda a receita agropecuária obtida no exterior. Foram embarcadas aproximadamente 10,8 milhões de sacas de 60 quilos no semestre. A disponibilidade menor do produto reduziu os volumes, embora o preço médio de exportação tenha aumentado cerca de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025.
A influência do café sobre os números mineiros é enorme. No primeiro trimestre, por exemplo, as exportações do produto haviam caído 31,5% em volume e 18,5% em receita. O recuo foi suficiente para puxar para baixo o resultado de todo o agronegócio estadual, mesmo enquanto outras cadeias registravam crescimento.
Isso ajuda a explicar uma aparente contradição: Minas continua entre os maiores exportadores agrícolas do Brasil, mas vendeu menos que no ano passado. Em 2025, o agronegócio mineiro havia alcançado o recorde de aproximadamente R$ 101 bilhões em vendas externas, resultado favorecido principalmente pela forte valorização internacional do café. A comparação de 2026, portanto, ocorre sobre uma base excepcionalmente elevada.
A soja foi uma das cadeias que impediram uma retração maior. O complexo formado por grão, farelo e óleo movimentou aproximadamente R$ 10,7 bilhões no primeiro semestre, com crescimento de cerca de 10% sobre 2025. O avanço também revela uma mudança na composição das vendas, com maior presença de farelo e óleo, produtos que passam por processamento antes de deixar o Estado.
As carnes apresentaram outro desempenho positivo. Os embarques de carne bovina, suína e de frango renderam aproximadamente R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% na comparação anual. O volume chegou a 247,3 mil toneladas, 3,7% acima do primeiro semestre do ano passado.
A diferença entre o crescimento da receita e o avanço do volume mostra que o valor médio das carnes exportadas aumentou. O movimento beneficia uma cadeia importante para Minas, que possui produção expressiva de bovinos, aves e suínos e uma estrutura industrial formada por frigoríficos, cooperativas e empresas de processamento.
O complexo sucroalcooleiro, formado principalmente por açúcar e etanol, gerou cerca de R$ 2,7 bilhões em exportações no semestre. Os produtos florestais, que incluem celulose, madeira e papel, ficaram próximos de R$ 2,6 bilhões.
Juntos, café, complexo soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais concentraram mais de 96% das exportações do agronegócio mineiro. A pauta é concentrada em grandes cadeias, mas começa a apresentar nichos com maior grau de processamento e produtos ligados à tradição regional.
Minas também aparece entre os principais fornecedores brasileiros de produtos como mel, lácteos, sementes, batatas processadas e doce de leite. Embora movimentem valores menores, essas cadeias têm importância porque permitem a entrada de cooperativas e agroindústrias de menor porte em mercados internacionais.
A diversificação também aparece nos destinos. A China permaneceu como principal comprador do agronegócio mineiro, seguida por Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. A União Europeia tem peso especial para o café: no primeiro quadrimestre, aproximadamente 94% do valor comprado pelo bloco de Minas estava concentrado no produto.
O peso do campo vai além das exportações. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária mineira alcançou o recorde de R$ 167,8 bilhões em 2025. Para 2026, as projeções divulgadas ao longo do ano mantêm o faturamento próximo desse patamar, embora com comportamentos diferentes entre as cadeias.
As lavouras representam aproximadamente dois terços do VBP estadual e o café continua na liderança. Estimativas divulgadas pela Seapa indicavam faturamento superior a R$ 60 bilhões para a cultura em 2026. Soja, cana-de-açúcar e milho aparecem na sequência entre as principais atividades agrícolas.
Na pecuária, a carne bovina segue como principal componente do faturamento. A projeção divulgada neste ano apontava para cerca de R$ 20 bilhões, enquanto o leite, outra atividade tradicional de Minas, enfrentava cenário mais difícil, com queda de preços e pressão sobre a rentabilidade do produtor.
Esse conjunto mostra que o desempenho do agronegócio mineiro em 2026 não pode ser resumido apenas à queda das exportações. O Estado atravessa uma acomodação depois do recorde registrado no ano passado, enquanto algumas cadeias ganham espaço justamente no momento em que o café perde parte da força excepcional observada em 2025.
Para o produtor, essa diversificação reduz parcialmente a dependência de uma única commodity, mas não elimina os riscos. Café, soja, carnes e produtos florestais continuam fortemente expostos ao câmbio, aos preços internacionais, ao custo do crédito, às condições climáticas e às exigências dos mercados compradores.
Mesmo nesse ambiente, Minas chega à segunda metade de 2026 com o agronegócio respondendo por quatro de cada dez reais obtidos pelo Estado com exportações. Mais do que o valor absoluto dos R$ 45,6 bilhões, é essa participação, combinada à presença em 166 mercados e à expansão de cadeias além do café, que ajuda a explicar por que o campo permanece como uma das principais bases da economia mineira.
Fonte: Pensar Agro
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