AGRONEGÓCIO
Boa Safra aposta no sorgo e fortalece segurança e rentabilidade do produtor gaúcho
Publicado em
24 de dezembro de 2025por
Da Redação
O Rio Grande do Sul tem enfrentado anos desafiadores no campo, marcados por enchentes, estiagens prolongadas e custos de produção elevados. Diante desse cenário, a Boa Safra Sementes, líder nacional em produção de sementes, lançou uma iniciativa inédita para incentivar o cultivo do sorgo na primeira safra, oferecendo uma alternativa mais segura e rentável aos produtores rurais.
De acordo com Rafael Tombini, gerente comercial da Regional Sul da Boa Safra, a proposta é estruturar o plantio de híbridos de sorgo como opção de menor investimento em comparação à soja e ao milho, reduzindo os riscos climáticos e financeiros.
“O produtor gaúcho enfrenta dificuldades acumuladas nos últimos anos. O sorgo surge como uma alternativa mais estável, com bom potencial de retorno econômico e menor risco de perda”, destaca Tombini.
Sorgo ganha espaço como cultura de verão no Estado
Tradicionalmente cultivado em segunda safra, o sorgo começa a ocupar espaço como cultura de verão no Rio Grande do Sul, com plantios realizados entre a segunda quinzena de agosto e o fim de novembro. Essa mudança de posicionamento amplia a segurança produtiva e abre oportunidades para consórcios com forrageiras ou plantio de soja safrinha em janeiro, agregando valor e diversificação às propriedades rurais.
Principais vantagens do sorgo para o produtor gaúcho
O pacote tecnológico apresentado pela Boa Safra vem chamando a atenção dos agricultores da região Sul e do Noroeste gaúcho. Entre os diferenciais da cultura, destacam-se:
- Menor custo inicial em relação ao milho e à soja;
- Alta tolerância ao calor e à seca;
- Preço fixado em 85% do valor do milho;
- Boa expectativa de produtividade;
- Compra contratual garantida antes do plantio;
- Integração com pecuária e possibilidade de segunda safra.
Essas características se mostram especialmente relevantes diante da irregularidade climática observada nos últimos meses. “Enquanto as lavouras de milho vêm apresentando quedas acentuadas de produtividade, o sorgo mantém bom desenvolvimento, especialmente nas regiões Sul e Noroeste”, explica Tombini.
Adesão crescente e perspectivas positivas
Apesar de ainda ser uma cultura nova em algumas regiões, o sorgo vem conquistando adesão rápida entre os produtores gaúchos. Segundo Tombini, a empresa estruturou áreas comerciais e parcerias estratégicas para garantir a recepção e comercialização do grão, já que o período de colheita coincide com o do milho.
Os primeiros resultados têm sido animadores. Agricultores relatam boa resistência da planta à estiagem e demonstram interesse em ampliar as áreas cultivadas na próxima safra. “O acompanhamento das lavouras ao longo do ciclo atual será essencial para definir o melhor posicionamento da cultura no Estado e confirmar seu potencial econômico”, observa o gerente.
Rusticidade e desempenho técnico fortalecem o projeto
Para Éder Santos, consultor nacional de sorgo da Boa Safra, o diferencial da cultura está na sua rusticidade e tolerância ao estresse hídrico, características ideais para as condições climáticas enfrentadas no Rio Grande do Sul.
“Com híbridos superprecoces e um trabalho técnico robusto, estamos garantindo suporte completo aos produtores para que alcancem resultados consistentes”, afirma Santos.
Reconhecimento nacional reforça credibilidade da Boa Safra
Além da expansão do sorgo no Sul, a Boa Safra recebeu destaque nacional em 2025, ao conquistar o 1º lugar em produtividade na Safrinha 2025, segundo levantamentos da JL Consultoria, Fundação MS, Círculo Verde Pesquisas Agronômicas e Agrobelts.
O reconhecimento reforça o compromisso da companhia com inovação, qualidade e sustentabilidade, pilares que agora também sustentam a expansão da cultura do sorgo no Rio Grande do Sul.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista
Published
47 segundos agoon
18 de junho de 2026By
Da Redação
A ampliação do debate sobre seguro paramétrico, crédito rural e políticas públicas colocou a gestão de risco agropecuário no centro da agenda institucional do setor no Brasil. A avaliação é de Daniel Miquelluti, especialista em seguro paramétrico e cofundador da Picsel, ao analisar os rumos da discussão no país.
Segundo o especialista, o avanço é positivo, pois o sistema brasileiro de proteção ao produtor rural precisa evoluir diante da maior volatilidade climática e da crescente exposição a eventos extremos. No entanto, ele alerta para um risco recorrente: transformar uma ferramenta técnica em uma solução excessivamente ampla para problemas estruturais do agronegócio.
Seguro paramétrico avança, mas não substitui modelos tradicionais
O seguro paramétrico é baseado em índices previamente definidos — como volume de chuva, temperatura e níveis de estiagem — e permite pagamentos mais rápidos quando comparado aos modelos tradicionais, reduzindo a necessidade de perícias detalhadas.
Na avaliação de Miquelluti, essa característica torna o instrumento relevante em um cenário de aumento de custos de produção, restrição de crédito e maior frequência de eventos climáticos extremos.
Apesar disso, o especialista destaca que o debate perde consistência quando a proposta deixa de ser complementar e passa a ser vista como substituta dos modelos convencionais de seguro rural.
Risco agropecuário brasileiro é sistêmico e altamente correlacionado
O risco no agro brasileiro, segundo a análise, não pode ser tratado como individual ou isolado. Eventos como secas no Centro-Oeste, geadas no Sul ou excesso de chuvas em regiões produtivas atingem simultaneamente grandes áreas e diversas cadeias produtivas.
Esse comportamento caracteriza um risco sistêmico, que impacta carteiras de crédito, seguradoras, resseguradoras e a própria capacidade de pagamento do produtor rural.
Nesse contexto, modelos simplificados de expansão do seguro paramétrico exigem cautela, especialmente quando vinculados a políticas públicas de crédito rural.
Um estudo técnico do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas alerta que a eventual adoção obrigatória de seguro paramétrico atrelado ao crédito subsidiado poderia provocar mudanças estruturais relevantes no sistema, com impactos fiscais, regulatórios, jurídicos e operacionais, além da necessidade de transição gradual e planejamento de longo prazo.
Risco de base pode comprometer confiança do produtor
Um dos principais desafios do modelo paramétrico é o chamado risco de base (basis risk), que ocorre quando o índice acionado não corresponde exatamente à perda real do produtor.
Isso pode gerar duas situações críticas: pagamento sem prejuízo efetivo ou ausência de indenização mesmo diante de perdas significativas.
Segundo especialistas, esse desalinhamento tende a comprometer a confiança dos produtores rurais, especialmente em um setor onde previsibilidade financeira é essencial para o planejamento da safra.
Limitações fiscais e pressão sobre o seguro rural no Brasil
Outro ponto de atenção está na sustentabilidade fiscal do sistema de seguro rural.
A Confederação Nacional das Seguradoras revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar queda nominal de 3,9% no mercado de seguro rural, refletindo a redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.
O início do ano já mostrou retração de 12,2% na arrecadação do segmento, evidenciando fragilidades na previsibilidade orçamentária do setor.
Para analistas, a expansão de modelos paramétricos sem garantia de funding e governança adequada pode aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema.
Política pública avança para modelos mais técnicos e baseados em dados
Apesar das críticas, o debate não é de rejeição à inovação, mas de aprimoramento da estrutura de gestão de risco no campo.
O avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático representa uma mudança relevante na forma como políticas públicas são desenhadas, com maior uso de dados técnicos, critérios objetivos e integração entre manejo agrícola e risco climático.
O Ministério da Agricultura e Pecuária tem ampliado o programa, com expansão territorial e incentivos diferenciados para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.
Seguro paramétrico deve ser complementar, não substituto
Na avaliação do especialista, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço no Brasil, especialmente pela integração com crédito rural, resseguro e dados climáticos.
No entanto, seu uso deve ocorrer dentro de uma arquitetura mais ampla de proteção ao produtor, e não como solução isolada.
A combinação entre instrumentos tradicionais, inovação tecnológica e políticas públicas estruturadas é vista como o caminho mais consistente para fortalecer a gestão de risco no agro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista
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