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Boas práticas de autocomposição do MPMT são premiadas

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Cinco iniciativas que transformaram a forma de resolver conflitos no Ministério Público de Mato Grosso foram reconhecidas nesta quarta-feira (10), durante o XXVI Encontro Estadual. O Prêmio “Melhores Iniciativas de Autocomposição” destacou projetos inovadores indicados pelas Procuradorias Especializadas, escolhidos pelo Colégio de Procuradores por promoverem soluções criativas e colaborativas.Os projetos premiados foram “TAC – Atendimento a Crianças e Adolescentes com TEA”, na área da Cidadania; “Terapia que Encanta e Transforma”, na área da Infância e Juventude; “Ressarcimento ao erário por doações irregulares de lotes urbanos”, na área do Patrimônio Público; “Projeto Trânsito Legal”, na área Criminal; e “Caminhos da Sustentabilidade – MT Sem Lixão”, na área de Meio Ambiente.O coordenador do Nupia, promotor de Justiça Marcelo Caetano Vacchiano, enfatizou que o núcleo, juntamente com o Centro de Autocomposição de Conflitos (Compor), constitui atualmente a espinha dorsal do Ministério Público no fomento às práticas autocompositivas. Ele ressaltou a profunda transformação da instituição nos últimos 20 anos, que evoluiu de uma postura predominantemente demandista para uma atuação resolutiva.“Antes, éramos incentivados a ajuizar ações e a demandar, sendo avaliados pela Corregedoria pelo número de processos que movíamos. Hoje, a realidade é outra. O Conselho Nacional do Ministério Público, o Conselho Nacional de Justiça e as mudanças no Código de Processo Civil, no Código de Processo Penal e na Lei de Improbidade Administrativa trouxeram uma nova perspectiva, estimulando fortemente a autocomposição”, considerou.Para demonstrar a eficácia da autocomposição, Marcelo Vacchiano citou o exemplo da área ambiental, em que apenas 4% dos acordos realizados são descumpridos. Para ele, isso comprova que, mesmo havendo uma redução inicial no bem jurídico discutido, o resultado é o cumprimento do acordo por parte das pessoas que buscam resolver o problema.Sobre a premiação, o promotor destacou que o modelo de boas práticas do MPMT tem como objetivo incentivar os integrantes a inovar e priorizar acordos, contribuindo para a redução das demandas judiciais. Ele ressaltou a dificuldade enfrentada pelos procuradores especializados para escolher apenas cinco iniciativas entre tantas propostas de sucesso, o que evidencia a alta produtividade da instituição na área de autocomposição. Por fim, reforçou o convite aos membros para que adotem cada vez mais essas medidas, já que elas garantem resultados mais rápidos e efetivos do que anos de litígio.Premiação – O promotor de Justiça Fabricio Miranda Mereb foi premiado pelo projeto “Terapia que Encanta e Transforma”, desenvolvido em Campinápolis a partir de uma escuta social. A iniciativa estruturou um ecossistema de inclusão e reabilitação para crianças e adolescentes com deficiência, resultando na criação de um Centro de Equoterapia, que oferece tratamento terapêutico gratuito e comprovadamente eficaz, e do Centro Educacional de Atendimento Especializado (CEAE), com equipe multiprofissional formada por fonoaudiólogos, psicólogos e psicopedagogos.Segundo o promotor, graças a essa atuação, o número de crianças atendidas no município saltou de cinco para 150 em apenas seis meses, transformando a realidade local, fortalecendo a rede de apoio social e evidenciando o impacto efetivo do Ministério Público. “Ver aquele sorriso daquelas crianças, encontrar um pai no mercado como eu sempre encontro e falar o quanto o atendimento tem evoluído na vida da sua criança, isso para mim é a maior realização profissional que eu posso ter”, afirmou.Na área do Patrimônio Público, o promotor de Justiça Guilherme Ignacio de Oliveira foi reconhecido pelo projeto “Ressarcimento ao erário por doações irregulares de lotes urbanos”. Após a declaração de inconstitucionalidade da lei municipal em Sinop que autorizava a doação de lotes públicos sem licitação, a solução encontrada foi negociar para evitar o fechamento de empresas e a perda de empregos. A iniciativa arrecadou mais de R$ 5 milhões e abriu caminho para investimentos sociais, conciliando legalidade, pacificação e desenvolvimento econômico.“O caminho mais fácil seria pedir a reversão dos lotes e a demolição das construções, mas isso traria consequências terríveis para a cidade, com fechamento de empresas e perda de centenas de empregos. Optamos por uma solução negociada, ouvindo empresários e o município em audiências públicas, e celebramos TACs que garantiram indenizações, regularização fiscal e recursos para construir uma instituição de longa permanência para idosos. Esse caso mostrou que inovação e legalidade não são opostos, mas sim a chave para promover pacificação social e desenvolvimento econômico”, destacou o promotor.Na esfera ambiental, o prêmio foi concedido ao promotor de Justiça Marco Antonio Prado Nogueira Perroni, de Ribeirão Cascalheira, pela iniciativa “Caminhos da Sustentabilidade – MT Sem Lixão”. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) substituiu indenizações em dinheiro pela doação de uma carreta bitrem articulada, compartilhada pelos três municípios da comarca, para transportar resíduos ao aterro sanitário de Água Boa. A solução, construída de forma consensual pelo Ministério Público, eliminou um passivo ambiental histórico e garantiu a destinação correta dos rejeitos, demonstrando alternativas criativas de reparação ambiental além da esfera financeira.Ele relatou a frustração que sentia com relação à experiência no saneamento básico em São Félix do Araguaia, sua primeira comarca, que carregou até Ribeirão Cascalheira, a segunda lotação, onde encontrou uma realidade muito diferente. “Foi então que a frustração que eu carregava diante da ausência de estruturas básicas de saneamento impulsionou a busca por soluções criativas”, esclareceu.Também foram reconhecidos os promotores de Justiça, que não puderam comparecer ao evento, Álvaro Schiefler Fontes, pelo projeto “TAC – Atendimento a Crianças e Adolescentes com TEA” na área de Cidadania, e Alice Cristina de Arruda e Silva Alves, pelo “Projeto Trânsito Legal” na área Criminal.Ao participar da entrega da premiação, o procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente, destacou a importância de o promotor estar presente no cotidiano da comarca, atuando de forma próxima à sociedade e promovendo a integração da população com a estrutura da Promotoria de Justiça. Além disso, ressaltou a transversalidade das iniciativas premiadas. “Em todas as áreas especializadas do Ministério Público, de forma transversal, há a prioridade absoluta de olhar para a criança e o adolescente. Esse reconhecimento demonstra como iniciativas inovadoras podem transformar o atendimento e reforçar nosso compromisso direto com a sociedade mato-grossense”, afirmou.O XXVI Encontro Estadual é uma realização do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio da Escola Institucional, com apoio da Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP) e da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT). Confira a programação completa do evento aqui.Fotos: Everton Queiroz.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Semear e Colher

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Há anos, me atenho ao princípio de Semear e Colher, para enredar a interpretação que faço a respeito da trajetória humana na Terra. Existem várias teses sobre os atos em cotejo, imprimindo facetas ao ser humano. Muitas pessoas se gabam de, ao longo da vida, prestarem-se muito a Semear, atribuindo substancial importância a essa tarefa. Outros se orgulham das fartas Colheitas materiais e intelectuais que acumulam na trajetória humana, ressaltando que é a capacidade de coletar que importa. Os dois cenários são, efetivamente, muito importantes, mas o que não pode ser ignorado é que a colheita é resultado do que foi plantado e, eventual desajuste entre um ponto e outro, precisa ser refletido para permitir a adoção oportuna de eventuais medidas corretivas.É certo que, por vezes, semear causa frustrações, pois nem sempre o espaço material ou imaterial eleito para as ações é fértil e preparado para tal escopo. A colheita também pode ser marcada pelo insucesso. Semear e colher são fases inerentes ao ser humano, relacionadas ao labor operacional ou intelectual, em estreita sintonia com a natureza e, por vezes, exercendo mister filosófico-religioso, muitos homens e mulheres se especializam em uma ou outra atividade.São exímios trabalhadores, semeando ou colhendo bons frutos. Algumas pessoas especiais são semeadoras natas, ainda que sequer se apercebam disso. No cotidiano, pela prática, legam a todos que lhes cercam um estilo condizente com a missão divina. Semear nem sempre proporciona boa colheita. Por vezes, sequer qualquer colheita é possível. O incrédulo diz que não vale a pena semear em terreno infértil. Entende que é tempo perdido. Já o verdadeiro semeador tornará a realizar a missão, tantas e quantas vezes forem necessárias, mesmo que nenhum resultado satisfatório integre a sua visão de curto prazo. Aliás, esse semeador tem consciência de que todo terreno pode ser preparado para receber a semente e é esse, sem dúvida, seu maior foco.Mateus 13 descreve o sermão de Jesus sobre as sementes: “eis que um semeador saiu a semear e algumas sementes caíram ao longo do caminho; os pássaros vieram e as devoraram. Outras caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita terra e imediatamente brotaram, pois não havia terra profunda. Quando o sol nasceu, queimaram-se e, porque não tinham raízes, murcharam. Outras caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram. Finalmente, algumas caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um”.Nos tempos atuais, quando são disseminadas informações em volume gigantesco, algumas procedentes, outras dúbias e várias falsas, é bom lembrar das parábolas de Cristo. Nem sempre o que se propaga é semente selecionada e raramente o terreno preparado para recebê-las é o adequado. Além disso, existem semeadores de todas as estirpes e com interesses diversos.Alguns arautos da discórdia valem-se desses instantes para alimentação dos egos pessoais, sem se aterem às diversidades culturais e sociais de nossa gente. Espalham ódio como semente, a partir de aleivosias e retroalimentam o processo com as vozes de outros iguais que, irracionalmente, aplaudem os despautérios.Já os verdadeiros semeadores perseveram em cultivar seus valores. Mesmo plantando sementes nem tão produtivas, por conta de interferências externas, contribuem com as condutas positivas voltadas para a construção de uma sociedade cada vez mais justa e igualitária, para que as pessoas de bem busquem o preparo adequado do solo, recepcionando as sementes lançadas, melhorando-as pelo trato e oportunizando, destarte, boas colheitas.Os humanos precisam entender essa dinâmica de semear e colher, em sintonia com a natureza ou sustentada por princípios filosóficos ou dogmas religiosos. Como mencionava Jean-Paul Sartre, “todos somos condenados a sermos livres”, mas alguns insistem em achar que podem manter-nos encarcerados aos seus dogmas. Para produzir bons frutos, é preponderante também o trato cultural em todos os ciclos da planta semeada. Não basta ter bom solo e semente selecionada. É fundamental que as ações para torná-lo produtivo façam parte da rotina. Isso só é possível com a exteriorização de exemplos positivos, porquanto não bastam meros discursos.Quando precisamos enfrentar desconformidades, mesmo aquelas resultantes das intervenções humanas no ciclo regular da vida, devemos considerar, no dia a dia, as ações de quem está semeando, na expectativa de colher e partilhar uma boa produção e, definitivamente, afastar os sinais externados pelas pessoas descompromissadas com a sobrevivência harmônica na Terra.Aqueles que se julgam diferentes se assumem soberanos, vilipendiando o próximo, tal qual nas “eras primitivas”, quando imperava o arbítrio. Nesse escopo, semeiam ódio contra algumas pessoas, pois não aceitam e nem querem admitir a igualdade daqueles que, por uma situação circunstancial ou mesmo interpretação social, apresentam certa diferença, comportamental ou física. E o mais grave é que o ódio disseminado prolifera, como erva daninha, germinando outras situações discriminatórias. Por isso, mais que nunca, precisamos separar “o joio do trigo” e semear aquilo que efetivamente é preciso colher para o bem-estar da sociedade, mormente em uma visão de longo prazo, mesmo após o encerramento da vida do semeador na Terra.*Edmilson da Costa Pereira é procurador de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

Foto: Magnific.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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