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Milho mantém trajetória de alta impulsionado por demanda firme e câmbio valorizado

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Cenário interno: compradores ativos e produtores retraídos impulsionam preços

O mercado brasileiro de milho manteve o viés de alta na última semana, com o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) se aproximando dos R$ 70 por saca de 60 kg, nível nominal não visto desde maio de 2025, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

A elevação reflete o maior interesse de compradores, que buscam reforçar estoques para o final do ano e o início de 2026, somado à retração dos vendedores, que permanecem atentos às condições climáticas e à evolução da safra. Em diversas regiões, produtores relatam preocupações com o clima quente e, em outras, com os impactos das chuvas de novembro, fatores que têm levado à oferta limitada no mercado spot e à expectativa de novas valorizações.

Enquanto isso, compradores mais cautelosos aguardam uma possível queda nas cotações com a aproximação da colheita da safra de verão, que tende a liberar armazéns e aumentar a oferta no mercado doméstico.

Tendência global: exportações dos EUA e etanol sustentam recuperação

No cenário internacional, a tendência é de continuidade da recuperação dos preços do milho até o início de 2026, impulsionada sobretudo pela forte demanda externa. A consultoria TF Agroeconômica destaca que produtores devem manter atenção ao custo de carregamento das posições ainda não comercializadas, evitando prejuízos diante da volatilidade do mercado.

Nos Estados Unidos, o ritmo acelerado das exportações é um dos principais fatores de sustentação. De acordo com o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), as vendas externas da safra 2025/26 alcançaram 1,99 milhão de toneladas no fim de outubro, totalizando 37,36 milhões de toneladas, o que representa alta de 30,68% em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Outro destaque é o setor de etanol, cuja produção diária atingiu 1,126 milhão de barris, superando marcas anteriores e indicando maior demanda industrial por milho. Paralelamente, estimativas privadas apontam para redução nos estoques finais norte-americanos, reforçando a expectativa de preços firmes.

Na Europa, a redução das importações de milho ucraniano e o aumento da participação de fornecedores como Brasil e EUA abrem novas oportunidades comerciais.

Mercado regional: negociações travadas e diferenças de preços

Apesar da firmeza dos preços, o mercado interno segue pouco dinâmico em várias regiões do país, conforme levantamento da TF Agroeconômica.

No Rio Grande do Sul, as negociações se restringem a compras pontuais de pequenas indústrias e cooperativas, com referências entre R$ 58,00 e R$ 72,00 por saca, e média estadual em R$ 62,68, uma leve alta semanal de 0,8%.

Em Santa Catarina, o impasse entre produtores e indústrias continua. As pedidas se mantêm próximas de R$ 80,00/saca, enquanto as ofertas ficam em torno de R$ 70,00/saca, travando as negociações. No Planalto Norte, poucos negócios foram fechados entre R$ 71,00 e R$ 75,00/saca.

Situação semelhante é observada no Paraná, onde os produtores pedem cerca de R$ 75,00/saca, mas as indústrias ofertam aproximadamente R$ 70,00/saca CIF. No Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 52,00 e R$ 56,00/saca, com destaque para Maracaju e Chapadão do Sul, que apresentaram avanços mais consistentes nos preços.

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Câmbio valorizado neutraliza pressão baixista

A valorização do dólar frente ao real teve papel decisivo na sustentação dos preços internos. Na sexta-feira, a moeda norte-americana avançou 2,31% no dia e 1,83% na semana, impulsionada por fatores políticos domésticos.

De acordo com a TF Agroeconômica, o câmbio forte neutralizou a pressão baixista vinda da Bolsa de Chicago, permitindo que o mercado físico mantivesse um tom firme. Os preços do milho subiram 2,24% na semana no mercado interno, enquanto o FOB nos portos teve alta de 2,27%.

A demanda doméstica e externa segue aquecida. Dados da Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) apontam aumento de 6,5% nas exportações em novembro e projeção de avanço de 37,8% em dezembro, em comparação com os mesmos meses do ano passado.

Na B3, os contratos futuros tiveram desempenho misto. O vencimento janeiro/2026 fechou em R$ 74,23/saca, com leve queda diária, enquanto março/2026 subiu para R$ 76,14/saca e maio/2026 encerrou a R$ 75,52/saca.

Já na Bolsa de Chicago (CBOT), o milho registrou leve retração. O contrato dezembro caiu 0,23%, para 436,75 cents/bushel, e o março recuou 0,56%, a 444,75 cents/bushel. Apesar da forte safra americana e da concorrência brasileira, o ritmo das exportações dos EUA segue firme, amenizando perdas semanais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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