Saúde

Guia Nacional orienta como construir e adaptar unidades de saúde preparadas para eventos climáticos extremo

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O Brasil vive o que especialistas chamam de Era das Consequências, um período em que os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos de forma concreta na vida cotidiana. Tornados, enchentes, secas prolongadas e ondas de calor têm danificado unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), interrompendo atendimentos essenciais em momentos críticos. Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde lançou o Guia de Referência Técnico – Plano Nacional com diretrizes e soluções para Unidades de Saúde Resilientes a Eventos Extremos, que define como Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros Especializados em Reabilitação (CER), Unidades de pronto Atendimento (UPA) e hospitais devem ser construídos ou adaptados para continuar funcionando mesmo durante eventos climáticos extremos, de acordo com as especificidades das Zonas Bioclimáticas Brasileira.

O material será incorporado aos projetos do Novo PAC Saúde, consolidando a adaptação climática como política pública estruturante. Ele está alinhado ao Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde (AdaptaSUS), que orienta como o setor saúde deve se preparar e responder aos impactos das mudanças climáticas em todo o país. O Guia também integra o conjunto de ações que o Brasil apresentou na COP30, por meio do Plano de Ação em Saúde de Belém, que estabelece o compromisso de transformar o SUS em protagonista da agenda de adaptação climática.

“A crise climática deixou de ser um alerta distante e já pressiona diariamente o SUS. Com o guia, transformamos essa urgência em ação concreta e assumimos um compromisso: preparar o sistema de saúde para continuar funcionando mesmo diante de eventos extremos. Essa é uma decisão estratégica de governo, baseada em ciência, planejamento e proteção da vida”, afirma o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

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A urgência por trás do novo guia

Tornados no Sul, enchentes no Norte e Sudeste, secas no Nordeste e Centro-Oeste e ondas de calor em diversas regiões afetaram a infraestrutura de saúde nesses locais. Em vários estados, unidades tiveram atendimentos interrompidos por falta de energia, danos estruturais e alagamentos, muitas vezes em momentos de maior demanda da população.

Nos últimos anos, eventos climáticos extremos têm levado à interdição de unidades de saúde em diferentes estados. O episódio mais grave ocorreu no Rio Grande do Sul, em maio de 2024, quando 17 hospitais foram total ou parcialmente interditados, 75 operaram de forma limitada e mais de 3 mil instalações de saúde foram afetadas pelas enchentes. Casos semelhantes ocorreram no Litoral Norte de São Paulo, em Petrópolis (RJ) e em municípios do Espírito Santo.

O Guia surge para enfrentar esse cenário, com foco em garantir que o SUS mantenha o atendimento mesmo sob condições adversas, protegendo vidas e resguardando a infraestrutura crítica.

O que muda para estados e municípios

Com a publicação, todas as obras de saúde do Novo PAC passam a seguir diretrizes mínimas de resiliência. Isso inclui:

Adequações nos projetos de referência; Nas futuras construções e adequações, o guia estabelece parâmetros para que possam ser adotadas soluções estruturais voltadas a ventos fortes, proteção contra inundação, autonomia de energia e reforço da infraestrutura crítica, em conformidade com a Zona Bioclimática e os principais riscos climáticos identificados na região.

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Assistência técnica para apoiar estados e municípios na adaptação das obras; Equipes do Ministério da Saúde vão apoiar estados e municípios desde a concepção até a execução das obras, garantindo uniformidade técnica e aderência às diretrizes.

Padronização nacional das soluções construtivas para enfrentar eventos extremos; O Guia estabelece parâmetros unificados para enfrentar eventos climáticos extremos, garantindo segurança, continuidade do funcionamento e redução de riscos.

Financiamento vinculado a indicadores de resiliência e sustentabilidade. No Novo PAC Saúde, os projetos de referência já preveem estrutura reforçada em concreto armado, reserva e uso racional da água e pontos de infraestrutura preparados para a futura instalação de geradores e painéis fotovoltaicos. Com o novo guia, gestores passam a ter orientação para ajustar esses projetos conforme a Zona Bioclimática e os riscos climáticos locais.

Além disso, as unidades deverão manter planos de contingência atualizados, rotas de fuga seguras e realizar inspeções periódicas de manutenção, medidas essenciais para assegurar operação contínua em situações críticas.

Adaptação Regionalizada

O Guia leva em conta o Zoneamento Bioclimático Brasileiro, ou seja, as soluções são aplicadas de forma progressiva e conforme os riscos predominantes em cada território:

Regiões Frias (Sul): Foco em proteção contra granizo, vendavais severos e isolamento térmico reforçado.

Regiões Quentes e Úmidas (Norte/Nordeste): Foco em construções elevadas (em áreas de cheia), drenagem superdimensionada e ventilação natural abundante para evitar fungos e umidade.

Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Governo do Brasil anuncia o maior investimento da história para impulsionar inovações em endometriose, dor pélvica e saúde menstrual no SUS

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, juntamente com a primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participou, nesta terça-feira (9), do anúncio de R$ 60 milhões, o maior investimento já realizado no Brasil voltado à geração de conhecimento científico, tecnologias e soluções inovadoras relacionadas à endometriose, à dor pélvica e à saúde menstrual.

Os recursos estão previstos em uma chamada pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para o desenvolvimento de soluções inovadoras e a criação de uma rede nacional de pesquisa, com apoio financeiro do Instituto Alana. O objetivo é que os projetos sejam aplicados no Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para o aperfeiçoamento dos diagnósticos e tratamentos e para o fortalecimento da atenção à saúde das mulheres.

“Esse é um tema muito importante, que afeta pelo menos 8 milhões de mulheres no nosso país, especialmente adolescentes. É fundamental que ele tenha sido contemplado em um edital específico com esse volume de recursos. Temos o compromisso de construir uma política pública robusta no SUS para enfrentar essa questão da forma como ela precisa ser enfrentada”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.

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A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que “quando uma menina falta à escola por causa da dor ou uma mulher leva anos para receber um diagnóstico, estamos diante de um problema de saúde pública que exige uma resposta do Estado. Esse investimento demonstra o compromisso do Governo do Brasil com a ciência como instrumento de cuidado, inclusão e promoção da qualidade de vida das mulheres brasileiras”.

A primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, participou do anúncio no MCTI e chamou a atenção para o fato de que, por muito tempo, questões relacionadas à saúde da mulher foram tratadas com invisibilidade ou minimizadas. “Muitas mulheres convivem com dores intensas sem receber diagnóstico ou acolhimento adequados, e a endometriose é um exemplo dessa realidade. Por isso, essa iniciativa do MCTI é tão importante, ela direciona atenção e investimentos para pesquisas sobre uma condição que afeta milhões de brasileiras”, afirmou Janja.

A chamada pública será aberta pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e terá cinco eixos temáticos: causa e prevenção; diagnóstico; tratamento; biorrepositório (reservatório de materiais biológicos, utilizado em pesquisas específicas); e impacto social. As pesquisas deverão contribuir para reduzir lacunas de conhecimento sobre a endometriose, doença crônica ainda subdiagnosticada, que afeta cerca de uma em cada dez meninas e mulheres e pode levar anos para ser identificada.

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Outros R$ 10 milhões serão aplicados pelo Instituto Alana e destinados à criação de uma rede nacional estruturante de pesquisa nesses temas, formada a partir dos projetos selecionados, que contarão com uma infraestrutura compartilhada de comunicação científica, implementação de ciência cidadã, apoio ao pesquisador, educação e formação.

Tratamento no SUS

O ministro Alexandre Padilha destacou que o primeiro protocolo clínico do SUS para o tratamento da endometriose foi instituído no ano passado, no âmbito do programa Agora Tem Especialistas, alinhando diretrizes assistenciais e financiamento.

“Foi criada a primeira tabela específica para estimular esse cuidado integrado, remunerando um conjunto de ações que envolve consulta, diagnóstico e tratamento. Isso é muito importante porque, quando o Ministério da Saúde induz uma política para o SUS, o SUS responde. Alguns estados mais do que dobraram o número de mulheres atendidas, diagnosticadas e que iniciaram tratamento para endometriose. Mas isso ainda é pouco diante da dimensão do problema”, afirmou o ministro.

Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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