A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, neste domingo (30.11), três homens de 19, 22 e 40 anos, suspeitos de envolvimento em um latrocínio (roubo seguido de morte) praticado contra um homem de 61 anos. O crime ocorreu na madrugada do dia 29 de novembro, em uma propriedade rural situada no Assentamento Carlos Marighella, em Poxoréu.
A vítima foi encontrada caída na área de serviço da residência, com intenso sangramento na região craniana, provocado por golpes desferidos com um pedaço de madeira. O objeto foi localizado próximo à garagem do imóvel, onde estava estacionada a caminhonete Fiat Strada branca, que foi subtraída pelos criminosos.
Logo após a comunicação do fato, foi instaurado um trabalho conjunto entre as Delegacias de Poxoréu e de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Rondonópolis, além da Polícia Militar. As primeiras diligências apontaram que o veículo da vítima havia sido levado para Rondonópolis. Após as investigações policiais, um dos suspeitos, o jovem de 19 anos, foi visto circulando com a caminhonete, na companhia de sua namorada.
No domingo (30), o veículo foi localizado estacionado em frente a uma residência no bairro São Sebastião, em Rondonópolis. Na ocasião, foi realizada a abordagem do suspeito.
Dentro da caminhonete, foram encontradas a carteira da vítima com documentos e cartões, roupas utilizadas no dia do crime, uma mochila com outras peças de vestuário e um aparelho celular iPhone. O suspeito e sua namorada foram conduzidos à delegacia.
O jovem de 19 anos confessou participação no crime e delatou os outros dois envolvidos, de 22 e 40 anos, detalhando a atuação de cada um. Segundo ele, o suspeito de 22 anos teria sido o mentor do latrocínio, repassando informações sobre a rotina da vítima e a ausência de familiares na região.
O suspeito de 40 anos teria se desfeito do celular da vítima, arremessando-o em uma área de pastagem.
Com base nas informações coletadas, as equipes localizaram os dois delatados, apreenderam seus aparelhos celulares e os conduziram à delegacia para os procedimentos cabíveis.
Da análise de vestígios em locais de homicídio à investigação de crimes ambientais, o trabalho da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) é fundamental para esclarecer ocorrências e subsidiar decisões da Justiça. Na área ambiental, a instituição atua na produção de provas técnicas que permitem identificar, dimensionar e comprovar danos causados aos recursos naturais em Mato Grosso.
A atuação é realizada pela Gerência de Perícias em Meio Ambiente (GPMA), unidade especializada na identificação, análise e quantificação de impactos provocados por atividades ilícitas contra a natureza.
Para o diretor-geral adjunto da Politec, Renato Simões, a perícia ambiental é uma ferramenta essencial para garantir a responsabilização de infratores e a preservação do patrimônio natural mato-grossense.
“A perícia ambiental é uma ferramenta essencial para a defesa do patrimônio natural de Mato Grosso. Por meio da ciência e da produção de provas técnicas, a Politec contribui para a responsabilização de infratores e para a preservação dos recursos naturais que são fundamentais para a qualidade de vida da população”, afirma.
Segundo o perito criminal George Adriano de Lamônica Araújo, o trabalho começa a partir do acionamento das autoridades policiais e envolve uma série de procedimentos técnicos para comprovar a materialidade do crime.
“A atuação da perícia ambiental é fundamentada na materialidade do ilícito ambiental. Nosso papel é constatar o dano, quantificar sua extensão, qualificar o impacto e, sempre que possível, determinar a autoria ou o nexo causal. O trabalho une o exame de campo à análise e ao processamento de dados geoespaciais”, explica.
Entre os crimes ambientais mais registrados em Mato Grosso estão o desmatamento ilegal, os incêndios florestais e queimadas irregulares, intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais, casos de poluição ambiental e infrações relacionadas à pesca ilegal.
Para identificar e comprovar essas práticas, os peritos analisam diferentes tipos de vestígios. Em ocorrências de desmatamento, por exemplo, são avaliadas as características da vegetação afetada, os limites da área degradada e os indícios de utilização de maquinário pesado.
Nos incêndios florestais, o foco está na identificação do ponto inicial do fogo e na delimitação da área atingida. Já nos casos de poluição ambiental, são coletadas amostras de água e sedimentos para exames laboratoriais capazes de identificar contaminantes e mensurar os impactos causados ao ecossistema.
Tecnologia como aliada
O trabalho pericial ambiental conta com tecnologias que ampliam a precisão das análises e fortalecem a produção de provas técnicas.
Imagens de satélite, drones e softwares especializados permitem mapear áreas degradadas, reconstruir a dinâmica dos danos ambientais e fornecer informações detalhadas para investigações e processos judiciais.
“O trabalho começa ainda na fase de planejamento, com a análise de séries temporais de imagens de satélite para compreender quando o dano ocorreu e qual era o estado original da área. Em campo, validamos essas informações, realizamos imageamento aéreo e coletamos evidências físicas para posterior elaboração do laudo”, destaca George.
Entre as principais ferramentas utilizadas estão a vetorização de imagens de satélite, o mapeamento por drones e a fotogrametria computacional, técnica que possibilita a criação de ortomosaicos e imagens georreferenciadas de alta resolução.
Os laudos produzidos pela Politec são fundamentais para a responsabilização dos infratores e para a reparação dos danos ambientais.
“A perícia fornece a prova material do crime ambiental. Os laudos apresentam dados matemáticos, mapas de satélite e análises laboratoriais que subsidiam o trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário. Também realizamos a valoração dos danos ambientais, transformando os vestígios encontrados em elementos técnicos e jurídicos”, afirma o perito.
Além de demonstrar a existência do dano, a perícia delimita com precisão as coordenadas geográficas da área afetada, vinculando o ilícito à propriedade ou ao local de origem da infração e conferindo maior segurança jurídica aos processos.
Impactos para sociedade
Os crimes ambientais produzem consequências que vão além das áreas diretamente afetadas. O desmatamento compromete a biodiversidade, altera o regime de chuvas e impacta atividades econômicas importantes para o Estado.
As queimadas provocam problemas de saúde pública, especialmente entre crianças e idosos, devido à fumaça e à piora da qualidade do ar. Já a contaminação de rios e nascentes pode comprometer o abastecimento de água e afetar comunidades que dependem diretamente desses recursos.
E é nesse contexto que entra a perícia ambiental como papel estratégico ao produzir provas que auxiliam na responsabilização dos infratores e na reparação dos danos causados ao patrimônio natural.
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