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Irrigação eleva produtividade da banana e reduz tempo de colheita em Santa Catarina, aponta pesquisa da Epagri

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Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) estão desenvolvendo um estudo que pode transformar a produção de bananas no estado. O projeto, realizado na Estação Experimental de Itajaí (EEI), avalia diferentes sistemas de irrigação e demonstra resultados expressivos no aumento da produtividade e da qualidade das frutas.

O trabalho surge como resposta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e eventos extremos, como o ciclone que atingiu o Sul do país entre 7 e 8 de novembro, e pelas estiagens prolongadas, como a de 2019, que prejudicaram fortemente os bananais do Litoral Norte catarinense.

Pesquisa avalia dois sistemas de irrigação e mostra ganhos expressivos

A pesquisa intitulada “Avaliação de sistemas de irrigação para bananicultura”, conduzida pelo engenheiro-agrônomo Ricardo Negreiros, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), teve início em 2021 e busca tornar a bananicultura mais resiliente às variações climáticas em regiões subtropicais.

Os estudos comparam dois tipos de irrigação — microaspersão e gotejamento — e já completaram três dos quatro ciclos previstos. Até o terceiro ciclo, a banana Prata teve uma redução de 33 dias no tempo de produção, enquanto a variedade Cavendish (caturra) encurtou o ciclo em 58 dias e apresentou um acréscimo médio de 1,3 pencas por cacho.

Fertirrigação melhora nutrição e reduz custos de mão de obra

De acordo com Negreiros, parte dos bons resultados vem da adoção da fertirrigação, sistema que combina irrigação e adubação. Nele, nutrientes como nitrogênio e potássio são diluídos na água e aplicados diretamente nas plantas, garantindo absorção eficiente e reduzindo perdas por volatilização.

“O fósforo é aplicado manualmente uma vez ao ano, já que não se dissolve na água. Antes, a adubação manual era feita a cada três meses ao redor de cada planta, exigindo mais tempo e mão de obra”, explica o pesquisador.

Além de otimizar o manejo nutricional, o sistema automatizado contribui para o uso racional da água e dos fertilizantes, melhorando a sustentabilidade da lavoura.

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Testes em campo avaliam desempenho em diferentes condições de solo

O experimento ocorre em uma área de 1.215 m² na Estação Experimental de Itajaí, com 200 plantas de cada variedade e grupos de controle sem irrigação, para fins comparativos. No sistema por gotejamento, uma fita é instalada para cada fileira dupla de bananeiras, liberando água lentamente. Já na microaspersão, hastes de 50 cm irrigam a base das plantas com vazão de 70 litros por hora, evitando o contato com as folhas e o surgimento de doenças.

Ao todo, 1.580 famílias de bananeiras (mãe, filha e neta) estão sendo acompanhadas, e o quarto ciclo da pesquisa será concluído em abril de 2026.

Resultados regionais e desafios de adaptação

Segundo Negreiros, o uso da irrigação em frutíferas já havia mostrado bons resultados no Sul do estado, em lavouras de maracujá. Contudo, é a primeira vez que o sistema é testado no Litoral Norte para o cultivo de bananas — uma região com características de solo distintas.

“No Sul, o solo é mais arenoso; já aqui, é misto, com partes argilosas. Isso influencia na escolha do método de irrigação, pois o gotejamento forma bulbos de umidade em solos muito arenosos”, detalha o pesquisador. Ele ressalta que o sistema não é indicado para áreas com forte declive, como encostas de morros.

Irrigação garante produtividade e atua como “seguro da lavoura”

A bananeira possui raízes superficiais — cerca de 70% estão a apenas 40 cm de profundidade —, o que limita o acesso à umidade do subsolo. Somado à ampla área foliar, isso aumenta a evaporação e a necessidade de reposição de água. Cada família de bananeira requer cerca de 20 litros diários, e períodos de estiagem superiores a 15 dias já afetam a formação dos cachos e o tamanho dos frutos.

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Mesmo em anos sem secas severas, como entre 2022 e 2024, a adoção de sistemas de irrigação pode garantir estabilidade produtiva e reduzir perdas em períodos mais críticos. “A irrigação funciona como um seguro da lavoura, além de aumentar a absorção de nutrientes e fortalecer as plantas nas próximas gerações”, conclui Negreiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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