AGRONEGÓCIO

Conselho Municipal de Saúde aprova medidas para fortalecimento do SUS em Cuiabá

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O Conselho Municipal de Saúde de Cuiabá (CMS) aprovou, durante reunião ordinária realizada no dia 4 de novembro de 2025, um conjunto de resoluções voltadas ao fortalecimento da Rede SUS da capital, à reorganização de serviços estratégicos e ao direcionamento de recursos para ampliar a assistência oferecida à população. As deliberações foram homologadas pela secretária municipal de Saúde e presidente do CMS, Danielle Carmona, conforme prevê a legislação do Sistema Único de Saúde.

As decisões foram publicadas na Gazeta Municipal — Edição nº 1247, de terça-feira (18).

Por meio das Resoluções nº 85/2025 e nº 86/2025, o plenário aprovou os Relatórios de Produção de Serviços da Rede Assistencial referentes ao 1º e 2º quadrimestres de 2025. Os documentos consolidam dados das unidades próprias, contratadas e conveniadas, e são fundamentais para monitorar o desempenho da rede, avaliar a efetividade das ações e assegurar transparência na gestão pública.

A Resolução nº 87/2025 aprovou a Proposta de Plano de Trabalho para Reorganização do Planejamento Familiar na Rede Municipal. O parecer, elaborado pela Comissão de Modelo Assistencial, analisou a documentação técnica enviada pela Secretaria Municipal de Saúde e apontou necessidades estruturais para qualificar o atendimento, como:

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• Salas sigilosas para acolhimento e entrevistas;
• Arquivo físico e digital organizado;
• Logística definida para regulação e transporte de processos;
• Acesso dos profissionais aos sistemas informatizados, como o SISREG;
• Equipamentos básicos adequados, como computadores, impressoras e linha telefônica.

O parecer destacou ainda a importância de medidas que evitem sobrecarga das equipes e garantam a absorção da demanda, incluindo atendimentos provenientes de municípios vizinhos. A recomendação final foi favorável, com indicação de ampla divulgação do novo fluxo à população e às unidades de saúde.

Também foi aprovada, por meio da Resolução nº 88/2025, a reestruturação dos atendimentos do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS I) do CPA IV. O processo foi analisado com base no Parecer nº 11/2025 da Comissão de Modelo Assistencial.

A reforma integra o Plano de Gestão 2022-2025 e pretende melhorar as condições de trabalho, qualificar a ambiência e adequar a estrutura física conforme as diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental.

A Resolução nº 89/2025 homologou a Resolução “Ad Referendum” nº 30/2025, que trata da emenda parlamentar da bancada federal de Mato Grosso no valor de R$ 3.910.000,00. Os recursos serão destinados ao incremento temporário do custeio dos serviços hospitalares e ambulatoriais no âmbito do Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE), com ênfase em procedimentos de cardiologia.

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O investimento permitirá ampliar a capacidade de atendimento, reduzir filas e assegurar o cumprimento das metas pactuadas para a rede especializada.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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AGRONEGÓCIO

Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro

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A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.

Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.

Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.

A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.

No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.

O movimento continua em 2026.

Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.

Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.

Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.

O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.

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Essa vantagem aparece com clareza na soja.

Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.

A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.

Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.

No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.

A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.

O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.

A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.

O efeito ultrapassou a soja.

O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.

Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.

Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.

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A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.

O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.

Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.

Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.

Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.

Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.

Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.

Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.

A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.

Fonte: Pensar Agro

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