Saúde

Evento on-line aborda saúde, vulnerabilidades e atenção na prevenção de lesões autoprovocadas

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O Ministério da Saúde realiza, periodicamente, uma série de ações voltadas à melhoria da saúde mental da população, bem como de conscientização e qualificação a respeito do tema. Nesse sentido, são promovidos eventos e produzidos materiais para distribuição nacional, como o folheto informativo com orientações para apoiar pessoas em sofrimento e a versão traduzida do guia da Organização Mundial de Saúde (OMS), “Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da mídia” – com orientações éticas para evitar o sensacionalismo em torno da temática – ambos lançados em setembro deste ano.

A OMS estabelece a saúde mental como um estado de bem-estar vivido pelo indivíduo, que possibilita o desenvolvimento de suas habilidades pessoais para responder aos desafios da vida e contribuir com a comunidade. O bem-estar de uma pessoa não depende apenas do aspecto psicológico e emocional, mas também de condições fundamentais, como saúde física, apoio social e condições de vida. Além dos aspectos individuais, a saúde mental é também determinada pelos aspectos sociais, ambientais e econômicos, conforme detalha o glossário “Saúde de A a Z”, disponível no site do MS.

Para divulgar as ações institucionais de 2025 voltadas à prevenção e promoção da vida, além de qualificar o atendimento em situações de risco, com ênfase na prevenção de lesões autoprovocadas, a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS) realizou, na terça-feira (11), o webinário “Valorizando a Vida: Saúde, Vulnerabilidades e Atenção”. O evento, transmitido ao vivo para todo o Brasil, é uma iniciativa do Grupo de Trabalho de Prevenção da Automutilação e Suicídio (GT-PAS/MS) e contou com a participação de 500 internautas simultâneos.

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O conteúdo foi preparado com foco na qualificação de profissionais de saúde, gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), pesquisadores, estudantes e representantes de entidades parceiras, como a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Desde 2019, a violência autoprovocada é de notificação obrigatória, para fortalecer a coleta de dados e possibilitar que sejam feitas intervenções de saúde mais precisas, conforme instituído pela Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio.

Em sua fala de abertura do evento, a diretora de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis, Letícia de Oliveira Cardoso, agradeceu aos parceiros presentes. “É com muita satisfação que realizamos esse terceiro webinário com foco na valorização da vida. Trazemos a questão da saúde e da prevenção à violência autoprovocada para o centro do debate da saúde pública, bem como o papel do profissional de saúde seja na vigilância, na atenção primária e ou na atenção especializada, reforçando a atuação do setor saúde e reconhecendo as vulnerabilidades a serem trabalhadas”, declarou. Mais à frente, em sua palestra, a coordenadora falou sobre o panorama epidemiológico das lesões autoprovocadas no Brasil.

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Entre as autoridades do Ministério da Saúde, participaram o representante do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Desmad/SAES/MS), Bruno Ferrari Emerich. Ele enfatizou que trata-se de um assunto relevante, que impacta não apenas as pessoas em sofrimento psicológico, mas todas as pessoas ao redor delas. “Nos importa apontar que temos trabalhado na dimensão do fortalecimento da rede de atenção psicossocial considerando as atribuições das suas diferentes áreas. A ampliação e a habilitação de serviços têm sido foco de investimento, entendendo que são espaços estratégicos para a oferta de ações. Juntamente com isso, também temos investido na articulação dos pontos de atenção para que o usuário, as famílias e a comunidade possam ser integralmente acompanhados quando necessário”, explicou.

Entre os palestrantes, se apresentaram o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Paulo Navasconi, que abordou as desigualdades sociais e territoriais em torno do tema; o servidor público federal e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Fernando Pessoa, que explanou sobre os desafios para a prevenção das lesões autoprovocadas em homens; e a coordenadora-geral substituta de Vigilância em Saúde do Trabalhador, Anne Caroline Grudtner, com a palestra “Saúde do trabalhador e risco de lesões autoprovocadas: fatores ocupacionais e estratégias de cuidado”.

Suellen Siqueira
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral

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Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).

A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.

“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.

 A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.

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 As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.

Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.

 “Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.

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 Próximos passos

Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.

Comunidades quilombolas

Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.

 Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.

Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.

Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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