Ministério Público MT

MPMT e Procon de Várzea Grande abordam defesa do consumidor

Publicado em

O projeto “Diálogos com a Sociedade” trouxe, na entrevista das 18h desta segunda-feira (10), o tema Direitos do Consumidor. A conversa ocorreu no estúdio de vidro localizado no Várzea Grande Shopping e contou com a participação do promotor de Justiça Carlos Henrique Richter, da Promotoria de Cidadania e Defesa do Consumidor de Várzea Grande, e da coordenadora do Procon Municipal e procuradora do Município, Carolina Moreira.Durante o programa, os convidados abordaram as principais reclamações registradas pelos consumidores e explicaram como Ministério Público e Procon atuam de forma integrada na defesa dos direitos individuais e coletivos. Também discutiram a crescente vulnerabilidade diante de golpes e fraudes digitais, destacaram a importância de campanhas de conscientização e educação financeira para prevenir o superendividamento e alertaram sobre os cuidados necessários ao realizar compras online, especialmente em sites internacionais.Carlos Henrique Richter iniciou explicando que a atuação do Ministério Público na defesa do consumidor ocorre na esfera coletiva. “Os direitos difusos e coletivos, que abrangem um grande número de consumidores afetados, são de competência do Ministério Público, conforme previsto na Constituição. Assim, o MP atua como uma das instituições que integram o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, ao lado dos Procons, Defensorias Públicas, delegacias especializadas e outros órgãos”, informou. Os entrevistados comentaram sobre as principais reclamações recebidas pelos órgãos. De acordo com Carolina Moreira, os temas mais recorrentes no Procon de Várzea Grande envolvem energia elétrica, abastecimento de água, telefonia e empréstimos consignados. Já na Promotoria, as manifestações mais frequentes dizem respeito a serviços de água, transporte coletivo, postos de combustíveis e também empréstimos consignados.A coordenadora do Procon revelou que, após o recebimento da reclamação individual, o processo começa com a abertura da reclamação administrativa, seguida da notificação e, se necessário, da realização de audiência. Acrescentou que, quando aplicável, pode ser imposta uma sanção administrativa, que inclui multa. Carolina destacou que, em situações como a de um supermercado ou posto de combustível, a fiscalização é encaminhada no mesmo dia, com uma equipe indo ao local para verificar a situação.Para o promotor de Justiça, essa ação rápida é fundamental, pois se trata de situações muito voláteis, em que a fiscalização precisa ser imediata para apurar com precisão a denúncia apresentada pelo consumidor. Ele ressaltou que, se a verificação fosse deixada para uma semana ou um mês depois, certamente se tornaria inviável.A respeito da solução das demandas, Carlos Henrique Richter ponderou que depende do caso. Segundo ele, a questão da água, por exemplo, é um problema histórico e estrutural que se arrasta há décadas, não se tratando de algo que possa ser resolvido apenas por uma decisão do Ministério Público ou do Judiciário. “Nosso trabalho é acompanhar e garantir que a política pública do município avance gradualmente. Sabemos que a solução não é imediata, mas é preciso caminhar para a evolução. Essa é a nossa atuação diante de problemas mais complexos”, apontou.Por outro lado, em situações pontuais, quando identificado o problema é aberto um procedimento de acompanhamento e investigação. “Solicitamos apoio do Procon ou de outros órgãos de fiscalização e, a partir daí, decidimos se será firmado um Termo de Ajustamento de Conduta com a empresa ou ente envolvido, ou até mesmo ajuizadas ações, quando necessário”, acrescentou. Já atuação do Procon ocorre em duas frentes. “A primeira possibilidade é resolver o problema por meio de um acordo dentro do Procon, o que ocorre em cerca de 60% dos casos. Também existem situações em que é necessário iniciar a produção de provas, já que muitos consumidores chegam sem nota fiscal, contrato ou qualquer documento. A partir do Procon, é possível emitir notificações e obter as documentações necessárias para uma futura ação judicial. Dessa forma, o Procon consegue ajudar a pessoa que busca atendimento, seja solucionando o problema diretamente ou iniciando o trabalho para um eventual ajuizamento de ação”, descreveu Carolina. A coordenadora do Procon aproveitou para enfatizar a parceria com o Ministério Público de Mato Grosso. “O Ministério Público é um aliado. Sempre que há aumento na demanda, o Procon oficia o MPMT e, a partir daí, ambos trabalham juntos. Muitas vezes, o próprio Ministério Público solicita fiscalizações ou atuações conjuntas, e essa parceria é constante. Na prática, funcionamos como um sistema integrado, que precisa caminhar unido para conseguir solucionar o máximo de casos possível”, enfatizou. Golpes digitais – Outro ponto abordado na entrevista foi a relação entre informação e vulnerabilidade do consumidor. O promotor de Justiça destacou que, embora o acesso à informação esteja mais fácil e os consumidores estejam mais atentos aos seus direitos, o ambiente digital também aumentou a exposição a golpes e fraudes. A coordenadora do Procon concordou e ressaltou a necessidade de maior vigilância, já que muitas pessoas são induzidas ao erro por propagandas enganosas e mensagens disseminadas pelas redes sociais e aplicativos.Os entrevistados também salientaram ações para conscientizar os consumidores e prevenir golpes. Carolina Moreira explicou que o órgão realiza campanhas presenciais e digitais, além do projeto “Procon vai à escola”, que busca formar consumidores mais conscientes. Já Carlos Henrique Richter alertou para a diversidade de fraudes digitais e a necessidade de cautela. “Hoje são centenas de formas de golpes. O consumidor tem que desconfiar de qualquer contato, porque até uma simples foto pode ser usada para reconhecimento facial e dar margem a crimes”, considerou.Para Carlos Henrique Richter, enfrentar golpes digitais é um dos maiores desafios atuais, pois envolve organizações criminosas altamente lucrativas e muitas vezes coordenadas de dentro das unidades prisionais. “É um trabalho que exige união entre polícia, Ministério Público e outras instituições, porque se tornou um dos grandes problemas do Brasil”, afirmou. A coordenadora do Procon acrescentou que o público mais vulnerável são os idosos. “Pela carência e confiança, acabam permitindo acesso e, quando descobrem o golpe, o dinheiro já foi e é muito difícil recuperar”, consignou.Educação Financeira – Os entrevistados ainda apontaram o superendividamento como um dos problemas mais graves enfrentados pelos consumidores brasileiros. Carlos Henrique Richter explicou que a nova legislação permite que pessoas físicas negociem suas dívidas de forma coletiva, semelhante à recuperação judicial das empresas. “Com o auxílio dos órgãos de defesa do consumidor, é possível apresentar um plano de pagamento às empresas e, caso não haja acordo, levar à homologação judicial”, afirmou, destacando a importância dessa ferramenta para quem comprometeu grande parte da renda com dívidas.Carolina Moreira ressaltou que campanhas educativas têm ajudado a conscientizar os consumidores, mas alertou para a vulnerabilidade causada por empréstimos consignados. “Muitas vezes, o aposentado chega ao Procon pedindo ajuda para conseguir se alimentar, porque o benefício já está comprometido com dívidas”, disse.
Assista à entrevista na íntegra aqui.
Dose dupla – Nesta edição do projeto Diálogos com a Sociedade, as entrevistas serão realizadas em dois horários diários, diretamente do Várzea Grande Shopping: às 14h, com transmissão ao vivo pela Rádio CBN Cuiabá, e às 18h, com transmissão ao vivo pelo SBT Cuiabá (canal 5.1) e exibição simultânea pela plataforma MT Play. Os programas também estão disponíveis no canal oficial do MPMT no YouTube e na página institucional no Instagram. Parceria – O Diálogos com a Sociedade conta com o apoio de parceiros institucionais como Águas Cuiabá, Amaggi, Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Bom Futuro, CBN Cuiabá, Energisa, Instituto da Madeira do Estado de Mato Grosso (Imad), Instituto Mato-grossense de Carne (Imac), Kopenhagen, Nova Rota do Oeste, Oncomed-MT, SBT Cuiabá, Sicredi e Várzea Grande Shopping.

Leia Também:  Ministério Público requer municipalização do trânsito em Juína

Fonte: Ministério Público MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Ministério Público MT

MP e Judiciário lançam Programa Semear para ressocialização em MT

Published

on

A integração entre o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e o Poder Judiciário Estadual (PJMT) foi um dos destaques no encerramento do Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”, realizado nesta sexta-feira (29). A atuação articulada entre as instituições, responsável por avanços significativos, foi apontada como um diferencial e resultou no lançamento oficial do Programa Semear (Sistema Estadual de Métodos para Execução Penal e Adaptação Social do Recuperando) em Mato Grosso, durante o evento.A iniciativa tem como objetivo promover maior efetividade na recuperação de pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. A proposta busca fortalecer a assistência às pessoas privadas de liberdade. Além disso, o programa prevê ações voltadas à valorização dos servidores do sistema prisional, reconhecendo o papel essencial que desempenham como agentes de transformação no processo de ressocialização.Implantado no Estado de São Paulo há quase 11 anos, o Programa Semear já apresenta resultados expressivos, com a execução de 1.393 projetos em 159 unidades prisionais, beneficiando 52.862 pessoas. De acordo com dados da 6ª aferição de reincidência criminal, 82% dos participantes que conquistaram a liberdade não retornaram ao sistema penitenciárioEm Mato Grosso, o Semear é resultado do Termo de Cooperação Técnica (TCT) nº 32/2024, firmado em 17 de dezembro de 2024, reunindo esforços do MPMT, do TJMT, da Defensoria Pública (DPMT), do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), e do Instituto Ação pela Paz.“Embora tenhamos debatido temas complexos e desafiadores ao longo destes dois dias de evento, encerramos este encontro com uma mensagem de esperança. Tivemos a oportunidade de conhecer resultados concretos de programas e ações desenvolvidos no Estado de São Paulo, iniciativas que vêm promovendo mais luz, pacificação e compreensão, além de ampliar as possibilidades de reintegração social de pessoas em processo de recuperação”, avaliou a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente, coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal do MPMT.Para ela, o Programa Semear Mato Grosso nasce com esse propósito e está plenamente preparado para levar essa mesma perspectiva ao sistema penitenciário do nosso estado, fortalecendo caminhos mais humanos e eficazes de ressocialização. Importância da ressocialização – Para apresentar o Programa Semear, foram convidados o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Luiz Antonio Cardoso, a diretora executiva do Instituto Ação Pela Paz, Solange Senese, e o agente de segurança penitenciária e coordenador dos presídios da região noroeste paulista, Jean Ulisses Campos Carlucci.Ao abordar o tema, Solange Senese destacou a necessidade de repensar o modelo atual de enfrentamento da criminalidade. “Se o problema é sistêmico e não podemos deixar de prender as pessoas que cometem crimes, porque viraria uma bagunça, e também não conseguimos construir presídios na velocidade necessária, então, que tal pensarmos em recuperar as pessoas?”, questionou a diretora executiva do Instituto Ação Pela Paz.A diretora chamou atenção para os índices de reincidência no país. “Se os índices do país indicam que 42% das pessoas que saem do sistema prisional não voltam, ainda existe um volume muito grande que retorna ao sistema, retroalimentando essa necessidade de construir presídios. Então, vamos, neste momento, falar um pouco sobre isso, sobre uma experiência que está sendo realizada no estado de São Paulo”, acrescentou.Durante a apresentação, a palestrante explicou o funcionamento do Programa Semear e destacou o impacto positivo de atividades como música, esporte e xadrez na redução da reincidência criminal. Também apresentou dados que demonstram que o investimento na recuperação de pessoas privadas de liberdade pode gerar economia aos cofres públicos, ao reduzir a demanda por novas unidades prisionais.Solange Senese ainda enfatizou a necessidade de atuação integrada entre instituições. “Quando vejo o Tribunal de Justiça e o Ministério Público trabalhando juntos, percebo um avanço importante. O que funciona é a união de esforços. Se o crime se organiza, por que o Estado e a sociedade civil também não podem se organizar de forma eficiente?”, afirmou.Segundo a especialista, o modelo propõe a integração efetiva entre órgãos do sistema de justiça e parceiros institucionais, aliada à adoção de metodologias baseadas em evidências para identificar quais ações geram melhores resultados. “Prender é dever do Estado, mas a recuperação depende de toda a sociedade”, pontuou.Outro eixo central do programa é o monitoramento contínuo dos resultados, com base em dados que permitam medir o impacto das ações na redução da reincidência e orientar a replicação de práticas eficazes. A iniciativa também valoriza a participação organizada da sociedade civil, de forma complementar ao poder público, e destaca o protagonismo dos policiais penais e dos próprios reeducandos no processo de transformação.Evolução da pena – O desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Luiz Antonio Cardoso, propôs uma reflexão sobre a transformação do conceito de pena ao longo da história, destacando a passagem de um modelo centrado no castigo para outro voltado à recuperação. Em sua análise, ele ressaltou que a atuação isolada do Judiciário e do Ministério Público é insuficiente para promover a efetiva ressocialização, tornando indispensável o envolvimento da sociedade civil nesse processo. “A pessoa é recuperável e se é recuperável, é aí que nós vamos entrar”, afirmou.Ao contextualizar historicamente o sistema punitivo, o magistrado mostrou como a prisão deixou de ser apenas um espaço de custódia que antecedia punições mais severas para assumir a função de reintegrar o indivíduo à sociedade. Nesse cenário, destacou o Programa Semear como uma experiência bem-sucedida em São Paulo, baseada na colaboração entre o poder público e a comunidade, com foco na redução da reincidência criminal e na humanização da execução penal. Para ele, a participação social não é apenas desejável, mas uma exigência para que a justiça alcance resultados concretos.“Nós, juízes, nós, Ministério Público, não damos conta da execução da pena. Damos conta das execuções em termos de progressão, regressão, remissão e de todos os temas relacionados à execução. Mas a execução da pena não é apenas isso. Se nós não alcançarmos a ressocialização, a recuperação da pessoa, de que adianta o trabalho da polícia e da Justiça? É um trabalho perdido”, afirmou.O desembargador concluiu com um alerta sobre as consequências de um sistema que não consegue transformar trajetórias. “É um trabalho perdido para todos nós quando devolvemos à sociedade uma pessoa marcada pela prática do crime e que não sofreu mudança nenhuma. É aí que nós precisamos, e muito, da atuação da sociedade civil”, defendeu.Reintegração na prática – O agente de segurança penitenciária e coordenador dos presídios da região noroeste do Estado de São Paulo, Jean Ulisses Campos Carlucci, destacou, durante palestra, a importância da atuação integrada entre instituições para a redução da reincidência criminal. Representando a Secretaria de Administração Penitenciária, ele ressaltou a consolidação da parceria com o Programa Semear ao longo de mais de uma década, envolvendo poder público, Judiciário e sociedade civil. “O fundamento maior é a busca pela diminuição da incidência criminal”, afirmou. Jean Carlucci também apresentou um panorama do sistema prisional paulista, que conta com cerca de 180 unidades e aproximadamente 228 mil pessoas custodiadas, além da recente estruturação da Polícia Penal, responsável pela gestão desses estabelecimentos.Ao abordar a reintegração social, o coordenador enfatizou que ela não é uma ação complementar, mas uma obrigação institucional. “Não estamos fazendo nada além do que a nossa obrigação legal enquanto gestores do sistema prisional”, pontuou. Ele relatou experiências bem-sucedidas iniciadas em Limeira, como projetos de esporte, capacitação profissional e atividades psicossociais, que contribuíram para mudanças de comportamento e redução de faltas disciplinares. Segundo Jean Carlucci, os resultados evidenciam a importância de iniciativas estruturadas e do engajamento das equipes locais, que devem identificar lideranças internas para conduzir os projetos e adaptar as ações à realidade de cada unidade.“Hoje, vocês têm o catálogo de possibilidades. Os cursos são adaptáveis, são para qualquer unidade, com estrutura grande ou pequena. E o diferencial são os senhores, são os gestores de cada unidade. Se vocês não capitanearem esse trabalho, não apontarem a pessoa certa como ponto focal, não vai ser executado. Então, vocês têm aí um terreno fértil, em conjunto com o Ministério Público e com o Poder Judiciário, para avançar nesse trabalho que busca a diminuição da incidência criminal em Mato Grosso”, finalizou.Projeto Lótus – Se a união e o trabalho conjunto são apontados como o verdadeiro segredo para o sucesso das iniciativas, a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente aproveitou o evento para apresentar o Projeto Lótus, desenvolvido em parceria com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e voltado aos profissionais do sistema penitenciário.Como parte de uma dinâmica de sensibilização, os participantes do encontro técnico receberam, no início da manhã, um presente embalado e foram convidados a abri-lo apenas no fim do evento. Dentro da sacola, havia uma luminária do Projeto Lótus, que será oficialmente lançado no dia 28 de agosto, em Cuiabá.“Essa luz, na verdade, simboliza a nossa luz interior. Cada ser humano tem a sua luz, nós temos luz, nós somos luz. E essa luz precisa brilhar. Ela deve fazer a diferença onde quer que estejamos. E por que não fazer essa diferença também no sistema penitenciário? Vamos, sim, ser agentes de transformação”, afirmou a procuradora de Justiça, ao encerrar a apresentação.“E, se este projeto for um sucesso, como será devidamente aferido, levaremos essa tecnologia social que vocês estão construindo, e que nasce a partir de vocês, para todo o país”, acrescentou Solange Senese.

Leia Também:  Processados trocam doação de cestas básicas por doação de sangue

Fonte: Ministério Público MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA