AGRONEGÓCIO
Judicialização das dívidas rurais: desafios e estratégias para a recuperação de crédito no agronegócio brasileiro
Publicado em
20 de outubro de 2025por
Da Redação
Crédito rural: base financeira e estratégica do agronegócio
O agronegócio brasileiro é um dos pilares da economia nacional, contribuindo significativamente para a geração de empregos, equilíbrio da balança comercial e abastecimento alimentar interno. Nesse contexto, o crédito rural desempenha papel central, permitindo que produtores acessem insumos, tecnologia e infraestrutura essenciais para a produção e comercialização de grãos, carnes e outros produtos agropecuários.
Além de seu impacto econômico, o crédito rural cumpre função social, ao promover a inclusão produtiva de pequenos e médios produtores e fortalecer a economia regional. Instrumentos como a Cédula de Produto Rural (CPR), a Cédula de Crédito Rural (CCR), o penhor agrícola e a alienação fiduciária de bens móveis conferem segurança jurídica às operações, garantindo previsibilidade às relações contratuais.
Inadimplência e impactos no setor financeiro
Nos últimos anos, o aumento da inadimplência rural tem exigido atenção especial de bancos, cooperativas e empresas do setor. Fatores como eventos climáticos extremos, volatilidade cambial, aumento dos custos de insumos, energia e maquinário, aliados à redução das margens de lucro, elevaram significativamente o risco de não pagamento por parte dos produtores.
Para os credores institucionais, isso se traduz em necessidade de reforço de provisões contábeis, revisão de políticas de crédito e monitoramento intensivo de carteiras. Já empresas que atuam com antecipação de insumos ou operações de barter enfrentam perdas consideráveis diante da quebra de safra, inadimplemento estratégico e desvalorização dos ativos oferecidos em garantia.
Judicialização das dívidas: obstáculos e complexidade
Com a redução da eficácia de soluções extrajudiciais, cresce a judicialização das dívidas rurais. A cobrança judicial de créditos garantidos por CPRs, CCRs e outros instrumentos tornou-se comum, especialmente em regiões com alta inadimplência.
Os credores enfrentam desafios específicos, incluindo:
- Dificuldade de localização de bens penhoráveis
- Informalidade na constituição de ativos rurais
- Disputas sobre cláusulas contratuais e validade das garantias
- Ações revisionais baseadas em onerosidade excessiva, caso fortuito ou força maior
Além disso, a heterogeneidade do setor rural — que inclui desde pequenos agricultores familiares até grandes produtores — exige estratégias jurídicas diferenciadas e compreensão detalhada do regime aplicável a cada caso.
Impenhorabilidade e proteção da pequena propriedade rural
Um dos principais obstáculos à recuperação de crédito é a presunção de impenhorabilidade de determinados bens, prevista no art. 5º, inciso XXVI da Constituição Federal, que protege a pequena propriedade rural quando explorada pela família.
No entanto, decisões recentes, como o julgamento do Tema Repetitivo 1.234 pelo STJ, estabeleceram que essa proteção não é absoluta. Para ter validade, é necessário comprovar que o imóvel é efetivamente explorado pela família, com mão de obra própria e voltado à subsistência. A ausência dessa comprovação permite ao credor pleitear a penhora, afastando a proteção constitucional.
Em casos de fraude, simulação ou blindagem patrimonial dolosa, a responsabilização patrimonial da família pode ser acionada, garantindo meios legais para reverter inadimplementos estratégicos.
Estratégias jurídicas para recuperação de crédito rural
Diante do cenário de inadimplência crescente e judicialização, a recuperação de crédito no agronegócio exige:
- Domínio técnico dos instrumentos contratuais e garantias
- Leitura estratégica das peculiaridades do setor rural
- Avaliação criteriosa do regime de economia familiar
- Planejamento de ações de execução e defesa patrimonial
Embora complexos, esses desafios não são intransponíveis. A aplicação de estratégias jurídicas especializadas permite viabilizar a recuperação de crédito, garantir segurança jurídica aos credores e manter a funcionalidade do sistema de crédito rural no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mercado do cavalo Crioulo cresce com novas modalidades e maior participação de proprietários
Published
13 minutos agoon
27 de maio de 2026By
Da Redação
O mercado do cavalo Crioulo segue em trajetória de crescimento no Brasil e em outros países da América Latina, impulsionado principalmente pela ampliação das modalidades esportivas e pela maior participação de proprietários nas competições da raça.
A avaliação é do leiloeiro Marcelo Silva, diretor da Trajano Silva Remates, que observa uma expansão consistente do setor, ainda que em ritmo mais moderado nos próximos anos devido ao cenário econômico e político.
Novas modalidades ampliam participação no cavalo Crioulo
Segundo Silva, provas como Freio do Proprietário, Freio Jovem e outras modalidades voltadas a diferentes perfis de competidores têm desempenhado papel importante na expansão do mercado.
Na avaliação do leiloeiro, a diversificação das disputas permitiu maior aproximação de criadores, investidores e apaixonados pela raça, ampliando a base de participantes e fortalecendo toda a cadeia econômica ligada ao cavalo Crioulo.
“As provas mais voltadas aos proprietários fizeram com que a raça tivesse uma pulverização muito importante. Isso aproxima mais pessoas, aumenta o envolvimento com os animais e amplia o mercado em torno da raça”, afirma Marcelo Silva.
Internacionalização amplia oportunidades de negócios
O crescimento também é percebido fora do Brasil. Durante a realização da FICCC, em Montevidéu, Silva observou maior presença de participantes de países como Chile, Paraguai, Argentina, México e Brasil, além dos tradicionais criadores uruguaios.
Segundo ele, o mercado do cavalo Crioulo deixou de estar concentrado apenas nos três principais polos históricos da raça — Brasil, Argentina e Uruguai — e passou a despertar interesse em novos mercados internacionais.
“Hoje já vemos negócios com o Paraguai e interesse de outros países. A raça não está mais limitada apenas a Uruguai, Argentina e Brasil. Esse é um sinal claro de que o mercado ganhou outra dimensão”, destaca.
Cenário econômico pode desacelerar ritmo de crescimento
Apesar do cenário positivo, Marcelo Silva avalia que fatores econômicos e políticos podem reduzir temporariamente a velocidade dos negócios até meados de 2027.
Entre os pontos de atenção estão o ambiente macroeconômico, o calendário eleitoral e a proximidade de grandes eventos esportivos internacionais, fatores que podem influenciar decisões de compra e investimentos no curto prazo.
“A raça continua e continuará crescendo. Talvez em um ritmo um pouco mais lento, principalmente até meados de 2027, por causa do ambiente econômico, das eleições e de outros fatores que acabam interferindo nas decisões de compra”, explica.
Calendário de eventos fortalece mercado e liquidez
Outro fator apontado como decisivo para o fortalecimento do setor é a ampliação do calendário de eventos ligados ao cavalo Crioulo.
Segundo Silva, o mercado passou por forte descentralização nos últimos anos. Antes, os principais negócios estavam concentrados em cidades tradicionais como Bagé, Uruguaiana, Jaguarão, Pelotas e na Expointer.
Hoje, a multiplicação de provas, exposições e remates contribui para aumentar a circulação de animais, criadores e investidores em diferentes regiões, ampliando as oportunidades comerciais.
“A associação vem fazendo uma gestão muito positiva, e a multiplicação dos eventos ajudou a dar mais movimento ao mercado. Antes eram poucos pontos de concentração. Agora, a raça anda em um ritmo muito mais amplo”, ressalta.
Esporte e negócios sustentam expansão da raça
Nos próximos meses, a agenda de leilões e competições deve seguir aquecendo o mercado do cavalo Crioulo. Para o setor, a combinação entre esporte, internacionalização, calendário de eventos e liquidez em pista continuará sendo o principal motor de crescimento da raça nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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