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Mercado de laranja e suco no Brasil registra exportações lentas e preços voláteis; boas chuvas fortalecem perspectiva da safra 2026/27

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Exportações de suco de laranja desaceleram apesar da safra maior

O mercado de laranja no Brasil apresenta sinais de volatilidade em diferentes segmentos, segundo o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. As exportações de suco de laranja concentrado e não concentrado (FCOJ e NFC) seguem em ritmo mais lento em comparação ao ano anterior, mesmo com a maior safra nacional.

Em Nova Iorque, os preços do suco concentrado e congelado (FCOJ) recuaram 16% nos últimos 30 dias, fechando em USDc 203,60 por libra em 10 de outubro. No Brasil, os preços da laranja posta à indústria avançaram 2,7%, alcançando R$ 50,11 por caixa de 40,8 kg, segundo o Cepea.

O atraso nas exportações está ligado à colheita mais tardia, explicada pelo clima mais frio do que o habitual e pela concentração de frutos da segunda florada. Além disso, a exigência de qualidade faz com que os frutos sejam colhidos próximos da maturação ideal.

Nos primeiros três meses da safra, iniciada em julho, foram exportadas 199,7 mil toneladas de suco em FCOJ equivalente, uma queda de 3,7%. Do total da receita de exportação, 42% correspondem ao suco NFC (não concentrado).

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O principal comprador do suco brasileiro são os Estados Unidos, que mesmo com a tarifa adicional de 10%, ampliaram a demanda em 39% em relação ao mesmo período da safra 2024/25. Já a União Europeia absorveu 49% dos envios, uma queda de 19% na comparação anual.

Perspectiva positiva para a safra 2026/27 com boas chuvas no cinturão citrícola

O cenário climático também influencia o futuro do setor. O mapa de previsão de chuvas do modelo Europeu indica acumulados entre 75 e 150 mm ao longo do mês no cinturão citrícola brasileiro — abrangendo São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná — com expectativa de bom volume de precipitação também para o último trimestre do ano.

Se as previsões se confirmarem, o período será crucial para a florada e o pegamento dos frutos, favorecendo o potencial produtivo da safra 2026/27. Em 2023, o mesmo período registrou ondas de calor extremo, resultando em quebra de produção na safra seguinte.

Demanda americana segue elevada apesar de desafios estruturais

Nos Estados Unidos, o shutdown do governo atrasou a divulgação da primeira estimativa da safra 2025/26, prevista originalmente para 9 de outubro. Na última previsão, a produção americana para 2024/25 totalizou 62 milhões de caixas, concentradas na Califórnia, majoritariamente destinadas ao mercado de mesa. Na Flórida, voltada ao suco, a produção estimada era de 12,15 milhões de caixas, uma queda de 33% em relação ao ano anterior.

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Apesar da ausência de nova estimativa, não se espera aumento significativo na produção da Flórida, devido a desafios como a doença greening. Com isso, a importação de suco brasileiro pelos EUA deve permanecer elevada nos próximos meses, especialmente com o avanço do processamento da safra nacional, aumentando a disponibilidade de produto exportável.

Conclusão: mercado interno e externo ajustam-se à nova safra

O mercado de laranja e suco brasileiro enfrenta atualmente preços voláteis e exportações lentas, mas a safra maior, aliada a chuvas favoráveis no cinturão citrícola, sinaliza potencial de aumento de produção para 2026/27. A demanda internacional, em especial dos Estados Unidos, deve continuar sustentando as exportações, mesmo diante de tarifas e desafios estruturais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil deve produzir 600 mil toneladas de canola nesta safra

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A canola começa a sair das lavouras brasileiras com uma produção estimada em 601,3 mil toneladas na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa crescimento de 74,4% sobre as 344,8 mil toneladas colhidas na temporada anterior e confirma o avanço de uma cultura que fornece óleo para alimentação, farelo para os animais e matéria-prima para biocombustíveis.

A colheita ainda está no início. No Rio Grande do Sul, responsável pela maior parte da produção nacional, aproximadamente 1% das lavouras havia sido colhido até a segunda quinzena de setembro. Cerca de 88% das áreas estavam entre a floração e o enchimento de grãos e outros 9% já se encontravam em maturação, conforme o acompanhamento da assistência técnica estadual.

Isso significa que a safra de canola que aparece nas estatísticas como 2025/26 ainda está no campo. A cultura foi semeada principalmente entre abril e junho de 2026 e deverá ter a colheita concentrada durante a primavera. O plantio da temporada 2026/27, portanto, não começou: ocorrerá somente no primeiro semestre de 2027.

A área cultivada na safra em fase de colheita alcançou 371,1 mil hectares, expansão de 75,1% diante dos 211,9 mil hectares do ciclo anterior. A produtividade média foi estimada pela Conab em 1.620 quilos por hectare, praticamente estável em relação aos 1.627 quilos obtidos em 2024/25.

Os números mostram que o crescimento da produção foi sustentado principalmente pela incorporação de novas áreas. Embora a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) estime 405 mil hectares e um potencial de 607,2 mil toneladas, a referência oficial da Conab permanece em 371,1 mil hectares e 601,3 mil toneladas. A diferença decorre das fontes e metodologias utilizadas nos levantamentos.

O Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 353,4 mil hectares, o equivalente a cerca de 95% da área nacional estimada pela Conab. O cultivo também aparece no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em outras regiões onde pesquisas procuram adaptar a oleaginosa ao sistema de segunda safra.

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Nas lavouras gaúchas, o desenvolvimento é considerado satisfatório na maior parte das áreas. Os primeiros trabalhos ocorrem em cultivos implantados mais cedo, sobretudo no Noroeste. A evolução da colheita dependerá do amadurecimento dos grãos e de intervalos de tempo seco, necessários para reduzir perdas e preservar a qualidade.

A canola pertence à mesma espécie agrícola da colza, mas foi selecionada para apresentar baixos teores de ácido erúcico no óleo e de glucosinolatos no farelo. Os grãos contêm aproximadamente 38% de óleo, conforme referências técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A maior parte da produção é destinada à fabricação de óleo comestível. Depois da extração, o farelo rico em proteína pode ser utilizado na alimentação animal, principalmente de bovinos, suínos e aves, respeitadas as formulações nutricionais de cada criação.

O óleo também pode ser empregado na fabricação de biodiesel. Outra possibilidade em estudo é seu aproveitamento na produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. Esse mercado, entretanto, ainda não está consolidado comercialmente em grande escala no Brasil.

No campo, a canola oferece uma alternativa de renda durante o inverno e amplia a rotação com soja, milho e cereais. Como pertence a uma família botânica diferente, pode ajudar a interromper ciclos de determinadas doenças e plantas daninhas, além de manter o solo coberto e distribuir melhor o uso de máquinas e mão de obra ao longo do ano.

A decisão de plantar exige, porém, comprador previamente definido. A cadeia nacional ainda possui menos pontos de recebimento e esmagamento que a soja, e a distância até a indústria pode reduzir a rentabilidade. A implantação também requer atenção ao tamanho reduzido das sementes, à profundidade de semeadura, ao controle de pragas e ao momento da colheita, porque a abertura das síliquas pode provocar perda de grãos.

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Apesar do crescimento recente, o Brasil ainda ocupa uma posição pequena no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projeta produção mundial de 99,97 milhões de toneladas de canola e colza em 2026/27. A safra brasileira equivale a aproximadamente 0,6% desse total.

O USDA não apresenta o Brasil individualmente entre os grandes produtores, incluindo o País no grupo das demais origens. O Canadá lidera a produção entre os países, com previsão de 22,5 milhões de toneladas. A União Europeia, considerada como bloco, deverá colher 20,15 milhões, seguida pela China, com 16,2 milhões, e pela Índia, com 12,4 milhões.

Sozinho, o Canadá produz quase 37 vezes o volume brasileiro. A comparação mostra que o País ainda está distante dos líderes, mas também revela o espaço disponível para crescer. Enquanto a canola ocupa pouco mais de 370 mil hectares no Brasil, as culturas de inverno dispõem de milhões de hectares que permanecem sem atividade comercial em parte do ano.

O ciclo atual será decisivo para saber se a rápida expansão conseguirá se sustentar. Além da produtividade e da qualidade dos grãos, o produtor acompanhará os preços, a capacidade de recebimento das indústrias e o cumprimento dos contratos. Uma colheita próxima de 600 mil toneladas colocará a canola em um novo patamar no País, mas a continuidade dependerá de mercado, assistência técnica e segurança para comercializar a produção.

Fonte: Pensar Agro

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