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Recupera MT: desafios e avanços na apreensão de criptomoedas são apresentados por autoridades

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Trazendo um tema novo e ainda pouco conhecido por muitos órgãos de execução penal, o sexto painel da Conferência Recupera MT, apresentado na manhã desta sexta-feira (03 de outubro), abordou a problemática da apreensão de criptomoedas, os avanços obtidos no enfrentamento a essa modalidade de crime e as ferramentas utilizadas pelas instituições públicas para esse fim.
O painel foi apresentado pelo juiz de direito Marcos Faleiros da Silva (TJMT), o promotor de Justiça Richard Gantus Encimas (MPSP) e pelo delegado de Polícia Guilherme Campomar Rocha, da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) da Polícia Civil de Mato Grosso.
Abrindo sua apresentação sobre o tema, o juiz Marcos Faleiros destacou que as organizações criminosas vêm praticando transações ilícitas via criptomoedas. “A criação de uma criptomoeda – conhecida como tokenização – e o investimento em criptoativos vem sendo uma das principais formas de lavagem de capitais atualmente utilizadas pelas organizações criminosas, em razão de facilitar transacionar valores sem uma precisa identificação da origem e destino”, explicou o magistrado.
Tendo como marco legal a Lei nº 14.478, a estrutura jurídica geral que rege a busca e apreensão de ativos aplica-se integralmente às criptomoedas, no entanto a tecnologia disruptiva por trás desses ativos impõe desafios operacionais e práticos novos, que devem ser acompanhados pelo Sistema de Justiça Criminal.
Sob a perspectiva técnica, os criptoativos não estão em poder de ninguém. Eles são lançados na Blockchain. As pessoas acreditam no sistema digital criptografado e, portanto, passam a existir por um consenso. Armazenar os criptoativos significa possuir a chave privada que permite movimentá-los.
Para Faleiros, quando se busca a apreensão de criptoativos, tanto a Polícia, quanto o Ministério Público e o Poder Judiciário têm que manter em seus quadros profissionais habilitados para acompanhar as operações. “Na mesma ordem judicial, já deve haver a autorização para acesso imediato aos equipamentos eletrônicos e ainda para a transferência dos ativos para um depositário ou carteira pública”, destacou.
O promotor de Justiça de São Paulo Richard Gantus Encimas (MPSP) destacou os esforços para criação do sistema CriptoJud, que ainda está em fase de testes, mas que permite o envio automatizado de ordens judiciais. Além disso, avançará para a custódia de criptoativos em contas judiciais e, em sua fase final, possibilitará a liquidação financeira em moeda nacional, sempre em integração com a Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJBr) e em observância aos mais altos padrões de segurança cibernética.
“Na esfera do Ministério Público, mesmo antes da criação do CriptoJud, houve um esforço regulatório para propiciar uma segurança mínima nas apreensões de cripto. Um grupo de trabalho, criado no âmbito do Conselho Nacional do Ministério Público, culminou com a publicação da Resolução n.º 288/2024, que disciplina a atuação do Ministério Público nos casos de apreensão, custódia e liquidação de ativos”, destacou.
O delegado de polícia Guilherme Rocha destacou que as fraudes por meio da utilização de criptomoedas são observadas em diversos estados do Brasil e em todo o mundo. Em Mato Grosso, somente em 2025 a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos registrou prejuízo de R$ 2,5 milhões para vítimas de fraudes e outros crimes envolvendo criptoativos.
O delegado destaca que no caso dos criptoativos é necessária uma forma de investigar diferente para se chegar até a autoria do crime e a apreensão dos valores, tanto para buscar minimizar o prejuízo da vítima, quanto também para descapitalizar as estruturas criminosas.
“Para avançar nas investigações é necessário compreender os conceitos básicos, que envolvem economia e informática, iniciando pelo o que a lei considera criptoativos, corretora de criptoativos e outros conceitos técnicos sobre carteiras físicas, carteiras conectadas à internet, carteiras digitais, além do conhecimento de alguns termos específicos como chaves públicas e chaves privadas. A apreensão por si só traz uma série de dificuldades, se nós compreendermos a natureza destas criptomoedas, a forma de investigação e de como elas foram criadas e estruturadas ”, disse o delegado.
Identificada a potencial utilização de criptoativos pelo investigado, devem ser adotadas providências para sua apreensão, que só se efetiva com a sua transferência para um endereço controlado pelo Estado (Poder Público). Não há apreensão enquanto não se transfere os ativos virtuais, ainda que tenham sido apreendidos e lacrados as wallets e arquivos ou documentos contendo chaves privadas ou frases de recuperação.
“O ideal é que na representação a Autoridade Policial já peça que conste expressamente na decisão judicial a autorização para transferência imediata dos ativos virtuais para endereço controlado pelo Estado. A transferência para um endereço controlado pelo Estado deve ser imediata, preferencialmente ainda durante o cumprimento da diligência”, explicou o delegado.
Assessoria/Policia Civil-MT

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Autor: Assessoria

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Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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STJ lança curso nacional sobre equidade racial na Justiça

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Começam no próximo dia 05/05 as inscrições para o “Curso Nacional sobre os Enunciados de Equidade Racial: Aplicação Prática”, uma iniciativa do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que busca ampliar, em todo o país, a formação sobre equidade racial no sistema de Justiça. Gratuito, online e autoinstrucional, o curso tem carga horária de 12 horas e oferece certificado de conclusão.
O objetivo é mostrar, de forma prática, como aplicar no dia a dia do Direito os chamados enunciados de equidade racial — orientações construídas por especialistas que ajudam a interpretar a lei, considerando as desigualdades raciais ainda presentes na sociedade brasileira. Os enunciados funcionam como referências para decisões mais justas, contribuindo para evitar discriminações e aprimorar a análise de casos concretos.
O curso apresenta os 49 enunciados elaborados pelo Conselho da Justiça Federal (CJF), organizados em módulos temáticos. O conteúdo foi desenvolvido a partir dos debates da I Jornada da Justiça Federal pela Equidade Racial e agora ganha versão online para alcançar um público mais amplo.
A formação, realizada pelo Centro de Formação e Gestão Judiciária (CEFOR) do STJ, é voltada a profissionais do sistema de Justiça, estudantes e todas as pessoas interessadas no tema. Com formato flexível, pode ser realizada no ritmo de cada participante.
Inicialmente, a versão de 12 horas foi disponibilizada prioritariamente para magistrados, com alta procura teve e lista de espera. A primeira turma está em fase de conclusão e já é considerada um sucesso, abrindo caminho para a ampliação do acesso ao público geral.
A iniciativa tem o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e dialoga com o Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial e com o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial do Conselho Nacional de Justiça, reforçando o compromisso institucional com a promoção da igualdade e o enfrentamento do racismo.
Versão resumida
Além da formação completa, o STJ também disponibilizou uma versão resumida do curso, com duração de uma hora, acessível no canal do tribunal no YouTube. A iniciativa amplia o alcance do conteúdo e já contabiliza 1150 acessos e pode ser vista no link https://www.youtube.com/watch?v=WUBXk_-SuWA
O curso será traduzido para o espanhol e compartilhado no âmbito da Rede Ibero-americana de Escolas Judiciais, fortalecendo a cooperação internacional e ampliando o debate sobre equidade racial no sistema de Justiça para outros países.
As inscrições estarão disponíveis no link: https://ead.stj.jus.br/course/view.php?id=613
Assessoria de Comunicação STJ

Autor: Assessoria

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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