Ministério Público MT
Promotora alerta sobre ameaça das facções criminosas à democracia
Publicado em
30 de setembro de 2025por
Da Redação
“A proteção da nossa democracia passa pela conscientização de que precisamos de eleições limpas e justas. E isso exige que sejam expurgados todos os agentes que tentem corromper não apenas o eleitor, mas toda a nossa comunidade. Como enfrentamos isso? Por meio da educação e da integração de todos os atores que atuam nesse contexto. Precisamos atuar de forma articulada para que a sociedade tenha os elementos necessários para se proteger. Uma sociedade protegida é uma democracia forte”, afirmou a promotora de Justiça Cynthia Quaglio Gregorio Antunes.
A titular da 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Jaciara (a 144 km de Cuiabá) foi a representante do Ministério Público de Mato Grosso na entrevista do projeto Diálogos com a Sociedade, desta segunda-feira (29). A promotora de Justiça dividiu a bancada, no estúdio de vidro instalado no Rondon Plaza Shopping, com o tenente-coronel Wanderson Silva Sá, comandante adjunto do 4º Comando Regional da Polícia Militar em Rondonópolis (a 212 km da capital).
Os convidados abordaram temas centrais como a ameaça do crime organizado ao sistema eleitoral e à democracia, o domínio territorial das facções e a busca por justiça paralela nas comunidades. Também destacaram o papel da Polícia Militar no enfrentamento diário ao crime organizado, especialmente no interior de Mato Grosso, além das estratégias de combate e da importância da integração entre as instituições de segurança e o Sistema de Justiça.
A promotora de Justiça defendeu que a Constituição Federal trouxe, em 1988, uma proteção reforçada diante do poder do Estado. Naquele contexto, era necessário garantir ao cidadão mecanismos de defesa, especialmente por se tratar de um país que saía de um regime de ditadura militar. “O que acontece hoje nas eleições, infelizmente, é que essa ‘empresa do crime’ exerce não apenas poder econômico, mas também poder social dentro das comunidades. E agora, está buscando o poder político. Isso porque o poder político oferece novas formas de controle sobre a sociedade e permite diversificar ainda mais a atuação dessa estrutura criminosa organizada”, afirmou.
Conforme a promotora de Justiça, essas organizações criminosas buscam controlar licitações e ingressar na prestação de serviços públicos como forma de viabilizar a lavagem de dinheiro. “Tudo isso coloca em risco a nossa democracia, que ainda é recente, não completou 40 anos. Por isso, é fundamental que haja controle sobre o processo eleitoral, para evitar que mais um tentáculo das facções criminosas se infiltre na vida em sociedade, especialmente na esfera política. Esse avanço representa uma ameaça à nossa democracia, ainda frágil e está se sedimentando após os 21 anos de regime totalitário vividos no país”, defendeu.
Como exemplo, a entrevistada citou o estado do Rio de Janeiro, onde há mais de 1,2 milhão de pessoas sob algum tipo de influência de organizações criminosas durante o período eleitoral. Segundo ela, os candidatos são cobrados com valores que variam entre R$ 150 mil e R$ 200 mil para que possam fazer campanha em determinadas comunidades do estado. Ou seja, precisam pagar para exercer o direito constitucional de se colocar como representante político e ser votado.
Ela acrescentou que existem “pacotes” em torno de R$ 1 mil por cabo eleitoral, escolhidos pelos próprios comandantes do crime organizado em certas áreas, e impostos aos candidatos. “Então, essa é a importância de desarticular esse braço político, para que essas organizações não possam atuar também no processo de elaboração das leis, que são justamente os instrumentos pelos quais conseguimos reforçar o nosso sistema jurídico e oferecer ferramentas à segurança pública para o combate ao crime organizado”, sustentou.
O tenente-coronel Wanderson Silva Sá falou sobre a atuação repressiva e preventiva da Polícia Militar no combate ao crime organizado. “A Polícia Militar, como eu disse, é a ponta de lança de todo esse processo”, afirmou, reforçando que quando é acionada, muitas vezes não se sabe o que será encontrado.
O representante da PMMT contou que a instituição tem atuado por meio da inteligência policial. “Trabalhamos com informações aqui no comando, e também contamos com uma sede do nosso Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), onde reunimos dados estratégicos. A partir dessas informações, e conforme o atendimento das ocorrências, é feito todo o planejamento das ações”, revelou.
O entrevistado falou ainda sobre o Disque Extorsão 181, serviço de denúncia contra facções criminosas criado pelo Governo do Estado de Mato Grosso este ano. “Essa é a principal ferramenta que a sociedade tem hoje para movimentar essa engrenagem da segurança pública, em desfavor daquilo que eu costumo chamar de facções criminosas”, considerou. O comandante adjunto também defendeu a necessidade de integração entre os órgãos de segurança pública, o Ministério Público e o Poder Judiciário.
Conceito – Segundo a promotora de Justiça, o Brasil percorreu um longo caminho até chegar a uma definição técnica do crime de organização criminosa, o que só ocorreu em 2013. Esse marco é considerado recente, especialmente quando comparado ao período de vigência da democracia no país, iniciado com a Constituição de 1988.
“Pela definição da Lei 12.850, qualquer associação de quatro ou mais pessoas, estruturalmente organizada, com o objetivo de obter vantagens, econômicas ou não, por meio da prática de crimes graves (aqueles cuja pena máxima ultrapassa quatro anos), configura o crime de organização criminosa. Trata-se de um conceito técnico. O que a sociedade precisa compreender é que esse tipo de crime envolve a ‘empresarização’ da atividade criminosa. Ou seja, o crime passa a funcionar como uma empresa. Há uma estrutura organizada voltada à prática de infrações penais graves, o que o diferencia do crime comum”, explicou.
Cynthia Antunes esclareceu que a diferença está no fato de que, no crime comum, a ação se encerra em si mesma, há a prática de um único delito com um objetivo específico. Já no caso da organização criminosa, há continuidade, estrutura e divisão de funções, como em uma empresa voltada ao crime.
Assista aqui à entrevista completa.
O projeto Diálogos com a Sociedade conta com o apoio de parceiros institucionais como Amaggi, Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Águas Cuiabá, Bom Futuro, Energisa, Instituto da Madeira do Estado de Mato Grosso (Imad), Nova Rota do Oeste, Oncomed-MT, Rondon Plaza Shopping e Unimed Mato Grosso.Fotos: Joicy Souza
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Fonte: Ministério Público MT – MT
Ministério Público MT
Prevenção Começa na Escola chega a mais cinco municípios
Published
13 horas agoon
7 de julho de 2026By
Da Redação
Mais cinco municípios mato-grossenses receberam o projeto “Prevenção Começa na Escola” entre os dias 30 de junho e 3 de julho, durante a segunda etapa de apresentações. Desenvolvido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), o projeto alcançou cerca de 3,2 mil estudantes dos municípios de Terra Nova do Norte, Nova Guarita, Nova Santa Helena, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, por meio da encenação das peças teatrais “Inocentes Pétalas Roubadas” e “RE-cortes”.Coordenado pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente e realizado em parceria com a Cia VostraZ de Teatro, o projeto utiliza a arte como ferramenta de conscientização e prevenção. Por meio de apresentações teatrais, são abordados temas de grande relevância para o público infantojuvenil, estimulando reflexões sobre direitos, proteção e cidadania.As atividades envolvem estudantes das redes municipal e estadual de ensino. A peça “Inocentes Pétalas Roubadas” trata de temas como o combate ao abuso sexual infantil, o enfrentamento ao bullying e a preservação do patrimônio público escolar. Já “RE-cortes” promove reflexões sobre os impactos da violência doméstica contra a mulher na vida de crianças e adolescentes.As apresentações começaram no dia 30 de junho, nos municípios de Terra Nova do Norte e Nova Guarita. Em Terra Nova do Norte, a peça foi encenada no Centro de Eventos do Parque Municipal Vale do Esperança, reunindo cerca de 700 estudantes. Já em Nova Guarita, aproximadamente 500 crianças acompanharam o espetáculo no Pavilhão da Igreja Católica Santo Antônio.No dia 1º de julho, o projeto chegou a Nova Santa Helena, onde as atividades ocorreram no Centro de Eventos Antenor Bezerra. Cerca de 500 alunos das redes municipal e estadual participaram das apresentações das peças “Inocentes Pétalas Roubadas”, no período matutino, e “RE-cortes”, no vespertino, ampliando o debate sobre proteção integral e enfrentamento de situações de violência.A programação teve sequência em Lucas do Rio Verde, no dia 2 de julho, com apresentações na Escola Municipal Cecília Meireles. Aproximadamente mil estudantes participaram das atividades realizadas nos períodos da manhã e da tarde. A ação contou com a presença do promotor de Justiça Marlon Pereira Rodrigues, que destacou a relevância do projeto como instrumento de prevenção, conscientização e fortalecimento da rede de proteção à infância e à adolescência.“Essa peça é muito importante porque trata de temas delicados de forma lúdica, acessível e adequada às crianças. A linguagem utilizada é leve e dialoga muito bem com o público infantil, que se emociona, se identifica com os personagens e, ao mesmo tempo, aprende sobre situações que não podem ser aceitas e sobre a importância de buscar ajuda diante de casos de abuso sexual infantil. É uma iniciativa que contribui diretamente para a conscientização e a prevenção, fortalecendo a proteção das nossas crianças”, afirmou o promotor de Justiça Marlon Rodrigues.No dia 3 de julho, o projeto esteve em Nova Mutum, com apresentações na Escola Estadual Cívico-Militar Virgílio Corrêa Filho e na EMEB Futuro Brilhante. As atividades reuniram cerca de 950 participantes e contaram com a presença da promotora de Justiça Ana Carolina Rodrigues Alves Fernandes de Oliveira, reforçando o compromisso do Ministério Público com a promoção de ações educativas voltadas à garantia dos direitos de crianças e adolescentes.Próximas etapas – Esta edição do projeto será desenvolvida até setembro de 2026, contemplando 34 municípios mato-grossenses. A terceira etapa ocorrerá entre os dias 27 e 31 de julho, com apresentações contemplando os municípios de Nova Marilândia, Santo Afonso, Nortelândia, Arenápolis e Rosário Oeste.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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