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Milho registra avanço nas cotações externas, mas negociações seguem lentas no Brasil

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O mercado de milho vive um momento de contrastes: enquanto as cotações ganham força no cenário internacional e na Bolsa brasileira, as negociações internas seguem travadas em várias regiões do país, refletindo diferenças de preços entre compradores e vendedores e um ritmo ainda lento nas operações.

Mercado interno: negócios travados no Sul e ajustes regionais

No Rio Grande do Sul, a liquidez permanece baixa, com negociações restritas. Segundo a TF Agroeconômica, as indicações de compra giram em torno de R$ 67,00 a R$ 70,00 por saca, dependendo da praça. Para fevereiro de 2026, os contratos futuros no porto seguem em R$ 69,00/saca.

Em Santa Catarina, a diferença entre pedidas e ofertas praticamente paralisa o mercado. Em Campos Novos, produtores pedem R$ 80,00/saca, enquanto as ofertas não passam de R$ 70,00. No Planalto Norte, a distância também é significativa, com pedidos em R$ 75,00 contra ofertas de R$ 71,00. Essa disparidade tem levado parte dos agricultores a repensar os investimentos para o próximo ciclo.

No Paraná, a colheita histórica foi concluída, e o novo ciclo começa de forma desigual. As cotações apresentaram ajustes regionais: no Oeste, o preço caiu para R$ 55,58 (-1,76%); em Curitiba, avançou levemente para R$ 67,23 (+0,20%). Cidades como Maringá, Cascavel, Londrina e Ponta Grossa também registraram pequenas quedas.

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Já no Mato Grosso do Sul, apesar de estabilidade geral, os preços variam entre R$ 48,00 e R$ 53,00/saca, com Dourados registrando as maiores referências. Produtores mantêm cautela, restringindo a oferta e segurando lotes a preços mais altos, o que prolonga a lentidão no mercado spot.

Bolsa e cenário externo sustentam preços do milho

Enquanto o mercado físico interno segue desaquecido, os contratos futuros na B3 registraram movimentos mistos. O vencimento de novembro/25 avançou R$ 0,40, enquanto março/26 encerrou em baixa. A firmeza do mercado físico ajudou a sustentar os preços após quedas recentes.

No exterior, as cotações foram favorecidas pelo bom desempenho em Chicago e pela valorização do dólar. Relatórios apontam aumento expressivo nas exportações semanais de milho, com alta de 56,17% frente à semana anterior. México, Colômbia, Japão, Espanha e destinos não revelados lideraram as compras.

Na Argentina, a retirada temporária de impostos sobre exportações ajudou a acelerar a entrada de dólares no país, contribuindo para o otimismo no mercado, ainda que a medida tenha sido revertida posteriormente.

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Exportações brasileiras seguem firmes

No Brasil, as exportações também dão suporte às cotações. De acordo com a ANEC, os embarques de milho devem alcançar 7,61 milhões de toneladas em setembro, 6,9% acima da projeção da semana anterior. A demanda aquecida mantém o cereal em evidência tanto no mercado interno quanto externo.

Perspectivas para a safra 2025/26

Apesar de algumas divergências entre estimativas do USDA e do mercado, as projeções continuam positivas para a safra 2025/26. A expectativa é de colheita recorde, o que deve garantir maior liquidez ao cereal e reduzir riscos de perdas significativas.

Especialistas apontam que a combinação entre forte demanda global e cautela dos produtores brasileiros continuará sendo o principal fator de sustentação dos preços nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Milho ganha força com demanda aquecida e exportações, mas clima segue no radar para a safra 2026/27

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O mercado brasileiro de milho vive um momento de sustentação dos preços, impulsionado pela demanda doméstica aquecida, pelo ritmo das exportações e pelas incertezas climáticas que cercam a próxima safra. A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um ambiente de maior atenção dos agentes do mercado diante dos desafios para o ciclo 2026/27.

Mesmo com o avanço da colheita da segunda safra, considerada uma das mais importantes para o abastecimento nacional, os preços seguem encontrando suporte na forte demanda dos setores de proteína animal, etanol de milho e exportação.

Segundo os analistas, a dinâmica do mercado indica que a disponibilidade do cereal deve aumentar nos próximos meses, mas fatores climáticos e logísticos continuarão influenciando a formação dos preços.

Demanda doméstica continua sendo principal sustentação

A indústria de carnes, especialmente os segmentos de aves e suínos, mantém elevado consumo de milho para ração. Além disso, o crescimento da produção de etanol de milho segue ampliando a participação do cereal na matriz energética brasileira.

Esse cenário contribui para absorver parte importante da oferta gerada pela safrinha, reduzindo a pressão de baixa sobre os preços mesmo em um período de maior entrada do produto no mercado.

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As exportações também permanecem como um componente relevante para o equilíbrio entre oferta e demanda, favorecidas pela competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.

El Niño aumenta preocupação com a próxima temporada

Embora o cenário atual seja relativamente confortável para o abastecimento, o mercado já começa a monitorar os impactos do fenômeno El Niño sobre a safra 2026/27.

De acordo com o Itaú BBA, a confirmação do fenômeno climático eleva os riscos para o calendário agrícola brasileiro, especialmente em regiões do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

A preocupação está relacionada principalmente à possibilidade de irregularidade das chuvas e ao encurtamento da janela ideal de plantio da próxima safra, fatores que podem comprometer o potencial produtivo do cereal.

Além dos desafios climáticos, os produtores também enfrentam um ambiente de custos ainda elevados, exigindo maior planejamento e gestão de risco para a próxima temporada.

Oferta da safrinha deve ampliar disponibilidade do cereal

Com o avanço da colheita da segunda safra, a tendência é de aumento gradual da oferta física de milho no mercado interno durante os próximos meses.

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Apesar desse movimento, a expectativa é de que a demanda consistente limite quedas mais acentuadas nas cotações, especialmente em regiões com forte presença da indústria de proteína animal e das usinas de etanol de milho.

Outro fator que segue no radar é o comportamento do dólar, que influencia diretamente a competitividade das exportações brasileiras e a formação dos preços domésticos.

Mercado deve seguir atento ao clima e ao cenário global

Além das condições climáticas no Brasil, os agentes acompanham o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, principal produtor mundial do cereal. Alterações no potencial produtivo norte-americano podem gerar reflexos diretos nos preços internacionais e, consequentemente, no mercado brasileiro.

Para o Itaú BBA, o milho entra no segundo semestre com fundamentos relativamente positivos, mas em um ambiente que exige atenção redobrada ao clima, à evolução da demanda e ao comportamento das exportações.

Diante desse cenário, a gestão comercial e o monitoramento dos riscos climáticos serão determinantes para produtores e investidores do setor ao longo dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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