Tribunal de Justiça de MT
Ouvidor-geral do Poder Judiciário dialoga com chefes dos demais Poderes e instituições do Estado
Publicado em
12 de setembro de 2025por
Da Redação
Buscando aproximar o Poder Judiciário de Mato Grosso da população mato-grossense e parceiros, a Ouvidoria Geral tem realizado visitas institucionais aos demais Poderes e instituições do Estado, a exemplo do Executivo, Legislativo e Tribunal de Contas, cujos chefes receberam o desembargador Rodrigo Curvo, ouvidor-geral do Judiciário estadual. Nesses encontros, o magistrado tem informado os gestores sobre a Resolução nº 432/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que constituiu as Ouvidorias judiciárias em órgãos autônomos, integrantes da alta administração dos tribunais, e essenciais à administração da Justiça.
A primeira visita institucional foi realizada no final de julho, ao governador Mauro Mendes, que classificou o diálogo entre as instituições como fundamental. “Essa interlocução capitaneada pelo desembargador Rodrigo não só aproxima os poderes, mas constrói pontes para que possamos construir políticas públicas mais eficientes em prol do cidadão mato-grossense, que é o grande objetivo”, disse.
No dia 2 de setembro, o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, recebeu o ouvidor-geral do TJMT. Na oportunidade, o desembargador Rodrigo Curvo falou sobre o projeto Ouvidoria Cidadã, que visa levar a Ouvidoria do Judiciário às principais comarcas do Estado, a exemplo do que já ocorreu em Barra do Garças e Primavera do Leste.
“Eu fiquei feliz quando ele me falou como vai fazer esse trabalho, conversando com as pessoas, andando pelos 142 municípios de Mato Grosso, que têm muita esperança na Justiça. As pessoas chegam buscando informações, orientações. E eu não tenho dúvida nenhuma de que a população vai gostar muito desse projeto, a sociedade vai se aproximar muito mais do Tribunal de Justiça e o Tribunal de Justiça vai se aproximar muito mais da sociedade”, avalia o presidente do TCE.
Nesta quinta-feira (11 de setembro), o ouvidor-geral conversou com o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi, e colocou a Ouvidoria do Poder Judiciário à disposição da Casa de Leis.
“É muito importante esse canal do Tribunal de Justiça, através da sua Ouvidoria, visitando os municípios, saindo de Cuiabá para o interior, que sente muito essa necessidade de poder ter esse contato direto, poder fazer as suas cobranças. E a gente precisa estar muito próximos, principalmente da população que a gente atende, que a gente presta serviço. Então, o Tribunal de Justiça está de parabéns por esse trabalho, por esse fortalecimento da Ouvidoria, sob a condução dinâmica do desembargador Rodrigo Curvo, que está bastante motivado. Ao se fazer presente no interior de Mato Grosso, com certeza o Tribunal de Justiça se aproxima da população de uma maneira geral e dá voz a todas as pessoas para poder fazer as suas cobranças”, comentou o parlamentar.
O desembargador Rodrigo Curvo, que ao longo das visitas institucionais esteve acompanhado do juiz auxiliar da Ouvidoria, Bruno D’Oliveira Marques, e da diretora do Departamento da Ouvidoria Judiciária, Larissa Shimoya, agradeceu aos chefes dos Poderes pela receptividade e reforçou o papel do órgão do Judiciário estadual na aproximação com a sociedade. “A Ouvidoria vem sendo muito bem recebida nesse objetivo de estreitar os laços, fortalecer a sua atuação, sobretudo com o jurisdicionado. É muito importante que a gente apresente os trabalhos da Ouvidoria, as formas de acessar a Ouvidoria do Poder Judiciário. A Ouvidoria se coloca à disposição para aprimorar os trabalhos, sempre em prol do jurisdicionado mato-grossense”, afirma.
Ouvidoria do Poder Judiciário de Mato Grosso – É o canal de comunicação direta entre o cidadão e a Justiça estadual. Seu papel é ouvir a sociedade, receber manifestações e colaborar para o aprimoramento dos serviços prestados pelo Judiciário.
Mais do que um espaço de atendimento, a Ouvidoria é um instrumento de cidadania e transparência, que garante a efetividade de direitos e a melhoria da qualidade dos serviços públicos.
Entre suas atribuições estão: receber reclamações, sugestões, denúncias, elogios e pedidos de informação; acompanhar o andamento das manifestações; propor soluções para problemas identificados; promover a conciliação e mediação entre usuários e órgãos do Tribunal; e encaminhar relatórios periódicos de atividades à Presidência e à Corregedoria.
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Autor: Celly Silva
Fotografo: Alair Ribeiro e Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
Justiça de MT não cumpre reintegração de posse há 19 anos e gera prejuízo milionário
Published
6 horas agoon
12 de julho de 2026By
Alana
A demora de quase duas décadas no cumprimento de uma decisão judicial de reintegração de posse da Fazenda Poconé, em Querência (945 km de Cuiabá), segundo a defesa, teria causado prejuízo na ordem de R$ 500 milhões referente a lucros cessante do Espólio de Itagiba Carvalho Diniz.
O caso vem gerando denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dentro do próprio Tribunal de Justiça, para apurar a conduta do juiz e diretor da Comarca, Thalles Nóbrega Miranda Rezende de Britto, e da secretaria da Vara Única de Querência-MT, que é responsável pela ação.
A matéria voltará à pauta da Corte no próximo dia 29 de julho, quando os desembargadores analisarão mais de dez incidentes processuais que, conforme o espólio, ainda impedem a conclusão da fase de execução e a restituição integral da propriedade.
“Embora a sentença que reconheceu o direito possessório do espólio tenha transitado em julgado em 2007 e uma segunda sentença tenha definido os limites da fazenda após extensa produção de provas e perícias técnicas que se prolongou por quase 30 anos, a maior parte da área permanece fora da posse dos proprietários”, sustentam os advogados.
Levantamentos técnicos anexados ao processo indicam que a Fazenda Poconé possui 7.237 hectares, dos quais aproximadamente 3.921 hectares são agricultáveis.
Desse total, apenas 604 hectares estariam atualmente sob posse direta do espólio. Outros 3.317 hectares permanecem pendentes de restituição e continuam sendo explorados economicamente por terceiros, segundo a petição.
O espólio afirma que cerca de 1.653 hectares de lavouras seguem sendo cultivados por empresas e produtores que figuram na própria ação judicial, enquanto outros ocupantes apresentaram embargos de terceiro para tentar impedir ou retardar o cumprimento das decisões judiciais.
Para os proprietários, a demora na execução permitiu que a área permanecesse produzindo riqueza por mais de 20 anos, apesar da existência de decisões judiciais favoráveis ao espólio.
Compromisso firmado antes da disputa
Um dos documentos anexados aos autos, revela um ‘Termo de Compromisso’, firmado em 5 de maio de 1997 pelos então proprietários das áreas envolvidas na futura ação demarcatória.
No documento, os signatários assumiram o compromisso de preservar a situação existente até a definição técnica dos limites das propriedades. O texto estabelece que eles se obrigavam a “não realizar alteração alguma e expansão das respectivas posses atuais enquanto não se proceder o levantamento topográfico que as delimite e as caracterize segundo a titulação legítima”, prevendo que a demarcação seria realizada “por meio judicial ou amigável”.
O compromisso também registra que “a atual localização das posses não representa em definitivo a coerência destas com os respectivos títulos de domínio que cada um detém” e determina que o grupo tinha a obrigação de “promover a demarcatória a fim de definir a propriedade e em consequência a posse”.
Na avaliação do espólio, o documento demonstra que os próprios signatários concordaram em submeter a definição dos limites ao resultado da futura demarcação judicial, comprometendo-se a respeitar a solução técnica do conflito.
Patrimônio continua produzindo riqueza
Enquanto a execução permanece pendente, a atividade agrícola continua em ritmo intenso na região. Segundo o relatório consolidado de capacidade financeira que A Gazeta teve acesso, diversos ocupantes ou pessoas ligadas às áreas em disputa possuem patrimônio rural expressivo, empresas e participações societárias relevantes.
Entre eles está a Indústria e Comércio de Máquinas Agrícolas Mantovani Ltda., empresa com capital social de R$ 3 milhões e proprietária da Fazenda Paraíso, em Ribeirão Cascalheira, com mais de 2.400 hectares.
O relatório também aponta que Benildo Carvalho Teles possui patrimônio rural no Pará, participação na AgroGalaxy, da qual alienou ações em operação superior a R$ 31 milhões, além de integrar empresas do agronegócio com capital superior a R$ 15 milhões.
Outro é Claudio Augusto Diniz, proprietário de fazendas em Mato Grosso e Goiás, sócio de empresas rurais e credor da recuperação judicial do Grupo AgroGalaxy em mais de R$ 3,2 milhões.
O levantamento ainda relaciona a JMSW Agropecuária Ltda., empresa voltada ao cultivo de soja com capital social de R$ 17,6 milhões e proprietária de fazenda superior a 7 mil hectares em Querência.
Também aparecem produtores rurais e empresários como Leandro De Conti, Adalberto Backes, Carlos Caneppele, Gelson Caneppele, Sérgio Caneppele, Ivanete Lurdes Caneppele, Leandro Caneppele, Fernando Passinatto, José Adelar Jaenisch, além das empresas AGL Administradora e Participações Ltda. e MPS Empreendimentos Imobiliários Ltda., todos descritos como proprietários de imóveis rurais, beneficiários de financiamentos públicos ou integrantes de grupos empresariais ligados ao agronegócio.
O relatório atribui a esse conjunto de pessoas físicas e jurídicas patrimônio imobiliário rural, empresas e ativos considerados de elevada expressão econômica.
Julgamento
O espólio sustenta que a controvérsia deixou de ser sobre quem é o proprietário da Fazenda Poconé. Segundo os advogados, a discussão atual restringe-se ao cumprimento de decisão já transitada em julgado e à retirada dos ocupantes remanescentes.
A expectativa é que o julgamento marcado para 29 de julho pelo TJMT destrave a fase de execução e permita a efetiva restituição da área, encerrando um litígio que se arrasta há quase duas décadas e que, segundo o espólio, gerou perdas patrimoniais estimadas em aproximadamente R$ 500 milhões em razão da exploração agrícola contínua da fazenda.
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