AGRONEGÓCIO
Soja recua no Brasil e em Chicago com pressão do clima, demanda chinesa e estoques
Publicado em
4 de setembro de 2025por
Da Redação
O mercado de soja no Brasil iniciou setembro com preços pressionados e ritmo lento de negociações, segundo levantamento da TF Agroeconômica. No Rio Grande do Sul, os valores para pagamento em meados de setembro ficaram em R$ 140,00/saca nos portos. No interior, Cruz Alta registrou R$ 134,00 (-0,89%), enquanto Passo Fundo e Santa Rosa/São Luiz tiveram preços em torno de R$ 134,00. Em Panambi, o preço de pedra recuou para R$ 122,00/saca.
Em Santa Catarina, o mercado segue estável, com pouca movimentação comercial. No porto de São Francisco, a saca foi cotada a R$ 142,84, sem grandes variações. Apesar da relevância crescente do estado na produção nacional, o déficit de armazenagem preocupa produtores.
No Paraná, a pressão também é evidente: Paranaguá registrou R$ 142,01/saca; Cascavel, R$ 128,43; Maringá, R$ 129,96; Ponta Grossa, R$ 131,69 no FOB e R$ 118,00 no balcão. Em Pato Branco, a cotação chegou a R$ 139,97.
Já no Mato Grosso do Sul, os negócios seguem lentos. As cotações ficaram em R$ 123,51 em Dourados, R$ 123,30 em Campo Grande, Maracaju e Sidrolândia, e R$ 121,79 em Chapadão do Sul.
No Mato Grosso, maior produtor brasileiro, o mercado reflete o desafio climático: o nível de umidade do solo é o mais baixo em dez anos, aumentando o risco de atrasos no plantio da safra 2025/26. Os preços oscilaram levemente: Campo Verde registrou R$ 120,25 (-0,51%), Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, R$ 119,16, Primavera do Leste, R$ 120,87, Rondonópolis, R$ 120,25, e Sorriso, R$ 119,05/saca.
Chicago mantém trajetória de queda
Na Bolsa de Chicago, a soja segue pressionada por fundamentos. Nesta quinta-feira (04), por volta de 7h10 (horário de Brasília), os contratos recuavam de 3,50 a 3,75 pontos: o vencimento novembro era negociado a US$ 10,27/bushel e o março a US$ 10,62/bushel.
A ausência da China no mercado americano pesa sobre as cotações, já que o país concentra suas compras no Brasil e ainda precisa adquirir cerca de 15 milhões de toneladas para se abastecer até o fim do ano. A instabilidade nas relações políticas sino-americanas também reforça a cautela dos traders.
Outro fator de pressão é a oferta, já que a safra dos Estados Unidos se aproxima da conclusão ao mesmo tempo em que o Brasil inicia o novo ciclo. O cenário financeiro global, marcado por insegurança e aversão ao risco, adiciona volatilidade às commodities.
Além do grão, os derivados também recuaram em Chicago nesta quinta-feira, com quedas no farelo e no óleo de soja, reforçando o movimento baixista.
Queda do dia anterior reforça cenário de cautela
Na quarta-feira (03), a soja já havia encerrado em baixa. O contrato novembro recuou 0,91% (US$ 9,50 cents), fechando a US$ 1.031,50/bushel, enquanto o janeiro caiu 0,90%, para US$ 1.050,00/bushel. O farelo para outubro fechou em US$ 277,60/ton curta (-0,25%) e o óleo para outubro em US$ 51,44/lbp (-1,57%).
Apesar da queda, houve sinais de suporte: o USDA reduziu a avaliação das lavouras norte-americanas classificadas como boas ou excelentes para 65%, mesmo patamar do ano anterior, o que pode indicar impactos na produtividade. Além disso, foram confirmadas novas vendas de farelo para as Filipinas, mostrando demanda ativa, embora insuficiente para compensar a ausência da China.
Perspectivas para o mercado de soja
Analistas apontam que, no curto prazo, os preços da soja devem continuar altamente sensíveis às condições climáticas no Brasil e nos EUA, além do ritmo da demanda internacional. O protagonismo da China segue no radar, já que sua ausência nos portos americanos permanece como o principal limitador para uma recuperação consistente das cotações em Chicago.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro
Published
5 horas agoon
25 de junho de 2026By
Da Redação
Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes
O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.
A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.
A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.
Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.
Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes
O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.
Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.
No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.
De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.
Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.
Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário
Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.
Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.
O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.
A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.
Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026
Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.
A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.
Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.
Demanda interna por milho deve seguir aquecida
Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.
O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.
O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.
Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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