AGRONEGÓCIO
Tarifa de 50% dos EUA ameaça setor florestal paranaense e põe milhares de empregos em risco
Publicado em
1 de agosto de 2025por
Da Redação
Tarifa dos EUA afeta diretamente o setor florestal brasileiro
O governo dos Estados Unidos anunciou, em 30 de julho, a aplicação de uma tarifa de 50% sobre a importação de produtos florestais processados provenientes do Brasil. A medida atinge especialmente o Paraná, maior produtor nacional de madeira de pinus, que já sente os efeitos da decisão com férias coletivas e revisão de investimentos no setor.
Produtos como madeira serrada, painéis, portas, móveis e molduras — todos processados a partir de florestas plantadas de pinus e eucalipto, base da silvicultura paranaense — são diretamente impactados pela sobretaxa.
Fabio Brun, presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas), alerta:
“É uma notícia muito ruim. Justamente onde o Paraná é destaque, seremos taxados de forma tão severa. O impacto pode ser profundo para as operações e os empregos em todo o Sul do país.”
Celulose e ferro-gusa ficam fora da tarifa
O decreto dos EUA exclui da tarifa produtos como a celulose química (solúvel, soda, sulfato, sulfito), a celulose semiquímica, e a celulose produzida a partir de papel reciclado ou bambu — segmentos que o país norte-americano não produz. Destaca-se a celulose de fibra curta à base de eucalipto, utilizada para fabricação de itens como papel higiênico e guardanapos.
Outro produto da base florestal isento da tarifa é o ferro-gusa, que no Brasil é parcialmente fabricado com carvão vegetal, substituindo insumos fósseis.
Impactos imediatos: férias coletivas e retração nas exportações
Antes mesmo da confirmação oficial da tarifa, empresas do setor já adotavam medidas de contenção, como suspensão de exportações para os EUA, redução de estoques e férias coletivas para preservar empregos.
Com a medida oficializada, a situação se agrava. Brun explica que o mercado americano é o principal destino das exportações e que redirecionar esses volumes para outros compradores é um processo lento e difícil, que muitas vezes requer a redução de preços para se manter competitivo.
Setor florestal lidera as exportações do agronegócio brasileiro
Os produtos florestais são os maiores responsáveis pelas receitas de exportação do agronegócio brasileiro, com faturamento de US$ 3,7 bilhões. Cerca de US$ 1,7 bilhão desse total vem dos estados do Sul — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O Paraná, por sua vez, responde por metade da produção nacional de pinus e gera cerca de 15% dos empregos do setor florestal no país.
Brun ressalta a importância da cadeia produtiva para a economia e para as comunidades do interior do estado, destacando que as indústrias florestais também mantêm projetos sociais e de saúde, que podem ser afetados com a retração do setor.
Contradição com tendências globais de sustentabilidade
A sobretaxa dos EUA ocorre em um momento em que o mundo valoriza cada vez mais as florestas plantadas como solução sustentável para o combate às mudanças climáticas. A madeira oriunda dessas áreas é renovável e contribui para a mitigação dos gases de efeito estufa.
“O setor florestal plantado é um dos pilares da sustentabilidade global. É difícil entender por que estamos sendo penalizados dessa forma, numa decisão que parece política, sem base técnica ou comercial”, critica Brun.
Incertezas e apelo por ação diplomática urgente
A falta de uma resposta diplomática forte do governo brasileiro preocupa o setor. Segundo Brun, faltou uma condução adequada para enfrentar a crise e agora é urgente buscar alternativas para minimizar os danos.
Para isso, a APRE vai apresentar ao governo do Paraná, nos próximos dias, um conjunto de medidas, entre elas:
- liberação de linha de financiamento subsidiado via Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE) para pagamento de folha;
- antecipação de créditos de ICMS para exportadores de madeira;
- programas de incentivo ao uso da madeira em diversas aplicações.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mato Grosso adia para 2035 o fim do uso de biomassa nativa e amplia metas de reflorestamento
Published
14 minutos agoon
18 de junho de 2026By
Da Redação
O Governo de Mato Grosso oficializou a prorrogação do prazo para a eliminação do uso de vegetação nativa como fonte de biomassa nas atividades industriais do estado. A mudança foi formalizada por meio de um novo Termo de Compromisso Ambiental (TCA), assinado em 10 de junho entre o Executivo estadual e o Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT).
Pelas novas regras, as indústrias de grande consumo de biomassa, incluindo usinas de etanol de milho, terão até 2035 para concluir a substituição da matéria-prima oriunda de vegetação nativa por fontes provenientes de florestas plantadas ou de áreas autorizadas sob Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), conforme previsto no Código Florestal Brasileiro.
Prazo é ampliado em relação ao acordo anterior
O novo entendimento modifica o cronograma estabelecido anteriormente em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em junho deste ano. Na versão inicial, o estado havia assumido o compromisso de encerrar o uso de biomassa nativa até 2034.
O acordo anterior previa uma redução gradual da participação da vegetação nativa na matriz de biomassa industrial, com limite de 50% em 2030, 40% em 2031, 30% em 2032 e 10% em 2033.
Com a atualização do compromisso, o cronograma foi flexibilizado. A única meta intermediária estabelecida determina que o uso de biomassa nativa seja reduzido para 40% em 2034, com a eliminação total prevista somente no ano seguinte.
Governo estabelece metas para expansão florestal
Além da alteração no prazo, o governo estadual definiu novas metas para fortalecer a oferta de matéria-prima renovável destinada ao setor industrial.
Entre os objetivos previstos no termo estão:
- Implantação de pelo menos 700 mil hectares de florestas plantadas até 2040;
- Ampliação da área de manejo florestal sustentável para, no mínimo, 6,5 milhões de hectares até 2040;
- Estímulo à produção de biomassa renovável para atender à crescente demanda da indústria mato-grossense.
A medida busca garantir segurança no abastecimento energético das indústrias e reduzir a pressão sobre os remanescentes de vegetação nativa.
Regras diferenciam indústrias existentes e novos projetos
O acordo estabelece tratamento distinto para empreendimentos já em operação e para novos investimentos.
As indústrias atualmente instaladas no estado seguirão o cronograma de transição definido no TCA. Já os empreendimentos em construção ou em fase de ampliação deverão apresentar planos demonstrando que utilizarão exclusivamente biomassa proveniente de florestas plantadas ou de manejo florestal sustentável.
A exigência pretende assegurar que os novos projetos industriais sejam compatíveis com a política estadual de transição para fontes renováveis de biomassa.
Governo terá prazo para regulamentar medidas
O termo também estabelece uma série de etapas para regulamentação das novas diretrizes.
De acordo com o documento:
- O governo estadual deverá publicar decreto regulamentador em até 30 dias;
- A Secretaria de Estado de Agricultura terá prazo de 60 dias para editar norma complementar;
- As empresas abrangidas pelas novas regras deverão ser oficialmente notificadas em até 90 dias.
O compromisso é resultado de um inquérito instaurado pelo Ministério Público de Mato Grosso em 2024 para avaliar o cumprimento da legislação ambiental relacionada ao uso de biomassa no estado.
Mato Grosso busca ampliar base de florestas plantadas
Atualmente, Mato Grosso possui menos de 200 mil hectares de florestas plantadas destinadas à produção de biomassa e madeira renovável.
Desse total, pouco mais de 100 mil hectares pertencem à FS, empresa que declara autossuficiência no fornecimento de matéria-prima proveniente de florestas cultivadas. A companhia também utiliza áreas de bambu, que representam pouco mais de 10% de sua base florestal.
A ampliação da área de reflorestamento é considerada estratégica para sustentar o crescimento da indústria de etanol de milho, da produção de energia renovável e de outros segmentos industriais que dependem intensivamente de biomassa em Mato Grosso.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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