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Tarifaço dos EUA pressiona setor agrícola brasileiro e pode acelerar pedidos de Recuperação Judicial

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A partir de 1º de agosto, entra em vigor nos Estados Unidos o aumento das tarifas de importação de 10% para 50% sobre diversos produtos brasileiros. A medida representa uma ameaça significativa a cadeias produtivas fortemente dependentes do mercado externo, como as de café, suco de laranja, carne bovina e frutas frescas.

Com essa mudança, o setor agrícola nacional pode sofrer perdas expressivas na geração de receita, agravando ainda mais o cenário econômico de empresas que já enfrentam dificuldades financeiras. A elevação das tarifas tem potencial para acelerar o número de pedidos de Recuperação Judicial, especialmente entre empresas fragilizadas.

Setor já registra alta nos pedidos de Recuperação Judicial

De acordo com artigo dos advogados Cybelle Guedes Campos e Odair de Moraes Junior, sócios do escritório Moraes Junior Advogados, essa nova barreira comercial, embora não configure, por si só, um caso de força maior contratual, contribui para o agravamento da crise no agronegócio brasileiro.

Segundo dados da Serasa Experian, o setor agrícola registrou cerca de 400 pedidos de Recuperação Judicial no primeiro trimestre de 2025, o que representa uma alta de 21,5% em relação ao último trimestre de 2024.

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A jurisprudência brasileira admite que eventos externos e imprevisíveis — como desdobramentos geopolíticos ou mudanças abruptas em políticas comerciais — podem ser considerados elementos válidos para justificar o pedido de Recuperação Judicial, desde que a empresa comprove que perdeu sua capacidade de cumprir obrigações em função desses fatores, e não por má gestão.

Prevenção e planejamento são essenciais

Além da alternativa judicial, os especialistas alertam para a importância de medidas preventivas e estratégicas, como:

  • Renegociação de dívidas com credores
  • Revisão das receitas projetadas
  • Elaboração de planos de contingência

Em situações como essa, a inadimplência pode ativar cláusulas de vencimento antecipado em contratos de financiamento, aumentando ainda mais a pressão sobre as empresas do setor.

Recuperação Judicial como instrumento de reorganização

Diante de um cenário de volatilidade global, a recomendação dos especialistas é clara: a postura das empresas deve ser proativa. A preparação jurídica, financeira e estratégica é fundamental para garantir a continuidade das operações, a preservação dos empregos e da função social da empresa.

“A Recuperação Judicial deve ser compreendida como um instrumento legítimo de reorganização empresarial e proteção da atividade econômica”, reforçam os advogados.

Com a adoção de uma postura antecipada e bem planejada, é possível minimizar os impactos das novas tarifas e manter a sustentabilidade das operações do agronegócio brasileiro.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade

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Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.

Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.

O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.

A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.

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Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.

Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.

Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.

Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.

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Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.

Fonte: Pensar Agro

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