AGRONEGÓCIO

Irrigação por gotejamento se destaca no Plano Safra 2025/2026 com incentivos à sustentabilidade

Publicado em

Plano Safra 2025/2026 reforça crédito para agricultura sustentável

O Plano Safra 2025/2026, anunciado pelo Governo Federal, destina R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e traz um foco maior em práticas sustentáveis. Entre as prioridades de financiamento, a irrigação por gotejamento ganha destaque, beneficiada por taxas de juros mais baixas para produtores que adotam tecnologias voltadas ao uso racional da água e à preservação do solo.

Zoneamento Agrícola de Risco Climático passa a ser exigência para crédito

A partir deste ano, o crédito de custeio vincula-se amplamente ao cumprimento do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que restringe financiamentos em áreas ou períodos considerados de alto risco para perdas na produção. Além disso, produtores que investem em práticas sustentáveis, como irrigação localizada, fertirrigação e manejo de cobertura do solo, recebem bônus nas taxas de juros, favorecendo o acesso ao crédito.

Irrigação por gotejamento reduz desperdícios e melhora produtividade

Segundo Elidio Torezani, engenheiro agrônomo e diretor da Hydra Irrigações — primeira revenda Netafim do Brasil —, a irrigação por gotejamento oferece precisão na aplicação da água, evitando desperdícios e garantindo produtividade mesmo em condições climáticas desfavoráveis.

Leia Também:  CBNA debate soluções além da nutrição para aumentar eficiência da produção animal
Uso eficiente da água e proteção das plantas

A irrigação localizada entrega a água diretamente às raízes, diminuindo perdas por evaporação ou escorrimento. Isso aumenta a eficiência no uso de insumos, contribui para maior estabilidade na produção e é especialmente eficaz em solos frágeis ou regiões com chuvas irregulares.

“A técnica viabiliza a fertirrigação, reduz o uso de defensivos agrícolas e evita o encharcamento, comum nos sistemas tradicionais”, explica Torezani, que observa a aplicação da tecnologia tanto em grandes propriedades quanto em áreas menores com gestão técnica dedicada.

Incentivo à preservação e manejo sustentável do solo

O Plano Safra também destaca a importância da conservação do solo. Além do suporte à irrigação por gotejamento, o programa financia o plantio de culturas de cobertura, que protegem o solo durante a entressafra, ajudam a manter a umidade, previnem erosão e aumentam a fertilidade.

“O solo não é apenas suporte físico, mas um organismo vivo. Irrigar excessivamente ou de maneira inadequada pode causar compactação e perda de nutrientes. A irrigação planejada contribui para evitar esses problemas”, ressalta Torezani, cuja empresa está sediada em Linhares (ES).

Financiamento para práticas sustentáveis e continuidade dos descontos nos juros

O Plano Safra 2025/2026 também inclui recursos para ações como reflorestamento, prevenção de incêndios e aquisição de mudas e sementes nativas. O benefício de desconto de 0,5 ponto percentual nos juros para produtores que adotam práticas sustentáveis foi prorrogado e segue vigente, incentivando a sustentabilidade no campo.

Leia Também:  Queda nos Preços do Arroz no Rio Grande do Sul: Quase 25% de Desvalorização em 2025

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

Published

on

A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

Leia Também:  CBNA debate soluções além da nutrição para aumentar eficiência da produção animal
Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
Leia Também:  Preço do Milho Alcança Maior Valor em Três Anos no Brasil

O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA