AGRONEGÓCIO

Novas tarifas dos EUA podem impactar gravemente exportações brasileiras do agro

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A recente decisão dos Estados Unidos de elevar tarifas de importação para produtos brasileiros pode comprometer significativamente a competitividade do agronegócio nacional. A medida impacta diretamente setores estratégicos como café, celulose, carne bovina e suco de laranja. As informações são do relatório Radar Agro – Julho 2025, produzido pela Consultoria Agro do Itaú BBA.

Setores mais afetados

Segundo a análise da consultoria, os setores mais vulneráveis às tarifas de até 50% são:

  • Café
  • Celulose
  • Suco de laranja
  • Carne bovina
  • Sebos bovinos

Também foram citadas exportações menores, mas relevantes, como as de ovos e pescados.

Risco de inviabilidade nas exportações

A depender da manutenção das tarifas adicionais — como os 50% somados aos 26,4% já incidentes sobre a carne bovina — as exportações brasileiras podem se tornar inviáveis economicamente. Café e suco de laranja, atualmente com tarifa de 10%, também enfrentariam carga tarifária total próxima a 60%.

Impacto no câmbio e nos insumos

Com o anúncio das tarifas, o câmbio disparou, chegando próximo a R$ 5,60/USD no início do pregão. A desvalorização do real favorece a competitividade das exportações e pode estimular a comercialização de grãos como soja e milho. Por outro lado, o dólar elevado aumenta o custo dos insumos importados, como fertilizantes, que já vinham em alta.

Café: o impacto no maior mercado consumidor do mundo

Os EUA são o maior consumidor de café do planeta, com cerca de 25 milhões de sacas por ano, e o Brasil é o maior produtor de arábica, com 42% da produção mundial. Dada essa dependência, substituir o café brasileiro seria difícil, o que poderia gerar inflação no mercado americano e queda no consumo. Segundo a National Coffee Association (NCA), o setor gera 2,2 milhões de empregos diretos nos EUA, com salários somando US$ 100 bilhões.

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Sebos bovinos: quase toda exportação vai para os EUA

Cerca de 98% do sebo bovino exportado pelo Brasil tem como destino os EUA. Caso as tarifas sejam mantidas, haverá queda nas exportações e possível aumento da oferta doméstica. A Austrália e outros países da América do Sul podem assumir parte do mercado americano.

Açúcar e etanol: participação pequena, mas estratégica

As exportações de açúcar para os EUA representam cerca de 2% do total exportado pelo Brasil, com destaque para uma cota de 147 mil toneladas do Nordeste. Já no etanol, os EUA representam 15% das exportações brasileiras. Mesmo com a nova tarifa, será difícil para os americanos substituírem o etanol brasileiro, feito de cana-de-açúcar e com poucos substitutos no mercado global.

Celulose e madeira perfilada: risco de perda de mercado para o Canadá

As exportações brasileiras de celulose geraram US$ 1,7 bilhão em 2024, sendo o segundo produto agro mais exportado para os EUA, atrás apenas do café. Madeira perfilada gerou US$ 481 milhões. Com as tarifas, a competitividade frente a países como o Canadá pode cair, embora os EUA não sejam autossuficientes nesses produtos.

Carne bovina: tarifa pode chegar a 76,4% fora da cota

Mesmo com crescimento de 132% nas exportações de carne bovina in natura no primeiro semestre de 2025, a aplicação da nova tarifa pode tornar as vendas inviáveis. Hoje, o mercado americano representa 12% das exportações brasileiras, enquanto a China lidera com 49%. A ausência dos EUA pode pressionar os preços do boi gordo internamente.

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Suco de laranja: dependência americana do Brasil é alta

Com produção em queda na Flórida — afetada por greening e furacões —, os EUA devem importar mais de 90% do suco que consomem, sendo o Brasil o principal fornecedor. A tarifa adicional de 50%, somada aos US$ 415/t já existentes, elevaria o custo para US$ 2.600/t, desestimulando as compras. O México, segundo maior fornecedor, ganharia vantagem, já que está isento da nova tarifa.

Exportações do agro: ranking por valor (2024)

De acordo com dados do Comexstat citados no relatório do Itaú BBA, os principais produtos do agronegócio exportados do Brasil para os EUA foram:

  • Café em grão – US$ 1,9 bi
  • Celulose – US$ 1,7 bi
  • Suco de laranja – US$ 1,0 bi
  • Carne bovina desossada congelada – US$ 0,9 bi

A imposição de tarifas pelos Estados Unidos representa um risco direto à competitividade do agronegócio brasileiro em setores-chave. A depender dos desdobramentos diplomáticos e econômicos, os impactos podem ser de curto a médio prazo, exigindo atenção de produtores, exportadores e formuladores de políticas públicas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudantes indígenas conhecem história de Cuiabá em visita ao Complexo Biocultural do Porto

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Quarenta e dois estudantes da Escola Indígena Umutina, de Barra do Bugres, visitaram nesta sexta-feira (29) o Complexo Biocultural do Porto, em Cuiabá, conhecendo o Museu do Rio Cuiabá, o Aquário Municipal e a Orla do Porto. A atividade integrou uma programação educativa voltada à valorização do patrimônio cultural mato-grossense e ao fortalecimento da identidade dos povos originários.

Com idades entre 11 e 17 anos, os alunos participaram da visita acompanhados pelas professoras Eliane Boroponepa Monzilar, da Aldeia Boropó, e Ana Lúcia Calomezoré, da Aldeia Balotipone. O objetivo pedagógico foi conscientizar os estudantes sobre a importância da preservação do patrimônio cultural do Estado e promover reflexões sobre a história e as culturas indígenas.

A visita foi viabilizada pelo projeto Caminhos da Cultura, iniciativa criada em 2019 pelo artista plástico e produtor cultural Vicente Paulo. O projeto tem como proposta ampliar o acesso de estudantes da rede pública, além de comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, a museus, galerias e outros espaços de formação cultural. Desde sua criação, a iniciativa já aproximou mais de 11 mil alunos de equipamentos culturais em Mato Grosso.

“O projeto nasceu para proporcionar esse acesso aos estudantes da rede pública e também às comunidades tradicionais. Hoje estamos contemplando os Umutina, vindos de diferentes comunidades dessa grande nação indígena”, explicou Vicente Paulo.

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No Complexo Biocultural do Porto, os estudantes participaram de um roteiro guiado que apresentou aspectos históricos de Cuiabá por meio do acervo do Museu do Rio e das atrações do Aquário Municipal. A coordenadora pedagógica do Museu do Rio, Luana da Cruz Borema, explicou que o complexo está implantando um novo formato de recepção aos visitantes, com uma apresentação guiada que contextualiza a história da cidade antes da visita aos espaços expositivos.

Segundo ela, a proposta busca tornar a experiência mais educativa e aproximar os visitantes do patrimônio histórico e cultural de Cuiabá.

Para a professora Eliane Boroponepa Monzilar, a atividade representa uma oportunidade de intercâmbio de conhecimentos e de ampliação do repertório cultural dos estudantes.

“Esse projeto proporciona às crianças e aos jovens indígenas a oportunidade de conhecer outros saberes. Muitos deles nunca haviam visitado um museu. É uma troca importante entre o conhecimento do nosso povo e outros conhecimentos culturais, permitindo que compreendam melhor esses espaços e sua importância”, afirmou.

A fala da educadora reforça uma realidade observada em outras ações do Caminhos da Cultura. Em atividades recentes promovidas pelo projeto, estudantes da zona rural e de comunidades tradicionais também tiveram contato pela primeira vez com museus e espaços históricos da capital, vivenciando experiências que ampliam o aprendizado para além da sala de aula.

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A turismóloga Silvana Maria de Morais Abdala destacou o interesse demonstrado pelo grupo durante toda a visita. Segundo ela, as fotografias históricas e a maquete expostas no museu despertaram grande curiosidade entre as crianças e os adolescentes.

“Foi gratificante perceber o interesse deles em conhecer a história de Cuiabá e compreender melhor o espaço. As crianças, principalmente, demonstraram muita atenção e curiosidade durante toda a visita”, relatou a servidora, que atua há 18 anos na área do turismo.

Além do Complexo Biocultural do Porto, o roteiro dos estudantes incluiu visitas ao Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC), à Galeria Lava Pés e ao Museu de História Natural de Mato Grosso, consolidando um dia de atividades voltadas ao conhecimento, à cultura e à formação cidadã.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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