Saúde

SUS realiza cirurgia assistida de cardiopatia congênita entre Manaus e São Paulo

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O Ministério da Saúde realizou, na última quarta-feira (28), a primeira cirurgia cardíaca pediátrica com teleacompanhamento na região Norte. O procedimento, feito em uma criança de 1 ano e 4 meses, ocorreu no Hospital Francisca Mendes (HCFM), em Manaus (AM), com orientação em tempo real da equipe do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo. A iniciativa integra o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou a cirurgia de forma virtual, a partir de Brasília. “Estamos fortalecendo a capacidade local de atendimento, formando profissionais e garantindo que uma criança da Amazônia tenha o mesmo acesso e cuidado oferecidos nos grandes centros do país. Fiquei profundamente emocionado — é um marco que simboliza uma mudança de chave no SUS. Vamos usar toda a estrutura que o Brasil possui para reduzir o tempo de espera por atendimento médico especializado”. 

A coordenadora de cardiopatia congênita do HCor, Iêda Jatene, responsável pelo projeto em parceria com o Ministério da Saúde, destaca que a orientação a distância beneficia o paciente e toda a família. “A criança é atendida perto de casa, sem precisar se deslocar da sua região, no momento certo e com a mesma excelência, garantindo qualidade de vida no futuro”, afirma.  

Foto: Rodrigo Rosetti/MS.
Foto: Rodrigo Rosetti/MS.

A cirurgia foi realizada pelo médico George Butel, um dos três cirurgiões cardíacos pediátricos do Amazonas. Segundo ele, a troca de experiências entre as equipes, promovida pelo Proadi-SUS, tem sido essencial para qualificar o atendimento às crianças com cardiopatia congênita na região.  

“Os treinamentos e o telemonitoramento em tempo real nos permitem trocar conhecimentos e aprimorar técnicas. O Hospital Francisca Mendes já atua há quase uma década na cardiopatica congênita e atende pacientes de estados e até de países vizinhos”, afirma o cirurgião. 

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Expansão para o Nordeste 

Seguindo o mesmo modelo do Hospital Francisca Mendes, o Ministério da Saúde está estruturando dois centros cirúrgicos no Nordeste, em parceria com o HCor, por meio do Proadi-SUS. Os hospitais selecionados são o Hospital Infantil Albert Sabin, em Fortaleza (CE), e o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), em Recife (PE). 

A iniciativa prevê uma linha de cuidado integral, com acompanhamento das equipes locais desde o pré-operatório das crianças — incluindo consultas, exames e cirurgia — até o pós-operatório.  

Cardiopatia congênita 

A cardiopatia congênita é uma malformação na estrutura do sistema cardiocirculatório que surge nas primeiras oito semanas de gestação. Essas alterações podem comprometer a circulação e a respiração do bebê, exigindo, em muitos casos, intervenção precoce. 

No Brasil, estima-se que a cada mil nascidos vivos, 10 apresentem algum tipo de cardiopatia congênita — totalizando cerca de 29 mil casos por ano. Aproximadamente 80% dessas crianças precisam de cirurgia, muitas no primeiro ano de vida. 

O SUS oferece, gratuitamente, o Teste do Coraçãozinho — exame simples e indolor capaz de identificar problemas cardíacos logo após o nascimento. O atendimento especializado também é garantido por unidades que realizam cirurgias cardiovasculares pediátricas em 20 estados e no Distrito Federal. 

Como funciona a TAC   

A Teleorientação do Ato Cirúrgico (TAC) é uma tecnologia que permite o acompanhamento remoto, em tempo real, de cirurgias cardíacas pediátricas. O sistema realiza a transmissão simultânea de dados, vídeo e áudio, conectando salas cirúrgicas de hospitais participantes a um centro de referência, possibilitando orientação técnica durante todas as etapas do procedimento. 

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Na cirurgia realizada em Manaus, a sala do Hospital Francisca Mendes foi equipada com câmeras, incluindo dispositivos posicionados na testa dos cirurgiões. A equipe do HCor, em São Paulo, acompanhou o procedimento a partir da “sala espelho”, um ambiente digital onde os profissionais puderam visualizar todos os detalhes da cirurgia. A orientação ficou sob responsabilidade do cirurgião Marcelo Jatene, que conduziu a equipe local em tempo real.

Foto: Rodrigo Poncinelli/MS.
Foto: Rodrigo Poncinelli/MS.

Proadi-SUS

Criado em 2009, Proadi-SUS já beneficiou cerca de 5,6 milhões de pessoas até o quinto triênio (2021–2023), com investimento aproximado de R$ 11,5 bilhões. São cerca de 750 projetos voltados à gestão, assistência, capacitação, pesquisa e inovação no âmbito do SUS. 

O programa é financiado com recursos de imunidade tributária concedida a hospitais filantrópicos de excelência, que aplicam esses valores em projetos definidos pelo Ministério da Saúde e alinhados às prioridades do SUS. Até 30% dos recursos podem ser destinados a ações assistenciais de alta complexidade, como transplantes e cirurgias especializadas, ampliando o acesso da população a serviços estratégicos. 

Fazem parte do Proadi-SUS sete hospitais: A.C. Camargo Cancer Center, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa de São Paulo, HCor, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio-Libanês. 

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Padilha inaugura primeira base regional da Força Nacional do SUS e anuncia R$ 1,8 bilhão para o Grupo Hospitalar Conceição, 100% SUS

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, inaugurou nesta sexta-feira (2N-SUS), dando início à regionalização das operações da instituição em todo o país, um passo histórico para enfrentar as mudanças climáticas. A unidade será responsável pelo monitoramento, elaboração de diagnósticos situacionais e manutenção da prontidão para resposta a emergências em saúde pública nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

A nova base reforça a presença do SUS nos territórios e amplia a capacidade do país de proteger vidas. “A Força Nacional é uma estrutura de elite do SUS, com equipamentos e profissionais preparados para atuar nas situações mais críticas. Onde tem a Força Nacional do SUS, a vida está sendo defendida”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A regionalização da Força Nacional do SUS representa uma ampliação estratégica da capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) diante de eventos extremos, como desastres climáticos, surtos, epidemias e outras situações que demandem atuação rápida e coordenada entre os entes federativos. Até junho de 2027, a previsão é que oito bases regionais estejam em funcionamento em diferentes regiões do país.

Durante a agenda em Porto Alegre, Alexandre Padilha também apresentou um balanço das ações realizadas pelo Ministério da Saúde em resposta às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Ao todo, foram investidos cerca de R$ 1,4 bilhão para garantir atendimento à população, reconstruir serviços de saúde e fortalecer a capacidade de resposta do SUS diante da maior tragédia climática da história do estado.

GHC avança na estruturação do novo Complexo Hospitalar de Saúde Inteligente, 100% SUS

O ministro Alexandre Padilha assinou o termo aditivo da Parceria Público-Privada entre o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o avanço do novo Complexo Hospitalar de Saúde Inteligente, projeto que integra o conjunto de iniciativas do Governo do Brasil para modernizar a rede pública de saúde. O investimento de R$ 1,8 bilhão vai fortalecer, especialmente, a saúde da mulher, da criança e do adolescente, além de ampliar linhas de cuidado em áreas estratégicas.

O contrato inicial foi assinado em 28 de agosto de 2025 e é acompanhado pelo Ministério da Saúde. O aditivo amplia o escopo dos estudos técnicos e da modelagem do projeto, que será 100% SUS e representa uma iniciativa estratégica para a qualificação da assistência pública em saúde em Porto Alegre.

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O complexo vai contar com cerca de 750 leitos, mais de 41 salas cirúrgicas, UTIs pediátrica e neonatal, emergências especializadas, banco de leite e salas de fertilização. No modelo de gestão adotado, a assistência seguirá 100% pública e gratuita, sob responsabilidade do GHC, enquanto a concessionária privada ficará encarregada das obras, da compra de equipamentos, da manutenção e dos serviços não assistenciais.

Ministério da Saúde avança na medicina genômica e na saúde de precisão no SUS

O Ministério da Saúde, em parceria com o GHC, a Universidade Federal de Pelotas e a Tecnosul, vai ampliar o acesso de pacientes do SUS a exames de diagnóstico molecular e a tecnologias de medicina de precisão. A iniciativa integra assistência, ensino, pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico, com foco na qualificação do cuidado e no fortalecimento da rede pública de saúde.

Entre os principais objetos estão o sequenciamento de nova geração (NGS), utilizado para leitura de DNA e RNA em larga escala, além da reação em cadeia da polimerase (PCR) e suas variações, voltadas à detecção de genes específicos. O projeto também contempla outras metodologias de biologia molecular, transcriptômica e análise de biomarcadores. Com isso, o Ministério da Saúde reforça a estratégia de incorporar inovação ao SUS e ampliar a capacidade de diagnóstico e cuidado em saúde de precisão.

Rio Grande do Sul recebe R$ 14 milhões em veículos do Novo PAC Saúde e do Agora Tem Especialistas

A agenda incluiu a entrega de 41 veículos, que beneficiarão 41 municípios do estado, com foco em encurtar distâncias para quem mais precisa. São 19 vans e ambulâncias que integram o programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde e garantem transporte adequado e seguro para pacientes a consultas, exames e procedimentos especializados fora de seus municípios. Para o reforço da Atenção Primária, o estado também receberá 15 Unidades Odontológicas Móveis e 7 ambulâncias do SAMU 192.

Visita à Unidade de Saúde Parque dos Maias

O ministro também visitou a Unidade de Saúde Parque dos Maias para acompanhar o funcionamento do turno noturno e verificar os impactos da ampliação do acesso à saúde na rotina da população. Em 12 meses, a unidade consolidou o terceiro turno, passando de 65 atendimentos em junho de 2025 para 729 em maio de 2026. Nesse período, foram 6.690 atendimentos realizados no horário estendido, o que contribuiu para a ampliação da capacidade assistencial da unidade.

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No total, a unidade alcançou 36.452 atendimentos gerais, um aumento de 9.863 atendimentos em relação ao período anterior, que somou 26.589. Os resultados reforçam o impacto direto da implantação do terceiro turno e do reforço das equipes na ampliação do acesso da população aos serviços de saúde.

R$ 1,4 bilhão investidos pós-enchentes no Rio Grande do Sul

Em resposta às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024, o Ministério da Saúde investiu cerca de R$ 1,4 bilhão para reconstruir serviços de saúde e fortalecer a capacidade de resposta do SUS diante da maior tragédia climática da história do estado. Desse total, R$ 463,3 milhões foram destinados a novas obras, reformas e aquisição de equipamentos para unidades básicas de saúde, hospitais e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), beneficiando 33 municípios gaúchos. E mais de R$ 810 milhões para custeio.

O Ministério da Saúde já empenhou R$ 197,7 milhões para a recuperação de 101 estabelecimentos, com 60 obras em execução e 11 já concluídas. Até o momento, mais de R$ 87 milhões foram repassados aos municípios para viabilizar as intervenções. 

Entre as principais ações realizadas durante a emergência, destaca-se a instalação de quatro hospitais de campanha, a abertura de 919 leitos, a realização de mais de 25 mil atendimentos pela Força Nacional do SUS, o envio de 32 toneladas de medicamentos e insumos, a entrega de 30 ambulâncias do SAMU 192 e a distribuição de 135 kits de emergência com capacidade para atender até 202 mil pessoas por três meses. Também foram entregues 2,8 milhões de doses de vacinas, além de mais de 11,8 milhões de unidades de medicamentos da assistência farmacêutica, beneficiando aproximadamente 8,4 milhões de pessoas.

Camila Marques
Rafaelle Pereira
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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