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Projeto de melhoramento genético da raça Purunã deve ampliar oferta e melhorar qualidade da carne no Paraná

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O Governo do Estado do Paraná investe R$ 1,1 milhão no projeto “Purunã – Genômica”, que visa fortalecer o papel do estado na produção nacional de carne bovina. A iniciativa desenvolve um programa de melhoramento genético da raça Purunã, utilizando tecnologia genômica avançada para ampliar a oferta e elevar a qualidade da carne produzida.

Raça Purunã ganha destaque nacional

A raça Purunã, desenvolvida no Paraná, já desperta interesse de pecuaristas em diversos estados por sua adaptabilidade a diferentes ambientes e excelente desempenho para corte. O projeto busca aprimorar ainda mais essas características por meio da seleção genética de animais superiores, resultando em futuras gerações mais produtivas.

Apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Fundação Araucária

O investimento é realizado por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e da Fundação Araucária. Luiz Márcio Spinosa, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, destaca que a iniciativa une competências do Paraná em genômica e pecuária, promovendo avanços na competitividade do setor agropecuário.

Objetivos do programa: eficiência e resistência

O projeto tem como foco principal identificar animais com genótipos superiores, que garantam maior desempenho produtivo. Segundo o coordenador José Luis Moletta, pesquisador do IDR-Paraná, a meta é selecionar bovinos mais precoces e eficientes, reduzindo o tempo de criação e aumentando a renda do produtor.

Outro ponto fundamental é a identificação de animais com maior resistência a carrapatos, o que contribui para reduzir custos de manejo e melhorar o bem-estar animal.

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Seleção genômica e avanços futuros

A seleção genômica, segundo o professor Bruno Ambrozio Galindo (UENP), permite maior precisão na escolha dos melhores animais, usando análises avançadas de DNA para atribuir valores genéticos. Além disso, a metodologia GWAS (Associação Genética Ampla) será aplicada para identificar genes relacionados a características específicas, como resistência a parasitas.

No futuro, o programa pretende incluir outros aspectos, como marmoreio da carne, maciez, eficiência alimentar, características reprodutivas e até redução da emissão de gases de efeito estufa.

Funcionamento prático do projeto

Cada animal da raça Purunã fornecerá uma amostra de DNA para análise de aproximadamente 100 mil marcadores moleculares (SNPs). Com esses dados, será feita uma avaliação genética que permitirá classificar os animais de acordo com seu potencial produtivo, facilitando a seleção dos melhores exemplares para reprodução.

Crescimento do rebanho paranaense

O Paraná possui cerca de 3,5 mil animais Purunã, dos quais 3 mil estão em fazendas experimentais do IDR-Paraná e da UFPR. A próxima etapa do projeto envolve a multiplicação dos melhores animais por meio de tecnologias reprodutivas, como Transferência de Embriões (TE) e Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF).

O pesquisador Alexandre Leseur dos Santos (UFPR) explica que essa estratégia permitirá expandir rapidamente o rebanho para atender à demanda dos produtores interessados, incluindo parcerias com criadores de leite para diversificação das atividades rurais.

Rede colaborativa e parcerias internacionais

Além das instituições paranaenses, o projeto conta com a colaboração de pesquisadores internacionais, como Flávio S. Schenkel (University of Guelph, Canadá) e Daniele Lourenço (University of Georgia, EUA), que participam do desenvolvimento das ferramentas genômicas utilizadas.

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Há também parcerias com a Associação Brasileira de Criadores de Purunã, Embrapa, Universidade Federal de Santa Maria e Universidade Federal do Oeste do Pará (Unioeste).

História e características da raça Purunã

O desenvolvimento da raça começou na década de 1980 no IDR-Paraná, com o objetivo de criar um bovino sintético adaptado às necessidades dos criadores locais. O Purunã é resultado de cruzamentos controlados entre Caracu, Canchim, Charolês e Angus, combinando rusticidade, resistência a parasitas, bom rendimento de carcaça e carne de alta qualidade.

Oficialmente reconhecida pelo Ministério da Agricultura em 2016, a raça é gerida pela Associação Brasileira de Criadores da Raça Purunã (ABCP), que controla o registro genealógico dos animais.

O nome Purunã homenageia a Serra do Purunã, região próxima à unidade de pesquisa onde a raça foi desenvolvida.

Destaques produtivos da raça

A Purunã destaca-se por sua robustez, adaptação climática, precocidade no ganho de peso, temperamento dócil e carne marmorizada. As fêmeas apresentam boa habilidade materna e produção de leite, beneficiando o crescimento dos bezerros. A raça pode ser usada tanto em sistema puro quanto em cruzamentos com vacas Nelore, principalmente para terminação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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