AGRONEGÓCIO
Relatório Agro Mensal do Itaú BBA aponta queda nos preços do boi gordo em maio
Publicado em
29 de maio de 2025por
Da Redação
Preços do boi gordo recuam apesar de exportações fortes
Em maio, os preços do boi gordo caíram, movimento esperado neste período de safra. Apesar do volume expressivo de exportações, os preços das carcaças no mercado interno registraram queda, pressionando também o valor do boi. Em contrapartida, o preço do bezerro apresentou alta, dificultando a reposição para os terminadores.
Exportações em alta e recorde histórico em abril
As exportações brasileiras de carne bovina continuaram robustas em abril, alcançando um recorde para o mês com 242 mil toneladas de carne in natura, 16% acima do mesmo período do ano anterior, mesmo com cinco dias úteis a menos. No acumulado de janeiro a abril, o crescimento foi de 13%. O preço médio da carne embarcada subiu 3% em relação a março, chegando a cerca de USD 5 mil por tonelada. Esse desempenho tem sido fundamental para sustentar os preços, especialmente diante da forte oferta de gado terminado neste ano.
Dados sobre abates indicam aumento no volume, mas produção menor
Dados preliminares do IBGE mostraram que o total de abates no primeiro trimestre de 2025 cresceu 3,8% em comparação ao mesmo período do ano passado. No entanto, a produção de carne aumentou apenas 1,6%, reflexo da maior participação de fêmeas no abate. Segundo o INDEA/IMEA, em abril, 57% dos animais abatidos no Mato Grosso foram fêmeas, percentual superior ao do ano anterior. No acumulado do quadrimestre, o abate de fêmeas cresceu 6%, enquanto o de machos caiu 9%, resultando em uma redução de 1% no total abatido no estado.
Preços do boi gordo perdem força em São Paulo
No mercado físico, os preços do boi gordo começaram a enfraquecer a partir do final de abril. Em São Paulo, o valor chegou próximo a R$ 300/@ em 21 de maio, uma queda de cerca de 5% em relação ao início do mês. A oferta maior, típica da safra, combinada com a redução nos preços das carcaças, tem restringido a recuperação do valor do boi.
Alta no preço do bezerro dificulta reposição
Enquanto o boi gordo recuou, o preço do bezerro se manteve estável, com a média parcial de maio (até dia 21) 4% superior à de abril. Esse aumento prejudica a relação de troca e encarece a reposição dos animais para engorda.
Pressão nos preços do boi no curto prazo
A queda nos preços do boi gordo também impactou as cotações futuras, especialmente para contratos de curto prazo, como o de maio, que perdeu R$ 20/@ em relação ao fechamento há 30 dias. Além da maior oferta típica do período, um fator adicional que pode pressionar o mercado é o possível aumento da oferta de carne de frango no mercado interno, devido ao fechamento temporário das exportações após o surto de gripe aviária no Rio Grande do Sul.
Expectativa para exportações e oferta de gado terminado
Apesar da pressão de curto prazo, as exportações devem continuar firmes, ajudando a absorver a oferta de gado terminado nos próximos dois meses. O fluxo de embarques para a China, principal mercado, aumentou 8% no comparativo anual, e para os Estados Unidos, a alta foi expressiva, de 130%. Esses dados indicam uma demanda sustentada, especialmente pelos altos preços da carne bovina nesses países. No entanto, o período de safra deve manter os preços do boi em níveis mais contidos.
Margens e desafios para o confinamento
As margens para confinamentos seguem favoráveis durante a entressafra, estimulando a engorda intensiva. No entanto, o primeiro levantamento do IMEA sobre intenção de confinamento para 2025 aponta uma queda esperada de 7,65% em relação a abril do ano anterior. Os principais desafios citados são o custo da reposição e da alimentação, sendo que o animal magro representa cerca de 75% do custo total do confinamento. Por outro lado, a perspectiva de preços do milho melhorou, com uma boa safra da segunda temporada, o que deve reduzir custos no segundo semestre.
Impacto do mercado de frango no curto prazo
Um ponto de atenção para o curto prazo é o mercado de frango, que pode ampliar a oferta interna do produto não exportado devido às restrições temporárias nas exportações, o que pode pressionar os preços da carne bovina justamente em um momento de pico da safra do boi gordo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro
Published
20 horas agoon
26 de setembro de 2026By
Da Redação
A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.
A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.
A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.
Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.
O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.
A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.
O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.
Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.
Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.
A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.
Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.
O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.
A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.
Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.
Fonte: Pensar Agro
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