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Gripe aviária no Brasil pode provocar quebras contratuais e pedidos de recuperação judicial no setor avícola

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Força maior e a quebra de contratos

Segundo a advogada Ieda Queiroz, especialista em direito empresarial e coordenadora do setor de agronegócios do CSA Advogados, contratos entre produtores e importadores normalmente preveem multas em caso de não entrega da carne de frango dentro do prazo. Porém, diante da situação extraordinária causada pelo surto, essas penalidades podem não ser aplicadas.

“No Direito Internacional, o conceito de force majeure (força maior) impede que fornecedores sejam cobrados antecipadamente e que compradores exijam penalidades, já que o problema afeta ambas as partes. Durante a crise, a rescisão contratual fica suspensa”, explica Ieda.

O desafio judicial e o efeito cascata na cadeia produtiva

O Judiciário terá em breve o desafio de decidir se a gripe aviária se enquadra como força maior, o que pode gerar uma reação em cadeia com a quebra de vários contratos. “Essa situação é crítica, pois o produtor precisará renegociar outros acordos para que o evento de força maior seja reconhecido em diferentes contratos, suspendo obrigações”, alerta Ieda Queiroz.

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Impactos para exportadores e fluxo de caixa

Frederico Favacho, advogado especialista em agronegócios do Santos Neto Advogados, destaca que a crise afeta também os exportadores. “Ainda não se sabe qual será a duração do embargo às exportações brasileiras de carne de frango, que pode durar cerca de 20 dias se não houver novos casos. Mesmo assim, a suspensão ou rescisão dos contratos de exportação deve impactar o fluxo de caixa das empresas, com efeitos que variam conforme os desdobramentos”, aponta.

Consequências econômicas e possíveis recuperações judiciais

Para Ieda Queiroz, mesmo com o controle do surto e a retomada das exportações, a redução das matrizes reprodutivas deve pressionar os preços para cima, afetando principalmente os produtores que precisaram sacrificar áreas inteiras de produção.

“A avicultura do Rio Grande do Sul já vinha enfrentando dificuldades desde abril do ano passado, quando enchentes recordes atingiram a região. Essa crise atual poderá gerar uma reação em cadeia que atinge produtores, abatedouros, exportadores e até o ecossistema local, com a possibilidade real de processos de recuperação judicial”, conclui.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de café na Ásia enfrenta escassez de oferta e preocupa traders com riscos climáticos do El Niño

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O mercado de café no Sudeste Asiático segue operando com oferta restrita e baixa liquidez nas últimas semanas, em um cenário marcado pela retenção de vendas no Vietnã, atrasos na colheita da Indonésia e crescente preocupação com os impactos climáticos associados ao possível retorno do fenôeno El Niño. A avaliação é da Hedgepoint Global Markets, que monitora o comportamento do mercado global da commodity.

Segundo a análise, o Vietnã — maior produtor mundial de café robusta — registrou forte desempenho nas exportações até abril da safra 2025/26, embarcando 18,6 milhões de sacas, volume 23,9% superior ao observado no mesmo período do ciclo anterior.

Vietnã reduz disponibilidade de café após vendas aceleradas

De acordo com a Hedgepoint Global Markets, os produtores vietnamitas aproveitaram os preços elevados, a maior oferta da safra e a menor presença do Brasil nas exportações nos últimos meses para intensificar as vendas no início da temporada.

Com grande parte da produção já comercializada e o país entrando no período de entressafra, os produtores passaram a reduzir o ritmo de novos negócios, diminuindo a disponibilidade de café no mercado internacional.

Esse movimento levou compradores a buscar alternativas na Indonésia. No entanto, o país também enfrenta dificuldades de oferta.

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Chuvas atrasam colheita de café na Indonésia

As chuvas intensas registradas nas últimas semanas provocaram atrasos no início da colheita da safra 2026/27 da Indonésia, reduzindo a disponibilidade imediata do produto e limitando os volumes exportados.

“A safra 26/27 da Indonésia tinha previsão de começar em abril, com volumes maiores chegando ao mercado a partir de maio. No entanto, chuvas intensas ao longo do mês passado atrasaram o início da colheita, limitando a disponibilidade de café”, afirma Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

Oferta restrita sustenta preços do café robusta

O cenário de menor disponibilidade na Ásia também tem sustentado os preços internacionais do café robusta, principalmente porque a entrada da safra brasileira 2026/27 ainda ocorre de forma lenta, apesar da expectativa de produção recorde.

Outro fator que contribui para o suporte das cotações é o fortalecimento do real frente ao dólar, condição que reduz o interesse de produtores brasileiros em acelerar vendas no curto prazo.

El Niño amplia preocupações para próximas safras

Além das restrições imediatas de oferta, o clima segue no radar do mercado cafeeiro global. No Vietnã, abril registrou chuvas abaixo da média após um março mais úmido, aumentando as preocupações sobre a floração e o desenvolvimento das lavouras.

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As atenções do mercado se concentram na possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño ao longo do segundo trimestre, fenômeno que pode afetar a disponibilidade hídrica nas regiões produtoras.

“Até o momento, nenhum impacto negativo foi relatado, e chuvas adicionais são esperadas nos próximos dias, o que deve proporcionar algum alívio aos agricultores”, destaca Laleska Moda.

Segundo a analista, os maiores riscos climáticos ainda estão concentrados nas próximas temporadas.

“Os principais riscos são vistos atualmente para a safra 27/28, já que o El Niño poderia restringir a disponibilidade de água para irrigação e atrasar a floração do café”, afirma.

Mercado segue atento à oferta global de café

Com estoques reduzidos no Vietnã, atraso da colheita na Indonésia e incertezas climáticas para os próximos ciclos, o mercado internacional de café segue monitorando de perto a evolução da oferta asiática.

A combinação entre menor disponibilidade imediata e riscos climáticos futuros mantém o setor em alerta e reforça a volatilidade nas cotações globais do café robusta.

Fonte: Portal do Agronegócio

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