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Deputados da Frente Agropecuária cobram ministro do Desenvolvimento Agrário por omissão diante de invasões do MST

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Em audiência realizada nesta terça-feira (6), na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) cobraram explicações do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, sobre a atuação da pasta diante do aumento nas invasões de terras atribuídas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os deputados apontaram omissão do governo federal e criticaram a presença de integrantes do movimento em comitês voltados à promoção da paz no campo.

Crescimento das invasões e críticas à gestão do MDA

O presidente da CAPADR e coordenador da Comissão de Seguro Rural da FPA, deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), destacou que, apenas no primeiro ano da gestão de Paulo Teixeira, foram registradas 72 invasões de terras. Segundo ele, esse número supera o total verificado entre 2019 e 2022.

Para Nogueira, a participação de pessoas ligadas ao MST em comitês de pacificação rural gera desconfiança sobre a relação entre o governo, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e movimentos sociais. “O que vemos é uma conivência e uma omissão absurda de todos do governo”, declarou o deputado.

Apropriação de conceitos e ideologização da reforma agrária

O deputado Evair de Melo (PP-ES), coordenador de Direito de Propriedade da FPA, acusou o MST de se apropriar de conceitos importantes para o setor, como “reforma agrária” e “agricultura familiar”, com fins ideológicos.

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Para ele, a reforma agrária não pertence ao MST nem a partidos políticos, e defendeu que ações nesse sentido devem ocorrer dentro da legalidade. “Onde há reforma justa e correta, o MST não aparece”, afirmou.

Famílias assentadas vivem em situação de abandono

A deputada Carolina de Toni (PL-SC) também se pronunciou, destacando a realidade enfrentada por milhares de famílias assentadas. Segundo ela, essas pessoas permanecem sem acesso à dignidade e aguardam há anos a regularização fundiária com títulos provisórios ou definitivos.

Carolina lembrou que, ainda em 2016, havia um “movimento clandestino” decidindo quais terras seriam ocupadas. Ela criticou duramente o atual governo, afirmando que, desde 2023, houve um retrocesso nas exigências legais para beneficiários da reforma agrária. “As famílias vivem em pobreza, muitas sem sequer alcançar um salário mínimo por mês com sua produção”, disse.

A parlamentar acrescentou que o Brasil dispõe de 87 milhões de hectares destinados à reforma agrária, superando os 61 milhões de hectares utilizados no cultivo de grãos. Segundo ela, os beneficiários enfrentam um modelo de gestão que não garante dignidade, mas sim exclusão e dependência. “Talvez seja uma estratégia de puro clientelismo político”, concluiu.

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Produtores do RS seguem desassistidos após tragédia climática

O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) aproveitou a audiência para denunciar o abandono de produtores rurais do Rio Grande do Sul após as fortes chuvas que devastaram o estado em 2024. Segundo ele, o governo federal não tem oferecido suporte adequado, mesmo um ano após a tragédia.

Van Hattem criticou a falta de acesso ao crédito e a programas de recuperação, como o Desenrola Brasil, e afirmou que muitos agricultores que perderam tudo seguem sem assistência. “Produtores que trabalharam a vida toda estão desamparados. O governo não oferece nenhum tipo de ajuda real”, lamentou.

Falta de respostas e ausência de ministra agravam frustração

Ao final da audiência, deputados da FPA manifestaram insatisfação com as respostas apresentadas pelo ministro Paulo Teixeira, que, segundo eles, não esclareceu pontos importantes levantados durante a reunião. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que também havia sido convocada para prestar esclarecimentos à CAPADR nesta quarta-feira (7), informou que não poderá comparecer à sessão.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra Irã-EUA eleva preços de fertilizantes e já pressiona custos da safra 2026/2027

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A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã já provoca impacto direto sobre os custos do agro. Os preços da ureia subiram entre 33% e 48% nas últimas semanas, enquanto a amônia anidra avançou cerca de 39%, em um movimento puxado pela alta do gás natural e pelas restrições logísticas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para exportação de insumos.

O Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), sente o reflexo imediato. Parte relevante da ureia utilizada no País vem do Oriente Médio, o que amplia a exposição ao conflito e eleva o risco de novos aumentos no curto prazo.

O impacto ocorre justamente no momento de planejamento da safra 2026/27. Com custos mais altos, produtores começam a rever estratégias, postergar compras e buscar alternativas para reduzir o peso dos insumos no orçamento, especialmente em culturas como soja e milho, mais intensivas em fertilização.

Além da matéria-prima, o frete também entrou na equação. A tensão na região elevou o preço do petróleo e aumentou o custo do transporte marítimo, pressionando ainda mais o preço final dos fertilizantes no Brasil.

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Diante desse cenário, o governo federal discute medidas para amortecer o impacto. Entre as alternativas está a criação de um mecanismo de subvenção para fertilizantes dentro do Plano Safra 2026/27, com uso de crédito subsidiado para reduzir o custo ao produtor.

Outra frente envolve ações estruturais. O governo pretende ampliar a produção nacional por meio do Plano Nacional de Fertilizantes e de linhas de financiamento via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na tentativa de reduzir a dependência externa, considerada um dos principais gargalos do setor.

Do lado produtivo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tem pressionado por medidas emergenciais, como a redução de custos logísticos e tributários, incluindo pedidos de isenção do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), taxa cobrada sobre o transporte marítimo, que encarece a importação de fertilizantes.

Na prática, a combinação de alta dos insumos, frete mais caro e incerteza geopolítica cria um ambiente de maior risco para o produtor. A definição dos custos da próxima safra deve ocorrer sob volatilidade elevada, com impacto direto sobre margem e decisão de plantio.

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Fonte: Pensar Agro

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