AGRONEGÓCIO

Mercados asiáticos registram movimentos mistos em meio a incertezas sobre tarifas dos EUA

Publicado em

Desempenho dos mercados chineses

As principais bolsas da China encerraram o pregão desta terça-feira (29) com leve queda, refletindo a cautela dos investidores diante da falta de clareza sobre os próximos passos da política tarifária dos Estados Unidos e seus possíveis efeitos sobre a economia chinesa.

O índice de Xangai recuou 0,05%, enquanto o CSI300 — que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen — teve baixa de 0,17%.

Setores em destaque

Entre os segmentos que compõem o CSI300, o subíndice financeiro caiu 0,39%, o de bens de consumo básicos recuou 0,51% e o setor de saúde perdeu 0,34%. Já o subíndice do setor imobiliário encerrou o dia praticamente estável, sem variação significativa.

Alta em Hong Kong impulsionada por tecnologia

Em contrapartida, o índice Hang Seng, de Hong Kong, apresentou ligeira valorização de 0,16%, encerrando a sessão aos 22.008 pontos. As ações de tecnologia lideraram os ganhos no mercado local, com alta de 0,6%, refletindo maior apetite por papéis do setor.

Leia Também:  Café arábica avança mais de 2% em Nova York com incertezas na oferta
Cenário político e guerra comercial

O ambiente geral continua marcado pela tensão, com os investidores monitorando a disputa tarifária em curso entre os Estados Unidos e a China — as duas maiores economias do mundo.

Na segunda-feira (28), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou em entrevista que cabe à China reduzir as tarifas, sinalizando uma postura mais firme por parte de Washington e adicionando incertezas ao processo de negociação comercial.

Enquanto isso, Pequim tem adiado o anúncio de novos estímulos econômicos, numa tentativa de manter a estabilidade e pressionar os Estados Unidos a cederem primeiro.

Panorama de outras bolsas asiáticas

A maioria das demais bolsas da região asiática registrou desempenhos variados:

  • Tóquio (Nikkei): permaneceu fechado no dia.
  • Seul (Kospi): valorização de 0,65%, encerrando a 2.565 pontos.
  • Taiwan (Taiex): alta de 0,99%, fechando a 20.232 pontos.
  • Cingapura (Straits Times): queda de 0,17%, aos 3.805 pontos.
  • Sydney (S&P/ASX 200): avanço de 0,92%, atingindo 8.070 pontos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Leia Também:  Dólar recua diante de incertezas sobre tarifaço de Trump e debates fiscais no Brasil

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

El Niño e fertilizantes mais caros ameaçam desempenho do agro e podem reduzir produção brasileira até 2027

Published

on

Depois de impulsionar a economia brasileira nos últimos anos, o agronegócio começa a enfrentar um cenário mais desafiador. A combinação entre a possível formação do fenômeno El Niño, o aumento dos preços dos fertilizantes, juros elevados e a queda nas cotações de commodities agrícolas acende um sinal de alerta para produtores e analistas do setor.

Embora a agropecuária tenha registrado crescimento de 2% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do IBGE, especialistas avaliam que o desempenho tende a perder força nos próximos meses, com reflexos mais significativos sobre a produção e a rentabilidade em 2027.

Crescimento do agro perde impulso após ciclo excepcional

O resultado positivo do início do ano foi sustentado principalmente pela colheita de grãos, especialmente da soja, cuja produção se concentra nos primeiros meses do calendário agrícola.

No entanto, o setor parte agora de uma base de comparação elevada. Em 2025, o agronegócio brasileiro registrou expansão de 12%, impulsionado por uma combinação favorável de fatores climáticos, recordes de produção e elevado volume de abates na pecuária.

Segundo analistas do mercado, aquele cenário foi marcado por uma conjuntura excepcional, difícil de ser repetida nos próximos anos.

Além disso, a ampla oferta global de grãos e os elevados estoques internacionais vêm pressionando os preços das commodities agrícolas. A valorização do real frente ao dólar também reduz a receita dos exportadores brasileiros em moeda nacional, afetando especialmente produtores de soja, milho, algodão e café.

El Niño pode atrasar plantios e comprometer safra de 2027

A principal preocupação do setor está relacionada à possível formação do El Niño nos próximos meses. Meteorologistas indicam elevada probabilidade de consolidação do fenômeno entre junho e julho deste ano.

Caso confirmado, os impactos sobre a agricultura brasileira deverão ocorrer principalmente durante o plantio da próxima safra, com reflexos diretos na produção de 2027.

Leia Também:  Mercado de Café Registra Alta com Preocupações sobre a Oferta Global

O El Niño altera os padrões climáticos no país, provocando estiagens em importantes regiões produtoras do Centro-Norte e excesso de chuvas no Sul.

Entre as áreas mais vulneráveis estão os estados que compõem o Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — além de Mato Grosso e Pará, regiões estratégicas para a produção de soja, milho, algodão e pecuária de corte.

No Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, o excesso de precipitações pode comprometer culturas como o arroz e dificultar operações de campo.

Especialistas alertam que, embora a maior parte da safra atual já esteja implantada, o fenômeno poderá provocar atrasos no calendário agrícola, necessidade de replantio e aumento dos custos operacionais dos produtores.

Fertilizantes mais caros elevam custos de produção

Outro fator que preocupa o setor é a escalada dos preços dos fertilizantes, impulsionada pelas tensões geopolíticas e pelos conflitos no Oriente Médio.

Embora os efeitos sobre os preços dos alimentos ainda não sejam imediatos, os produtores já enfrentam aumento significativo nos custos para aquisição dos insumos que serão utilizados nas próximas safras.

A elevação dos preços pode levar muitos agricultores a reduzir a quantidade aplicada nas lavouras ou optar por fertilizantes de menor concentração nutricional, alternativas que comprometem o potencial produtivo das culturas.

Além da redução da eficiência agronômica, o uso de produtos menos concentrados também aumenta despesas logísticas, uma vez que exige maiores volumes para atingir os mesmos níveis de fertilização.

Como consequência, crescem os gastos com transporte, armazenagem, operações mecanizadas e consumo de combustível.

Juros altos ampliam pressão sobre produtores rurais

O cenário de crédito mais caro também contribui para aumentar a cautela no campo.

Leia Também:  Receita das exportações brasileiras de carne suína em abril é a segunda maior da história

Com taxas de juros elevadas, muitos produtores enfrentam dificuldades para financiar custeio, investimentos e aquisição de insumos. O encarecimento do crédito reduz a capacidade de expansão das áreas cultivadas e limita a adoção de tecnologias capazes de elevar a produtividade.

Esse ambiente de maior restrição financeira pode comprometer a competitividade de parte do setor, especialmente entre médios e pequenos produtores.

Pecuária entra em nova fase do ciclo produtivo

Na pecuária bovina, o mercado passa por um movimento conhecido como virada de ciclo pecuário.

Após anos de abates elevados, incluindo grande participação de matrizes, os produtores iniciaram um processo de retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos e ampliação da produção futura de bezerros.

Embora seja um movimento natural da atividade, a mudança reduz temporariamente a oferta de animais para abate, influenciando a dinâmica do mercado de carne bovina nos próximos anos.

Perspectiva para o agronegócio exige atenção redobrada

As projeções indicam que o agronegócio brasileiro continuará desempenhando papel fundamental na economia nacional, mas enfrentará um ambiente mais complexo do que o observado nos últimos ciclos.

A combinação entre riscos climáticos, custos elevados de produção, crédito mais caro e pressão sobre os preços das commodities exige planejamento estratégico, gestão eficiente e maior adoção de tecnologias para preservar margens e garantir competitividade.

Para especialistas, os impactos mais relevantes desse novo cenário deverão ser sentidos ao longo de 2027, quando os efeitos do El Niño e dos fertilizantes mais caros poderão refletir diretamente sobre os volumes produzidos e os resultados econômicos do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA