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Projeto global aposta na clonagem de sementes para revolucionar a agricultura africana

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A reprodução natural das plantas está no centro de uma inovadora iniciativa internacional que busca transformar a produtividade agrícola na África Subsaariana. Trata-se do projeto Hy-Gain, liderado pela professora Anna Koltunow, da Universidade de Queensland, com financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates. A proposta visa permitir que pequenos agricultores armazenem e replantem sementes híbridas de alto rendimento — como as de sorgo e feijão-caupi — sem perda das características genéticas vantajosas ao longo das gerações.

O diferencial da pesquisa está na utilização da apomixia, um processo reprodutivo que possibilita a formação de sementes sem a ocorrência de meiose ou fertilização. Atualmente, sementes híbridas perdem qualidade genética nas gerações seguintes devido à reprodução sexual, que provoca o rearranjo genético e desfaz os cruzamentos vantajosos obtidos nos programas de melhoramento.

O projeto Hy-Gain propõe uma solução tecnológica de ponta: a introdução de interruptores genéticos que induzam as plantas a produzir sementes clonadas da matriz híbrida. Dessa forma, as sementes manteriam suas características superiores de produtividade e resiliência mesmo após múltiplos ciclos de cultivo.

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Avanços científicos com foco no agricultor local

A iniciativa é uma continuidade de pesquisas anteriores lideradas por Koltunow, que demonstraram ser possível, com poucas alterações genéticas, converter o modo de reprodução das plantas de sexual para assexual. No estágio atual, a equipe trabalha no desenvolvimento de plantas-protótipo adaptadas às condições ambientais da África Subsaariana, com ênfase em produtividade e resistência.

O projeto também valoriza o protagonismo das comunidades locais, promovendo a escolha, pelos próprios agricultores, das variedades que melhor atendem às suas necessidades. Essa abordagem fortalece a autonomia dos produtores e assegura que os resultados da pesquisa sejam aplicáveis de forma prática e sustentável no campo.

Impacto global e potencial revolucionário

Caso alcance os resultados esperados, a tecnologia Hy-Gain poderá não apenas impulsionar a produção agrícola nos países africanos, como também beneficiar programas de melhoramento genético em outras partes do mundo, incluindo a Austrália.

A promessa do projeto é transformar a forma como os grãos são cultivados globalmente, ao combinar inovação científica, autonomia agrícola e segurança alimentar. Ao explorar a clonagem de sementes via apomixia, o Hy-Gain abre caminho para um novo paradigma na agricultura, com impactos duradouros na produtividade e na sustentabilidade do setor agrícola mundial.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Bioestimulantes ganham espaço nos pomares e ajudam frutas a resistirem ao estresse climático

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Estresse climático desafia produção de frutas no Brasil

A fruticultura brasileira enfrenta desafios crescentes diante das oscilações climáticas e das mudanças nas condições ambientais. Culturas como citros, uva, maçã e manga estão entre as mais sensíveis aos chamados estresses abióticos, provocados por fatores como escassez hídrica, altas temperaturas e salinidade do solo.

Essas condições afetam diretamente o desenvolvimento das plantas, comprometendo tanto a produtividade quanto a qualidade final dos frutos. Diante desse cenário, produtores vêm ampliando o uso de tecnologias naturais voltadas à proteção fisiológica dos pomares, com destaque para os bioestimulantes agrícolas.

Extratos de algas fortalecem resistência das plantas

Entre as soluções mais utilizadas no manejo de estresse vegetal estão os extratos da alga Ascophyllum nodosum, reconhecida por sua elevada capacidade de adaptação a ambientes extremos.

A espécie é encontrada nas águas frias do Atlântico Norte, especialmente nas regiões costeiras do Canadá, Irlanda e Noruega, onde enfrenta condições severas de salinidade, variações de maré e oscilações intensas de temperatura.

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Segundo Bruno Carloto, gerente de marketing estratégico da Acadian Sea Beyond no Brasil e Paraguai, essas características naturais da alga são transferidas às plantas por meio dos extratos utilizados no campo.

“As condições extremas favoreceram o desenvolvimento de mecanismos naturais de resistência. Quando aplicados nas culturas agrícolas, esses compostos ajudam a aumentar a tolerância das plantas aos diferentes tipos de estresse”, explica.

Plantas mantêm desenvolvimento mesmo sob pressão ambiental

Pesquisas e aplicações práticas no campo mostram que os bioestimulantes atuam fortalecendo processos fisiológicos internos das plantas.

Em períodos de seca, calor intenso ou outras condições adversas, culturas tratadas tendem a apresentar maior estabilidade no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo, reduzindo perdas produtivas.

De acordo com especialistas, esse suporte fisiológico é decisivo para preservar etapas fundamentais do ciclo produtivo, como formação, enchimento e qualidade dos frutos.

Qualidade da fruta se torna fator estratégico

Na fruticultura, manter o equilíbrio entre produtividade e qualidade é essencial para atender tanto o mercado interno quanto as exigências da exportação.

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Segundo Bruno Carloto, compreender a resposta das plantas ao ambiente se tornou um diferencial estratégico para o manejo moderno dos pomares.

“Quando ajudamos a planta a lidar melhor com o estresse, ela mantém o desenvolvimento e isso se reflete diretamente na produtividade e na qualidade dos frutos”, destaca.

Bioestimulantes avançam no manejo sustentável dos pomares

O avanço dos bioestimulantes acompanha a busca do setor por soluções mais sustentáveis e eficientes diante das mudanças climáticas.

Com maior resiliência das plantas, produtores conseguem reduzir impactos ambientais sobre a produção e ampliar a segurança produtiva em culturas altamente dependentes de condições climáticas equilibradas.

A tendência é de crescimento no uso dessas tecnologias nos próximos anos, especialmente em regiões sujeitas a extremos climáticos e maior pressão sobre os recursos hídricos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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