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Após crise de 2024, arroz tem queda de preço e Brasil volta a exportar mais do que importa

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Um ano após a crise que levou o arroz ao centro do debate político e econômico do país, os ventos parecem começar a mudar. Em março de 2025, o preço médio do arroz em casca no mercado doméstico caiu de forma significativa, conforme dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A queda nos valores e o retorno do superávit na balança comercial do produto reacendem a esperança de mais estabilidade para produtores e consumidores.

De acordo com o Cepea, o Indicador CEPEA/IRGA-RS – que considera arroz com 58% de grãos inteiros e pagamento à vista – fechou março a R$ 82,21 por saca de 50 kg. Isso representa uma queda de 14,09% em relação a fevereiro. O valor ficou R$ 14,54 abaixo do preço médio das exportações e R$ 5,81 inferior ao valor médio das importações no mesmo período.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 134,67 mil toneladas de arroz em março, um salto de 171% em relação ao mês anterior. Mesmo com a alta no volume, o preço pago pelo produto brasileiro recuou 23,07%, chegando a uma média de US$ 336,96 por tonelada — o equivalente a R$ 96,75 por saca (FOB). O câmbio médio de março, de R$ 5,74, influenciou diretamente nesse recuo.

Já as importações de arroz caíram 25,29% no mesmo período, totalizando 105,54 mil toneladas. O preço médio do arroz importado foi de US$ 306,53 por tonelada (R$ 88,02 por saca FOB), com uma queda mensal de 6,36%.

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Com isso, o saldo comercial do arroz voltou a ser positivo: foram 29,13 mil toneladas de superávit em março. A última vez que o Brasil havia exportado mais do que importado foi em dezembro de 2024.

No ano passado, o arroz virou símbolo de uma crise nacional. A alta nos preços assustou consumidores, pressionou o governo e desencadeou medidas emergenciais, como a autorização para importações extras e tentativas de controle de preços. A disparada teve origem em diversos fatores: quebras de safra, aumento da demanda, custos elevados de produção e até especulação no mercado interno.

Com os preços nas alturas, o governo chegou a propor a criação de estoques reguladores e incentivo ao seguro rural, medidas que ainda estão em debate. A crise expôs a fragilidade da cadeia de abastecimento e reacendeu discussões sobre a importância do planejamento estratégico para produtos essenciais da cesta básica.

Mesmo com a queda no preço do arroz em casca, o custo ainda é considerado alto para o consumidor final. A diferença entre o valor pago ao produtor e o preço nas prateleiras do supermercado se explica por outros custos da cadeia, como beneficiamento, transporte e margens de comercialização.

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Para os produtores, a desvalorização pode ser um alerta. O setor vinha em recuperação, mas a pressão sobre os preços domésticos e internacionais exige atenção redobrada. Ao mesmo tempo, o superávit na balança comercial pode trazer algum alívio e gerar expectativas de um mercado mais equilibrado nos próximos meses.

Os pesquisadores do Cepea observam que, apesar da queda expressiva no valor do arroz brasileiro no mercado externo, a demanda internacional continua firme, especialmente de países da América Latina. A expectativa é que o Brasil mantenha um ritmo positivo de exportações, desde que os preços internos continuem competitivos.

Para os próximos meses, o comportamento dos preços deve depender da colheita nacional, da política cambial e das movimentações do mercado externo. A boa notícia é que, com o fim do período mais crítico da crise de 2024, o arroz começa 2025 com sinais de reequilíbrio.

Mesmo assim, o setor ainda cobra políticas mais consistentes de apoio ao produtor, como seguro rural acessível, crédito com juros viáveis e logística eficiente. A valorização do arroz como item estratégico para a segurança alimentar nacional está no centro dessas discussões.

Fonte: Pensar Agro

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Exportações de carne bovina do Brasil disparam em 2026 e superam 1,3 milhão de toneladas até maio

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As exportações brasileiras de carne bovina seguem em forte expansão em 2026. Em maio, o Brasil embarcou 297 mil toneladas da proteína para o mercado internacional, volume 17,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho reforça o protagonismo do país no comércio global de carne bovina e consolida a trajetória de crescimento observada ao longo do ano.

Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), mostram que o faturamento das exportações atingiu US$ 1,83 bilhão em maio, avanço de 6,5% em relação ao mês anterior.

Além do aumento nos embarques, o setor também foi beneficiado pela valorização do produto no mercado internacional. O preço médio da carne bovina exportada alcançou US$ 6.163 por tonelada, registrando alta de 3,5% na comparação com abril.

China responde por mais da metade das exportações brasileiras

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, ampliando sua participação nas compras externas e sustentando o crescimento das exportações nacionais.

Em maio, os chineses adquiriram 157,6 mil toneladas da proteína, movimentando US$ 1,06 bilhão. O volume representa crescimento de 39,6% em relação ao mesmo período do ano passado e corresponde a 53,1% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no mês.

O avanço das compras chinesas ocorre em um momento de antecipação dos embarques por parte dos importadores, diante da implementação de medidas de salvaguarda anunciadas pelo governo do país asiático para o setor de carne bovina.

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Estados Unidos mantêm posição estratégica entre os compradores

Os Estados Unidos seguiram como o segundo principal mercado para a carne bovina brasileira em maio. As exportações para o país somaram 28,8 mil toneladas, gerando receita de US$ 195,6 milhões.

Na comparação anual, os embarques para o mercado norte-americano cresceram 5,1%, demonstrando a manutenção da demanda mesmo em um cenário de maior concorrência internacional.

Entre os principais compradores também se destacaram a Rússia, com importações de 13,7 mil toneladas, o Chile, com 8,5 mil toneladas, e a União Europeia, que adquiriu 8,3 mil toneladas da proteína brasileira durante o mês.

Carne in natura domina receita das exportações

A carne bovina in natura continua sendo o principal produto exportado pelo setor. Em maio, essa categoria respondeu por 88,2% do volume total embarcado e por 93,1% de toda a receita obtida com as exportações brasileiras.

O faturamento da carne in natura atingiu aproximadamente US$ 1,7 bilhão no período, reforçando sua relevância para a balança comercial do agronegócio brasileiro.

Brasil acumula mais de 1,38 milhão de toneladas exportadas em 2026

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 1,388 milhão de toneladas, crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025.

A receita gerada pelo setor chegou a US$ 7,88 bilhões entre janeiro e maio, refletindo tanto o aumento do volume exportado quanto a valorização dos preços internacionais.

O preço médio das exportações brasileiras atingiu US$ 5.677 por tonelada no período, significativamente acima dos US$ 4.824 por tonelada registrados nos cinco primeiros meses do ano passado.

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Diversificação de mercados fortalece competitividade brasileira

A China segue liderando o ranking anual de compradores, com 631,9 mil toneladas importadas e faturamento de US$ 3,78 bilhões. O país asiático respondeu por 45,5% do volume exportado pelo Brasil e por 48% de toda a receita gerada pelo setor no acumulado de 2026.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 178,6 mil toneladas embarcadas e receita superior a US$ 1,16 bilhão. Na sequência estão Chile, Rússia e União Europeia, todos registrando crescimento nas importações da proteína brasileira.

Segundo a ABIEC, o desempenho positivo reflete a ampla presença da carne bovina brasileira no mercado internacional.

Atualmente, o produto nacional está presente em mais de 177 destinos ao redor do mundo, estratégia que contribui para ampliar a competitividade do setor, reduzir riscos comerciais e fortalecer a posição do Brasil como um dos maiores exportadores globais de proteína animal.

Perspectivas seguem positivas para o restante do ano

Com demanda internacional aquecida, preços sustentados e diversificação crescente dos mercados compradores, o setor de carne bovina mantém perspectivas favoráveis para os próximos meses.

A continuidade do forte ritmo de exportações reforça a importância da pecuária de corte para o agronegócio brasileiro e para a geração de divisas, consolidando o país como um dos principais fornecedores mundiais de carne bovina.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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