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Portugal marca presença inédita na Wine South America e reforça laços com o mercado brasileiro

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Reconhecida como uma das principais feiras do setor vitivinícola da América Latina, a 5ª edição da Wine South America (WSA) acontece de 6 a 8 de maio, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, reunindo os principais nomes do setor nacional e internacional. Pela primeira vez, Portugal participa do evento com uma comitiva de mais de 25 vinícolas, que apresentarão rótulos de diversas regiões produtoras, como Douro, Alentejo, Vinho Verde, Dão, Bairrada e Lisboa.

A presença portuguesa na feira não é por acaso: o Brasil é hoje o terceiro maior mercado de exportação de vinhos de Portugal, posição que sobe para o primeiro lugar quando se excluem os números relacionados aos vinhos do Porto, segundo dados da ViniPortugal, entidade responsável pela promoção internacional dos vinhos do país.

“O consumidor brasileiro tem valorizado cada vez mais os vinhos portugueses, especialmente por sua variedade e singularidade em relação a outros vinhos do mundo. Isso tem impulsionado o aumento do consumo no Brasil”, afirma Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal. “A Wine South America tem se consolidado como um ponto de encontro relevante para o setor, reunindo compradores de diversos Estados. Por isso, consideramos essencial estarmos presentes neste ano.”

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Os vinhos de Portugal vêm sendo cada vez mais reconhecidos globalmente por sua qualidade e autenticidade. Produzidos com uvas autóctones, esses rótulos se destacam por características únicas e por expressarem com fidelidade o terroir de origem. De acordo com Maurício Roloff, diretor técnico e professor da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS-RS), essa tradição é um dos diferenciais mais apreciados pelos brasileiros.

“Portugal tem uma cultura enológica muito sólida e uma tradição centenária na produção de vinhos de corte, que combina diferentes castas para potencializar complexidade e qualidade. Degustar vinhos portugueses é como fazer uma viagem sensorial pelo país, com estilos muito distintos entre si. A relação com o consumidor brasileiro é histórica, mas se intensificou nos últimos anos. Hoje, o Brasil reconhece Portugal como um produtor de confiança”, destaca Roloff.

Durante a Wine South America, compradores e visitantes poderão negociar diretamente com representantes de importantes vinícolas lusas, como Esporão, Casa Santos Lima, Vercoope, Real Companhia Velha, Sogrape e Casa Ermelinda Freitas.

Entre os destaques da participação portuguesa está a Sogrape, um dos maiores grupos vitivinícolas do país, com forte presença internacional. “Além de nossos vinhos produzidos na Argentina e no Chile, apresentaremos uma ampla seleção de rótulos portugueses. Em evidência estarão os vinhos do Douro e do Alentejo, regiões emblemáticas que traduzem o melhor da vitivinicultura nacional”, comenta João Gomes da Silva, administrador executivo da Sogrape.

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Ele destaca ainda a presença de marcas premium, como Casa Ferreirinha e Herdade do Peso, e a aposta da empresa no segmento de vinhos brancos leves e elegantes, com rótulos da Quinta de Azevedo, oriundos da região dos Vinhos Verdes. “Trata-se de uma categoria em franca expansão e que tem conquistado os consumidores brasileiros”, antecipa o executivo.

Além de Portugal, a 5ª edição da Wine South America contará com a participação de vinícolas de países tradicionais e emergentes no cenário internacional, como Espanha, França, Itália, Argentina, Chile e Uruguai. Uma das estreias mais aguardadas é a de uma importadora de vinhos finos e azeites extravirgens provenientes da Grécia, que amplia ainda mais a diversidade de rótulos oferecidos na feira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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