AGRONEGÓCIO
Fundos mantêm apostas otimistas no milho antes do impacto das tarifas dos EUA
Publicado em
7 de abril de 2025por
Da Redação
Fundos de investimento mantiveram uma postura otimista em relação ao milho negociado na Bolsa de Chicago (CBOT) nos dias que antecederam o anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos, ocorrido na última quarta-feira. No entanto, mesmo diante de fundamentos positivos, o cenário geopolítico incerto fez com que os especuladores completassem a sexta semana consecutiva como vendedores líquidos do grão.
Na semana encerrada em 1º de abril, os gestores de fundos reduziram suas posições líquidas compradas em futuros e opções de milho da CBOT para 56.757 contratos — o menor nível em 21 semanas. Na semana anterior, essa posição era de 74.607 contratos, queda explicada exclusivamente pela liquidação de posições longas.
Apesar da retirada de investimentos, os contratos futuros mais ativos de milho na CBOT registraram valorização de 1% no período. O movimento, segundo analistas, reflete uma antecipação dos traders frente aos riscos associados ao que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou de “Dia da Libertação”.
No mesmo intervalo, os fundos também adotaram posições líquidas vendedoras para o trigo e o farelo de soja negociados na CBOT, motivados principalmente pela abertura de novas apostas na queda dos preços. Com isso, o farelo de soja atingiu um recorde de posições vendidas líquidas, com 100.733 contratos, contra 84.050 na semana anterior.
No caso do trigo, as posições vendidas líquidas dos fundos avançaram para 112.040 contratos, a maior marca em 16 meses, ante os 92.587 contratos registrados na semana anterior. Ainda assim, tanto os contratos de trigo quanto os de farelo recuaram menos de 1% ao longo da semana.
Já os futuros de óleo de soja da CBOT apresentaram forte alta de mais de 12% na mesma semana, impulsionados por expectativas de mudanças na política de biocombustíveis dos EUA. Essa valorização também influenciou o grão de soja, que subiu 3,2%.
Diante desse cenário, os fundos reduziram significativamente suas posições vendidas líquidas em futuros e opções de óleo de soja, que caíram para 5.762 contratos — um dos maiores movimentos de compra líquida recente — frente aos 44.618 contratos da semana anterior. Esse movimento foi motivado sobretudo por uma ampla cobertura de posições vendidas.
A mesma dinâmica contribuiu para a queda nas posições vendidas líquidas em soja, que recuaram para 29.847 contratos, comparado aos 42.959 da semana anterior. Um ano atrás, essa posição era próxima de 140 mil contratos.
Tarifas surpreendem e pressionam os mercados
As novas tarifas anunciadas por Washington na quarta-feira impactaram diretamente os mercados financeiros e de commodities. Nos três dias seguintes, a soja da CBOT caiu 5,5%, atingindo na sexta-feira seu menor valor desde dezembro, após a China impor tarifas adicionais a produtos norte-americanos, incluindo a oleaginosa.
Farelo e óleo de soja também recuaram mais de 3%, enquanto o trigo registrou queda de 2%. O milho, por sua vez, apresentou a menor oscilação, com recuo de apenas 0,3% entre quarta e sexta-feira.
As tarifas foram consideradas mais severas do que o esperado. Desde o anúncio, o índice S&P 500 já perdeu cerca de US$ 5 trilhões em valor de mercado, enquanto o Nasdaq entrou oficialmente em território de mercado em baixa.
Apresentadas como tarifas “recíprocas”, as medidas adotadas por Trump foram baseadas nos déficits comerciais bilaterais dos EUA com seus parceiros, resultando em alíquotas significativamente mais altas do que as previstas para a maioria dos países.
Os principais parceiros comerciais agrícolas dos EUA, como Canadá e México, foram excluídos desta rodada de tarifas, e muitos produtos seguem isentos por enquanto, conforme prevê o mais recente acordo comercial norte-americano.
Contudo, aumentam as preocupações em relação a importantes destinos de exportações agrícolas dos EUA, como países da Europa e da Ásia — incluindo Taiwan e Vietnã. Japão e Coreia do Sul, respectivamente o quarto e o quinto principais destinos de produtos agrícolas norte-americanos em 2024, também estão no radar dos analistas.
Enquanto o mercado continua atento às repercussões das tarifas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgará nesta quinta-feira seu relatório mensal de oferta e demanda, que pode trazer um alívio momentâneo aos traders diante do clima tenso nas relações comerciais globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
MP das dívidas rurais entra na reta final sem garantir renegociação aos produtores
Published
14 horas agoon
24 de agosto de 2026By
Da Redação
A Medida Provisória 1.376/2026, criada para permitir a renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais, entra nesta semana em uma fase decisiva no Congresso sem que produtores tenham acesso amplo e uniforme às novas linhas de crédito. A partir de sábado (29.08), o texto passa a tramitar em regime de urgência e começa a bloquear a votação de outras matérias na Câmara dos Deputados.
O primeiro período de vigência da MP termina em 12 de setembro. O prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias caso a votação não seja concluída, mas o calendário expõe a distância entre a urgência financeira das propriedades e o ritmo de execução da medida. A comissão mista encarregada de analisar o texto foi instalada em 12 de agosto e ainda precisa aprovar um parecer antes que a proposta siga para os plenários da Câmara e do Senado.
Enquanto o Congresso discute alterações, os produtores enfrentam dificuldades para transformar a autorização legal em contratos. A regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) foi publicada em 23 de julho, mas a portaria que permitiu ao Tesouro Nacional equalizar as taxas de juros saiu apenas em 13 de agosto, quase um mês depois da edição da MP.
A Portaria 2.423 autorizou limites próximos de R$ 25,8 bilhões para operações com juros subsidiados. Os recursos foram distribuídos entre dez bancos e sistemas cooperativos, incluindo Banco do Brasil, Banrisul, Banco da Amazônia, Banco de Brasília, Banpará, Sicoob, Sicredi, Cresol, Credicoamo e Banco DLL.
A publicação retirou um dos principais entraves regulatórios, mas não tornou a contratação automática. Cada instituição ainda precisa organizar seus procedimentos internos, verificar o enquadramento das dívidas e analisar a capacidade de pagamento, o risco e as garantias apresentadas pelo produtor. Até agora, não foi divulgado um balanço nacional consolidado que mostre quanto dos R$ 25,8 bilhões já se converteu efetivamente em contratos.
A diferença entre o volume autorizado e o tamanho do problema também aumenta a pressão. Levantamento elaborado a partir de informações do Banco Central aponta que o crédito rural acumulava R$ 197,2 bilhões em saldos considerados problemáticos em junho, equivalentes a aproximadamente 22,5% da carteira ativa.
Desse total, R$ 38,1 bilhões estavam inadimplentes, R$ 20,9 bilhões correspondiam a operações em atraso, R$ 31,6 bilhões haviam sido prorrogados e R$ 106,4 bilhões estavam em financiamentos já renegociados. Os números indicam que o valor disponível nas linhas subsidiadas poderá atender apenas a uma parcela da demanda.
O próprio Banco do Brasil, principal financiador do campo, identificou uma carteira potencial de até R$ 100 bilhões que poderia ser enquadrada na medida. O montante envolve aproximadamente 113 mil clientes, entre produtores inadimplentes e tomadores com contratos anteriormente prorrogados ou renegociados.
A MP atende produtores rurais e cooperativas de produção agropecuária que comprovem perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025. Também é necessário demonstrar redução mínima de 30% da renda bruta esperada, causada por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços dos produtos financiados.
A comprovação depende de laudo elaborado por profissional legalmente habilitado. Esse requisito é um dos pontos questionados por representantes do setor, principalmente em regiões nas quais as perdas foram generalizadas e já reconhecidas por levantamentos oficiais, decretos de emergência e registros das próprias instituições financeiras.
Pelas regras gerais, agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) podem contratar até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano. Para os médios produtores do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o limite é de R$ 2 milhões, com taxa de 9%. Os demais produtores podem acessar até R$ 4 milhões, com juros de 12% ao ano.
Nessa modalidade, o prazo de pagamento chega a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação. Os juros, contudo, precisam ser pagos durante o período de carência.
Há condições melhores para produtores que comprovem perdas mais severas. Quem registrar prejuízos em pelo menos três safras, provocados por eventos climáticos extremos, e redução mínima de 40% da renda poderá obter prazo de até dez anos. Os limites chegam a R$ 500 mil no Pronaf, R$ 2,5 milhões no Pronamp e R$ 8 milhões para os demais produtores, com taxas de 5%, 8% e 11% ao ano, respectivamente.
Mesmo preenchendo os requisitos, o produtor não tem aprovação garantida. O risco das operações continua sob responsabilidade das instituições financeiras, que podem exigir novas garantias ou negar o crédito após a análise. Essa condição ajuda a explicar por que a existência de recursos autorizados não significa que todo produtor endividado conseguirá aderir.
O prazo para contratação termina em 12 de novembro. Como parte desse período já foi consumida pela regulamentação, produtores e entidades do setor alertam para o risco de concentração dos pedidos nas últimas semanas, demora na análise dos documentos e esgotamento dos limites disponíveis em determinadas instituições.
No Congresso, a quantidade de propostas de mudança revela a insatisfação com o alcance do texto original. A MP recebeu 144 emendas. Entre as alterações sugeridas estão a inclusão de mais operações de investimento, capital de giro e Cédulas de Produto Rural (CPRs), a ampliação das datas de enquadramento, a redução das exigências para comprovação das perdas e a extensão dos prazos de pagamento.
Também há pressão para que a medida contemple produtores que renegociaram contratos anteriormente, mas voltaram a perder safras, além daqueles cujas dívidas foram transferidas, cedidas ou substituídas por outros instrumentos financeiros. O desafio será ampliar o público sem elevar o custo fiscal a um nível que impeça um acordo para a aprovação.
Para o produtor, a orientação é procurar imediatamente a instituição credora e formalizar o interesse na renegociação. Contratos, extratos das operações, comprovantes de perdas, registros de produtividade, documentos fiscais e laudos técnicos devem ser reunidos antes da abertura do pedido. O protocolo da solicitação também é importante para demonstrar que a procura ocorreu dentro do prazo.
A entrada da MP em regime de urgência aumenta a pressão política, mas não resolve os obstáculos encontrados nas agências bancárias. O resultado da medida será definido menos pelo volume anunciado e mais pela quantidade de produtores que conseguirem superar as exigências, aprovar o crédito e assinar os contratos até novembro.
Fonte: Pensar Agro
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