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Preços da Laranja Sofrem Pressão no Brasil e no Mercado Internacional

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Um relatório recente da Consultoria Agro do Itaú BBA, que avalia as tendências e atualizações do setor agropecuário, destaca a queda nos preços da laranja e do suco no Brasil e no exterior. A análise inclui fatores que impactam as perspectivas para as principais commodities agrícolas, com ênfase na laranja, cujos preços sofreram uma pressão significativa devido à menor qualidade da fruta.

Menor Qualidade Afeta Preços da Laranja no Brasil

O mercado brasileiro de laranja tem enfrentado uma queda nos preços da fruta destinada à indústria, principalmente devido a um ratio brix°/acidez abaixo do esperado. O baixo índice de doçura das laranjas tem prejudicado o processo de fabricação do suco, tornando-o menos doce e mais ácido, o que impacta a aceitação do produto pelo consumidor. Segundo dados do Cepea, em 18 de março, a laranja posta na indústria foi cotada a R$ 60 por caixa de 40,8 kg, o que representa uma queda de 28% em relação ao mês anterior.

Simultaneamente, o mercado internacional também tem experimentado uma redução nos preços do suco de laranja. Na Bolsa de Nova York, o suco laranja FCOJ registrou uma queda de 24% desde o início do ano, sendo negociado a USD 258,9 por libra.

Estoques de Suco de Laranja caem para Níveis Históricos

De acordo com a Citrus BR, os estoques globais de suco de laranja brasileiro, equivalentes ao FCOJ, somaram 351,4 mil toneladas no final de 2024. Esse número representa uma queda de 24,2% em relação a 2023, marcando o menor nível da série histórica. A Citrus BR, que abrange as três principais empresas do setor, responsáveis por mais de 70% das exportações mundiais, atribui essa redução à baixa produção nos últimos anos.

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Exportações de Suco de Laranja Recuam

As exportações brasileiras de suco de laranja também mostraram queda em fevereiro, com 52 mil toneladas enviadas, o que representa uma redução de 15% em relação ao mesmo mês de 2024. No entanto, os preços em dólares por tonelada, apesar de um leve recuo de 4% em relação a janeiro de 2025, apresentaram um aumento de 79% em comparação ao mesmo período de 2024.

Previsões Climáticas Preocupam para a Safra 2025/26

O clima também é um fator relevante para as perspectivas da próxima safra. Em São Paulo, principal estado produtor de laranja, a falta de chuvas pode afetar o desenvolvimento das plantas para a safra 2025/26. De acordo com o CPC/USDA, entre 16 de fevereiro e 15 de março, a precipitação na região foi de apenas 25% do normal, com um acumulado de no máximo 50 mm, 90 mm abaixo da média. Esse cenário pode levar a um estresse hídrico, que aceleraria o ciclo das plantas, resultando em uma florada precoce, com possíveis impactos negativos na safra seguinte.

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No entanto, os efeitos desse estresse hídrico só devem ser sentidos na safra de 2025/26, já que a colheita da safra 2024/25 já está praticamente concluída. Caso a seca persista, o desenvolvimento das lavouras poderá ser prejudicado, afetando o acúmulo de açúcares e nutrientes necessários para a boa formação dos frutos.

Revisão da Produção nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o USDA revisou suas estimativas de produção de laranja, reduzindo a previsão para 59 milhões de caixas, uma diminuição de 1,3% em relação à estimativa anterior, devido à menor produção na Califórnia. Essa cifra é 11% inferior à produção do ano passado. Para a Flórida, a estimativa é de 11,6 milhões de caixas, com um aumento de 100 mil caixas em relação a fevereiro, mas esse crescimento se refere apenas às variedades de laranja consumidas in natura, como a Navel. Já a produção de laranja Valência foi mantida em 7 milhões de caixas.

A combinação desses fatores – queda nos preços, redução na qualidade da fruta, clima desfavorável e estoques reduzidos – indica desafios para a indústria de laranja nos próximos meses, tanto no Brasil quanto no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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