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Dólar dispara com temor de novas tarifas dos EUA e incerteza global

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O dólar iniciou a semana em forte alta, refletindo a expectativa do mercado diante do possível anúncio de novas tarifas de importação pelos Estados Unidos. As medidas, prometidas pelo ex-presidente Donald Trump para o próximo dia 2, estão sendo aguardadas com apreensão pelos investidores. Por volta das 9h50 desta segunda-feira (24), a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,77.

De acordo com uma apuração do site Bloomberg News, Trump planeja aplicar tarifas direcionadas a determinados países e blocos econômicos a partir de abril, quando deve ser formalizado o conjunto de tarifas recíprocas defendidas por sua administração. Regiões em que os Estados Unidos apresentam superávit comercial podem ser poupadas dessas medidas.

Na manhã desta segunda, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, destacou que “o Brasil não representa um problema para os EUA” e lembrou que o país norte-americano tem saldo positivo na balança comercial com o Brasil. Ainda assim, analistas do mercado financeiro temem que as novas tarifas afetem a indústria brasileira, especialmente setores que dependem das exportações para os EUA, como o de máquinas e aviação.

Impacto econômico global

A imposição de tarifas pode elevar os custos de importação nos Estados Unidos, pressionando a inflação e reduzindo o consumo interno. O cenário tem gerado pessimismo em relação à economia global, uma vez que os EUA representam a maior economia do mundo. Além disso, países exportadores, como o Brasil, podem enfrentar dificuldades adicionais com a redução da demanda por seus produtos.

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Cotação do dólar

Por volta das 9h53, a moeda norte-americana registrava alta de 0,76%, sendo negociada a R$ 5,7607, atingindo a máxima de R$ 5,7722 ao longo da manhã. Na sexta-feira anterior (21), o dólar já havia encerrado em alta de 0,73%, cotado a R$ 5,7171. Apesar do movimento de valorização recente, a moeda acumulava queda de 0,46% na semana, recuo de 3,37% no mês e desvalorização de 7,49% no ano.

Desempenho do Ibovespa

O principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, iniciou as operações às 10h desta segunda-feira. Na última sexta-feira (21), o índice fechou em alta de 0,30%, alcançando os 132.345 pontos. No acumulado da semana, houve um avanço de 2,63%, enquanto no mês o crescimento foi de 7,77%. No ano, o Ibovespa registra ganho de 10,03%.

Fatores que movimentam os mercados

As tarifas de Trump voltaram a influenciar significativamente os mercados globais, especialmente após a recente decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, de manter as taxas de juros inalteradas entre 4,25% e 4,50% ao ano.

O ex-presidente prometeu um conjunto de tarifas recíprocas, cujos detalhes ainda não estão totalmente esclarecidos. Especialistas esperam que diversas reuniões diplomáticas ocorram nas próximas semanas para negociar eventuais isenções e ajustes na proposta tarifária.

Em meio a esse cenário de incertezas, investidores têm buscado ativos considerados mais seguros, como os títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), o que fortalece o dólar em relação a moedas emergentes, incluindo o real brasileiro.

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A possibilidade de uma escalada nas tarifas pode intensificar uma guerra comercial global, aumentando os preços dos produtos e pressionando a inflação. Com o mercado financeiro atento a essas movimentações, a semana também será marcada por divulgações econômicas relevantes, como a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil e novos indicadores de inflação nos Estados Unidos.

Na manhã desta segunda-feira, o Banco Central brasileiro também divulgou o Boletim Focus, que reuniu as projeções do mercado para a economia nacional. As expectativas para a inflação de 2025 tiveram uma leve redução, de 5,66% para 5,65%. Caso essas projeções se confirmem, o Brasil encerrará mais um ano com inflação acima da meta estipulada pelo governo, que é de 3%, com margem de oscilação entre 1,50% e 4,50%.

As previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) também foram revisadas, passando de 1,99% para 1,98% em 2025. O cenário econômico global continuará sendo acompanhado de perto pelos agentes financeiros, diante das incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos e seu impacto nos mercados internacionais.

Com informações da agência de notícias Reuters

Fonte: Portal do Agronegócio

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Selic a 14,50% pressiona crédito e leva agroindústrias a buscar linhas subsidiadas para investir

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Mesmo com a taxa básica de juros em 14,50% ao ano, o custo do capital segue como um dos principais fatores nas decisões estratégicas das empresas, especialmente no agronegócio. Em um ambiente de crédito mais caro e restritivo, agroindústrias têm intensificado a busca por linhas subsidiadas para financiar investimentos, modernização e expansão.

A definição da taxa pelo Banco Central mantém o crédito tradicional em patamares elevados, impactando diretamente o planejamento corporativo. Projetos passam a ser analisados com maior rigor, considerando retorno ajustado ao risco, impacto no fluxo de caixa e estrutura de capital.

Crédito caro adia investimentos no agro

Com a alta da Selic, operações atreladas ao CDI acompanham o movimento da política monetária, encarecendo financiamentos e reduzindo a viabilidade de projetos, principalmente os de longo prazo e maior intensidade tecnológica.

Nesse cenário, empresas enfrentam um dilema: investir para ganhar competitividade ou preservar liquidez. O resultado, em muitos casos, é o adiamento de projetos produtivos, como ampliação de plantas industriais, aquisição de máquinas e adoção de novas tecnologias.

Além disso, instrumentos do mercado privado, como debêntures e operações estruturadas, continuam concentrados em grandes empresas com maior acesso a investidores e governança consolidada. Para pequenas e médias empresas (PMEs), o crédito se torna mais restrito, com prazos menores, custos mais altos e exigências mais rígidas de garantias.

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Linhas subsidiadas ganham protagonismo

Diante desse cenário, linhas de crédito subsidiadas operadas por bancos de desenvolvimento voltam ao centro da estratégia financeira das empresas, especialmente no agronegócio e na indústria.

Programas voltados à inovação e à digitalização produtiva têm ampliado a oferta de recursos com condições mais atrativas. Iniciativas conduzidas por instituições como BNDES e Finep priorizam investimentos em tecnologias como automação, robótica, Internet das Coisas (IoT) e manufatura avançada.

Com prazos mais longos, carência ampliada e taxas inferiores às do mercado tradicional, essas linhas alteram significativamente o cálculo de viabilidade dos projetos, permitindo que empresas mantenham seus planos de crescimento mesmo em um ambiente de juros elevados.

PMEs ampliam acesso a investimentos

Para micro, pequenas e médias empresas, o impacto das linhas subsidiadas é ainda mais relevante. O acesso a crédito com condições diferenciadas permite diluir o investimento inicial e viabilizar ganhos de produtividade que seriam inviáveis no crédito tradicional.

No entanto, acessar esses recursos exige mais do que identificar a linha disponível. Cada instituição financeira trabalha com critérios técnicos específicos, incluindo métricas de inovação, exigências regulatórias e modelagem financeira estruturada.

Engenharia financeira vira diferencial competitivo

Nesse contexto, a estruturação do funding ganha papel estratégico. A escolha da fonte de capital — considerando prazo, indexador, custo e exigências — passa a influenciar diretamente a competitividade e a sustentabilidade financeira das empresas.

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Consultorias especializadas têm atuado na chamada engenharia de funding, estruturando operações que combinam diferentes fontes de recursos para reduzir o custo médio da dívida e ampliar a capacidade de investimento.

Casos recentes mostram empresas de setores como agronegócio, engenharia, varejo e recursos humanos acessando linhas como o Pró-Inovação, voltado ao financiamento de projetos tecnológicos, com apoio técnico na estruturação e aprovação dos financiamentos.

Estratégia financeira define crescimento

Com a Selic elevada, o crédito tradicional tende a pressionar margens e alongar o prazo de retorno dos investimentos. Nesse cenário, linhas subsidiadas deixam de ser apenas alternativas e passam a integrar a estratégia financeira das empresas.

A definição correta do funding pode determinar o sucesso ou fracasso de um projeto. Escolhas inadequadas comprometem o fluxo de caixa por anos, enquanto uma estrutura bem planejada sustenta o crescimento e melhora a competitividade.

Empresas que tratam o financiamento como variável estratégica conseguem avançar em suas agendas de modernização, mesmo em um ambiente macroeconômico adverso. Já aquelas que dependem exclusivamente do crédito tradicional tendem a operar de forma mais conservadora, priorizando a preservação de caixa.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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