AGRONEGÓCIO

Prefeito se reúne com governo e Ministério da Saúde para enfrentar alta em casos de dengue e chikungunya

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, se reuniu neste sábado (1) de carnaval com o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, para discutir o aumento alarmante dos casos de dengue e chikungunya na capital mato-grossense. O encontro foi ampliado, de forma remota, para a participação de representantes do Ministério da Saúde, reforçando o pedido de apoio do município na guerra contra as arboviroses.

Durante a reunião, Abilio destacou a necessidade de uma ação conjunta e imediata. “Esse alinhamento, essa força-tarefa entre prefeitura e governo do Estado é essencial nesse momento. Cuiabá tem muitos problemas de responsabilidade municipal, mas o Estado está estendendo a mão, entendendo a gravidade da situação. Boa parte dos terrenos da cidade virou criadouro do mosquito, e enfrentamos uma Secretaria de Saúde desestruturada. Precisamos de apoio para reverter esse quadro”, afirmou o prefeito.

Diagnóstico

⁠Em janeiro deste ano, a prefeitura decretou emergência na saúde pública e solicitou ao Ministério da Saúde a realização de um diagnóstico das condições da rede municipal. A solicitação resultou na visita de técnicos federais, que inspecionaram unidades de atendimento e promoveram capacitações para profissionais de saúde.

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Os dados levantados serão divulgados na próxima semana e embasarão um relatório com medidas para enfrentar o aumento dos casos e reduzir o número de óbitos. A secretária municipal de Saúde de Cuiabá, Lúcia Helena Barboza Sampaio, explicou que o suporte do Ministério da Saúde nesse momento crítico é essencial. “O auxílio do MS é fundamental. A cooperação técnica nos permite implementar medidas mais eficazes e oferecer um atendimento de melhor qualidade para a população contando com a contrapartida do Estado e da União”, ressaltou.

“A situação de Cuiabá preocupa, e a Capital tem o maior número de registros. O diagnóstico que será publicado pelo Ministério da Saúde indicará as direções para fortalecer a rede e melhorar o atendimento”, explicou Gilberto Figueiredo. O secretário estadual destacou ainda que a atuação do poder público precisa ser complementada pelo engajamento da população.

Com o relatório em mãos, prefeitura, Estado e governo federal devem definir novas estratégias para conter o avanço das arboviroses e evitar um colapso na saúde pública.

#PraCegoVer

A imagem principal traz o prefeito Abilio ao lado do secretario Gilberto Figueiredo em uma entrevista coletiva. Há vários microfones e gravadores para capatar as declarações dos dois. Na galeria outras imagens realizadas durante o encontro extendido que tambám contou com a participação de membros do Ministério da Saúde.

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Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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AGRONEGÓCIO

Produção de grãos cresce mais que silos e déficit de armazenagem já supera 130 milhões de T.

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A deficiência da infraestrutura de armazenagem continua cobrando uma conta bilionária do agronegócio brasileiro. A defasagem entre a produção de grãos e a capacidade de armazenagem já supera 130 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Levantamento divulgado esta semana, realizado pela empresa paranaense Cogo Inteligência, estimou que os produtores brasileiros de soja e milho perderam R$ 88,3 bilhões entre 2023 e 2025 por causa da falta de capacidade para estocar a produção, obrigando a comercialização em momentos de maior oferta e, consequentemente, de preços mais baixos.

O problema ocorre justamente em um momento em que a produção nacional de grãos avança em ritmo recorde. A Conab projeta uma colheita de 353,4 milhões de toneladas nesta safra 25/26, enquanto a capacidade estática de armazenagem do país continua em torno de 220 milhões de toneladas. Na prática, a estrutura disponível é suficiente para guardar pouco mais de 60% da produção nacional, deixando um déficit superior a 130 milhões de toneladas.

A maior parte das perdas não está relacionada à deterioração dos grãos, mas à perda de renda. Sem espaço para armazenar a safra, muitos produtores precisam vender soja e milho logo após a colheita, período em que a oferta é elevada e os preços tendem a sofrer pressão. O excesso de produto nos portos também afeta os prêmios de exportação, reduzindo ainda mais o valor recebido pelo agricultor.

A situação contrasta com a observada em países concorrentes, como Estados Unidos e Argentina, onde a maior disponibilidade de silos permite aos agricultores escalonar as vendas ao longo do ano e aproveitar momentos mais favoráveis do mercado.

Segundo dados históricos da Conab, a produção brasileira de grãos cresceu 134% entre 2010 e 2023, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 53%, evidenciando que os investimentos em infraestrutura ficaram atrás da expansão da agricultura nacional.

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Nos últimos anos, houve crescimento dos armazéns instalados dentro das propriedades rurais. O volume de capacidade nas fazendas passou de 20,7 milhões de toneladas em 2010 para 35,6 milhões de toneladas em 2025, uma alta de mais de 72%. Apesar disso, o avanço ainda é insuficiente para acompanhar o ritmo de crescimento das safras.

Entidades do setor defendem que a armazenagem deixe de ser vista apenas como uma estrutura complementar e passe a ser tratada como ferramenta estratégica de gestão. Além de reduzir custos logísticos, a capacidade de estocar a produção permite ao produtor escolher melhor o momento da venda, preservar a qualidade dos grãos e aumentar a competitividade da atividade.

A preocupação tende a crescer nos próximos anos. Com o Brasil consolidado como maior exportador mundial de soja e um dos principais fornecedores globais de milho, a expectativa é de continuidade da expansão da produção, o que exigirá investimentos cada vez maiores em silos, armazéns e logística pós-colheita para evitar que parte da rentabilidade obtida dentro da porteira seja perdida fora dela.

PROBLEMA SEGUNDÁRIO – O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto) lembrou que o déficit de armazenagem no Brasil não é novidade, mas segue sendo tratado como problema secundário dentro da política agrícola.

“O país já teve programas estruturados para expansão de silos e armazéns, como o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), no âmbito do Plano Safra, que previa aportes recorrentes para ampliar a capacidade estática, mas o volume efetivamente executado ficou abaixo da necessidade apontada pelo próprio setor, estimada em cerca de R$ 15 bilhões por ano para equilibrar o sistema”, comentou Rezende.

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“O que se observa, na prática, é um descompasso entre o crescimento da produção e o ritmo dos investimentos em infraestrutura. Enquanto a safra de grãos avançou mais de 130% na última década, a capacidade de armazenagem cresceu em torno de 50%, segundo séries da Conab. Nesse intervalo, o déficit deixou de ser conjuntural e passou a ser estrutural, com impacto direto na formação de preços ao produtor”.

“Há programas públicos e linhas de crédito específicas voltadas ao setor, mas a execução ainda é insuficiente por representantes da cadeia. O PCA, principal instrumento federal para financiamento de armazenagem, prevê apoio à construção e modernização de estruturas, porém a demanda por crédito supera a oferta disponível em cada ciclo do Plano Safra, o que limita a expansão mais acelerada da capacidade instalada”, analisou o presidente do IA.

“O resultado desse desequilíbrio aparece na ponta. Sem espaço para estocar a produção, o produtor é obrigado a concentrar vendas no período de colheita, quando o mercado está mais pressionado. Na avaliação de entidades do setor, o tema segue sem coordenação de longo prazo entre governo, indústria e cooperativas, o que mantém o déficit de armazenagem como um dos principais gargalos logísticos do agronegócio brasileiro”.

O problema, na avaliação de Isan Rezende, é que falta execução coordenada e continuidade das políticas públicas. “Enquanto nós, produtores, seguimos produzindo safras recordes que empurram o país para frente, continuamos sem o apoio necessário para garantir a infraestrutura mínima. Isso não é falta de diagnóstico, é falta de prioridade na execução”, completou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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