AGRONEGÓCIO

Brasil enfrenta onda de calor e alerta para impactos climáticos crescentes

Publicado em

As mudanças climáticas avançam em ritmo acelerado, trazendo consequências cada vez mais evidentes e severas. Nos próximos dias, uma intensa onda de calor atingirá parte das regiões Sudeste e Nordeste do Brasil, enquanto o fenômeno que já impacta o Sul do país deve persistir por mais alguns dias. As previsões indicam temperaturas extremas, podendo chegar aos 40°C em diversas áreas, com destaque para o estado do Rio de Janeiro, Grande Rio, noroeste de Minas Gerais, oeste da Bahia, Vale do São Francisco e o sertão entre Bahia, Pernambuco e Piauí. As capitais São Paulo e Belo Horizonte podem atingir 35°C, enquanto Vitória pode registrar 38°C.

No Sul do país, a onda de calor que já elevou os termômetros a quase 44°C no Rio Grande do Sul deve persistir até o dia 12 de fevereiro, podendo superar o recorde de 43,8°C registrado em Quaraí, no dia 4 de fevereiro. Além disso, o calor extremo avança sobre o oeste e sul do Paraná e o litoral sul de Santa Catarina, onde as temperaturas podem oscilar entre 38°C e 40°C. A região metropolitana de Porto Alegre também está em alerta.

Com a temperatura média global ultrapassando 1,6°C acima dos níveis pré-industriais, eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes e severos ao redor do mundo. No Brasil, um estudo do Centro Brasil no Clima apontou que a porcentagem de municípios afetados por secas aumentou de 48,6% para 53,4% entre 2017 e 2020. Enquanto isso, enchentes e deslizamentos resultaram em 909 mortes na América Latina apenas em 2023. O Rio Grande do Sul, por exemplo, enfrentou uma das piores tragédias climáticas de sua história em 2024, com inundações que causaram prejuízos significativos e deixaram milhares de desabrigados.

Leia Também:  Exportação de Algodão Recua em Mato Grosso e Semana Promete Impactos no Mercado

De acordo com Edson Damas, advogado especialista em direito ambiental e mudanças climáticas, os impactos da crise climática são desproporcionais. “Quem menos contribuiu para o agravamento da crise é quem mais sofre com seus efeitos. Por isso, a justiça climática deve ser um pilar central nas políticas ambientais”, explica. Segundo Damas, populações vulneráveis, como mulheres, pessoas negras e grupos de baixa renda, são as mais afetadas devido a barreiras históricas e estruturais que limitam o acesso a infraestrutura resiliente e dificultam a recuperação após desastres ambientais.

Em 2024, o Rio Grande do Sul exemplificou essa desigualdade, quando a maior enchente de sua história causou dezenas de mortes e deixou milhares de pessoas desabrigadas. Apesar da crescente conscientização sobre os impactos climáticos, um levantamento realizado pela PwC e pelo Instituto Locomotiva revelou que 91% dos brasileiros afirmam ter algum conhecimento sobre mudanças climáticas, mas apenas 32% compreendem o conceito de justiça climática. A pesquisa também mostrou que 27% da população ainda acredita que os fenômenos climáticos extremos são exclusivamente naturais, sem relação com a atividade humana.

Leia Também:  Prefeitura faz reunião integrada para garantir andamento de convênios

Para Damas, a falta de informação compromete a mobilização social e a implementação de políticas eficazes. “Se a população não compreende a gravidade da crise, a pressão por medidas mais sustentáveis por parte de empresas e governos se torna ineficaz”, alerta. O especialista também ressalta que a responsabilidade pelo enfrentamento da crise climática deve ser compartilhada entre setor público, setor privado e sociedade civil. Segundo a mesma pesquisa, 97% dos brasileiros afirmam que deixariam de consumir produtos de empresas que adotam práticas ambientalmente prejudiciais, demonstrando uma crescente pressão popular sobre grandes emissores de carbono.

No entanto, Damas destaca que apenas a conscientização não é suficiente. “Precisamos de mais transparência e regulamentação para garantir que os compromissos ambientais sejam efetivamente cumpridos”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Milho no RS entra na reta final da colheita com produtividade acima de 7,4 t/ha

Published

on

Mercado Externo

O cenário internacional para o milho segue marcado por volatilidade, com atenção às safras da América do Sul e ao ritmo das exportações dos Estados Unidos. A evolução da colheita no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, contribui para a oferta global, ainda que em menor escala frente ao Centro-Oeste. A regularidade climática recente no Estado ajuda a sustentar expectativas positivas de produtividade, fator que pode influenciar o equilíbrio global de oferta.

Mercado Interno

A colheita do milho no Rio Grande do Sul se aproxima da conclusão, atingindo 90% dos 803.019 hectares cultivados na safra 2025/26, conforme a Emater/RS-Ascar. O avanço foi mais lento na última semana devido às chuvas, principalmente na Metade Sul, que elevaram a umidade dos grãos e dificultaram a operação de máquinas.

As áreas restantes correspondem a lavouras implantadas fora da janela ideal, ainda em fases reprodutivas ou de enchimento de grãos. As precipitações recorrentes desde março favoreceram o desenvolvimento dessas áreas, consolidando o potencial produtivo.

Leia Também:  Embrapa explica quando aplicar dessecante na lavoura de soja para evitar prejuízos

No milho destinado à silagem, a colheita também está praticamente concluída, alcançando 87% da área. No entanto, a umidade elevada tem prejudicado o processo de ensilagem, podendo impactar a qualidade da fermentação.

Preços

Os preços do milho no mercado interno tendem a refletir o avanço da colheita e a qualidade do produto. A elevada umidade dos grãos em algumas regiões pode gerar descontos na comercialização, além de aumentar os custos com secagem. Por outro lado, a produtividade consistente no Estado ajuda a equilibrar a oferta regional.

Indicadores
  • Área cultivada (milho grão): 803.019 hectares
  • Área colhida: 90%
  • Produtividade média: 7.424 kg/ha
Produção estimada: 5,96 milhões de toneladas
  • Milho silagem:
    • Área: 345.299 hectares
    • Colheita: 87%
    • Produtividade média: 37.840 kg/ha
  • Soja (RS):
    • Área cultivada: 6,62 milhões de hectares
    • Colheita: 68%
    • Produtividade média: 2.871 kg/ha
  • Feijão 1ª safra:
    • Área: 23.029 hectares
    • Produtividade média: 1.781 kg/ha
  • Feijão 2ª safra:
    • Área: 11.690 hectares
    • Produtividade média: 1.401 kg/ha
  • Arroz irrigado:
    • Área: 891.908 hectares
    • Colheita: 88%
    • Produtividade média: 8.744 kg/ha
Leia Também:  Demanda global em alta eleva IPCF de julho em 4,6%
Análise

A reta final da colheita do milho no Rio Grande do Sul confirma uma safra tecnicamente positiva, sustentada por produtividade acima da média histórica. No entanto, o excesso de chuvas no período final impõe desafios logísticos e pode afetar a qualidade dos grãos, exigindo maior gestão pós-colheita.

O cenário climático também impacta outras culturas relevantes no Estado. A soja avança de forma mais lenta, com grande variabilidade produtiva devido ao regime irregular de chuvas ao longo do ciclo. Já o arroz mantém bom desempenho, enquanto o feijão evidencia forte dependência de irrigação para alcançar melhores rendimentos.

No curto prazo, o produtor gaúcho segue atento às condições climáticas para concluir a colheita e preservar a qualidade da produção, fator determinante para a rentabilidade em um ambiente de margens mais apertadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA