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Biocombustíveis e a Produção de Alimentos: A Incompatibilidade das Afirmações Contrárias

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De acordo com Orlando Merluzzi, a produção de biocombustíveis no Brasil não compete com a produção de alimentos. Em uma análise cautelosa, ele destaca que discursos contrários a essa ideia devem ser tratados com reserva, especialmente em um ano de COP no Brasil.

A crescente necessidade de minimizar os impactos das mudanças climáticas não justifica a adoção de soluções superficiais e unidimensionais, afirma Merluzzi. O especialista ressalta que os interesses econômicos e tecnológicos devem ser alinhados com as realidades regionais, mantendo um equilíbrio entre os aspectos alimentar e ambiental.

Com o Brasil se destacando como líder na produção de biocombustíveis e com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, o país oferece 50% da sua energia primária a partir de fontes renováveis, índice que sobe para 85% no setor elétrico, conforme dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Esse cenário coloca o Brasil em uma posição privilegiada, especialmente quando comparado a países desenvolvidos, cujas matrizes energéticas são predominantemente compostas por fontes fósseis e finitas. Esse contexto fortalece a posição do país na produção de biocombustíveis, essencial para enfrentar os desafios globais de descarbonização, enquanto se mantém alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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A diversidade de tecnologias sustentáveis disponíveis no Brasil, como biodiesel, biogás, biometano, etanol, HVO (óleos vegetais hidrotratados), hidrogênio verde e o SAF (biocombustível para aviação sustentável), coloca o Brasil como protagonista global na produção de biocombustíveis. Para Merluzzi, o Brasil está em uma posição estratégica para atender às exigências globais de redução de emissões de gases de efeito estufa, com vantagens competitivas tanto socioeconômicas quanto ambientais.

Em relação à competição entre biocombustíveis e alimentos, o especialista reforça que o Brasil tem um território de 851 milhões de hectares, sendo 65% de vegetação nativa. A área agrícola ocupa apenas 9,5% do território, e pastagens, mais de 20%, com cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas, que podem ser recuperadas para expandir a agricultura sem afetar a produção de alimentos. Comparado a países como Estados Unidos, França e Alemanha, que alocam maior porcentagem de suas terras para pastagens e agricultura, o Brasil continua com vasta área disponível para aumentar a produção de alimentos e biocombustíveis.

A produtividade agrícola brasileira, impulsionada pela alta tecnologia e clima favorável, permite que o país produza até três safras anuais, o que torna o Brasil uma potência tanto na produção de alimentos quanto de biocombustíveis. Biocombustíveis como biodiesel e SAF, por exemplo, são derivados de matérias-primas renováveis e resíduos agroindustriais que, de outra forma, seriam descartados, contribuindo para a diminuição do passivo ambiental e para a sustentabilidade do processo.

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Merluzzi também destaca o biogás como uma importante fonte renovável de energia. Com uma pegada de carbono muito inferior ao gás natural, o biogás, quando purificado, transforma-se em biometano, um combustível que pode reduzir em até 90% a emissão de dióxido de carbono comparado aos combustíveis fósseis, conforme a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Associação Brasileira do Biogás (Abiogás).

Por fim, ele enfatiza que a segurança energética e alimentar no Brasil devem ser abordadas com políticas públicas responsáveis e alinhadas, considerando não apenas a produção e distribuição, mas também a educação e o desenvolvimento de competências. O Brasil, com suas políticas de diversificação energética e foco na descarbonização, tem se posicionado corretamente. No entanto, é crucial que os discursos contrários à coexistência de biocombustíveis e produção de alimentos sejam analisados com cautela, especialmente em um ano de grande relevância para as questões climáticas, como é o caso da COP-30.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Sorgo avança no MATOPIBA e se consolida como alternativa estratégica para enfrentar desafios climáticos

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O sorgo está deixando de ser uma cultura complementar para assumir papel cada vez mais estratégico no agronegócio brasileiro. Impulsionado pela necessidade de adaptação às mudanças climáticas, pela busca por maior estabilidade produtiva e pelo crescimento da demanda por sistemas agrícolas mais eficientes, o cereal vem ampliando sua presença nas áreas agrícolas do MATOPIBA — região que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

O potencial da cultura foi destaque na segunda edição do Momento Sorgo+, evento promovido pela Sementes Oilema em Barreiras (BA), que reuniu cerca de 200 participantes entre produtores rurais, pesquisadores, consultores e representantes do setor agropecuário.

Durante o encontro, especialistas discutiram tendências de mercado, desafios climáticos e os avanços da genética aplicada ao sorgo, reforçando o papel da cultura como uma das principais alternativas para reduzir riscos produtivos em regiões sujeitas a déficit hídrico.

Mudanças climáticas ampliam importância do sorgo

A crescente ocorrência de eventos climáticos extremos tem levado produtores a buscarem culturas mais resilientes e capazes de manter bons níveis de produtividade mesmo sob condições adversas.

Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, o Dr. Flávio Dessaune destacou que o sorgo reúne características que o posicionam como uma das culturas mais promissoras para as próximas décadas.

Segundo ele, a elevada capacidade de adaptação, aliada à estabilidade produtiva, torna o cereal uma ferramenta importante para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

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A resistência ao estresse hídrico e a eficiência no uso da água fazem do sorgo uma alternativa especialmente atrativa para regiões onde as chuvas são mais irregulares, cenário cada vez mais comum em diversas áreas agrícolas do Brasil.

MATOPIBA lidera expansão da cultura

Considerada uma das principais fronteiras agrícolas do país, a região do MATOPIBA tem apresentado forte crescimento no cultivo de sorgo, especialmente como opção para a segunda safra.

Com janelas de plantio frequentemente marcadas por menor disponibilidade de água, o cereal surge como uma solução capaz de reduzir riscos sem comprometer a rentabilidade das propriedades.

Para Paulo Levinski, executivo comercial da Sementes Oilema, o sorgo não deve ser visto como concorrente do milho, mas como uma cultura complementar dentro do planejamento agrícola.

Segundo ele, a adoção do cereal permite ampliar a segurança produtiva, melhorar o aproveitamento das áreas agrícolas e gerar novas oportunidades de renda para os produtores.

Segunda safra impulsiona oportunidades

O avanço do sorgo também está relacionado à sua capacidade de se encaixar em sistemas produtivos cada vez mais intensivos e eficientes.

Produtores que já utilizam a cultura relatam ganhos importantes em estabilidade produtiva e diversificação de receitas. É o caso de Alan Juliani, agricultor que cultiva sorgo em sucessão à soja há mais de uma década.

Segundo ele, o sucesso da cultura está diretamente ligado ao planejamento adequado, ao posicionamento correto dentro da janela de plantio e ao manejo eficiente do solo.

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A experiência reforça uma das principais mensagens debatidas durante o evento: o potencial do sorgo está associado não apenas à genética, mas também à adoção de boas práticas agronômicas.

Demanda deve continuar crescendo

A perspectiva para os próximos anos é de fortalecimento do mercado de sorgo no Brasil.

Especialistas apontam que a busca por maior eficiência produtiva, sustentabilidade e resiliência climática deverá impulsionar o consumo do cereal tanto para alimentação animal quanto para outras aplicações industriais.

Além disso, a expansão da produção de proteínas animais no Brasil continua sustentando a demanda por grãos destinados à formulação de rações, segmento em que o sorgo ganha espaço como alternativa competitiva ao milho.

Cultura fortalece sustentabilidade no agronegócio

O crescimento do sorgo acompanha uma tendência global de desenvolvimento de sistemas agrícolas mais adaptados às novas condições climáticas.

Com menor exigência hídrica, elevada estabilidade produtiva e capacidade de integração em diferentes modelos de produção, o cereal vem se consolidando como uma ferramenta estratégica para garantir segurança alimentar, rentabilidade e sustentabilidade no campo.

Ao investir em pesquisa, genética e transferência de conhecimento, iniciativas como o Momento Sorgo+ reforçam o papel da inovação no fortalecimento de uma cadeia produtiva que ganha importância crescente dentro do agronegócio nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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