AGRONEGÓCIO

Produção de Laranja na Flórida Deve Alcançar Menor Nível em Quase 100 Anos

Publicado em

O mercado da laranja e seus derivados atravessa um momento de intensa volatilidade, marcado por desafios climáticos, flutuações cambiais e novas dinâmicas no cenário internacional. De acordo com relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA, as perspectivas para a safra 2025/26 indicam um cenário de baixa produção tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, especialmente na Flórida, onde a estimativa atual é a menor em quase um século.

Cenário no Brasil: preços firmes e impacto climático

No Brasil, a cotação do suco de laranja em Nova York (NY) manteve-se acima dos USD 5 por libra-peso até o fim de 2024, impulsionada pela valorização do dólar. Apesar disso, o preço da caixa de laranja para a indústria sofreu leve ajuste em dezembro, atingindo uma média de R$ 88, valor 2,1% inferior ao de novembro, mas ainda 68% superior ao registrado em dezembro de 2023.

As condições climáticas adversas, incluindo uma seca severa em 2024, impactaram negativamente a qualidade e o volume da safra. Segundo o Cepea, a produção de laranja no cinturão citrícola do estado de São Paulo, Triângulo e Sudoeste Mineiro foi reestimada em 223,14 milhões de caixas, 3,4% acima da previsão de setembro, mas ainda 27,4% abaixo da safra anterior.

Leia Também:  CRAS Pedra 90 mobiliza comunidade e reforça combate à violência sexual contra crianças e adolescentes

No mercado in natura, os preços da laranja Pera registraram uma queda mais acentuada, de 14% em dezembro, fechando o mês a R$ 105 por caixa, após atingir picos de R$ 150 em outubro.

Exportações em queda e redução de estoques

O fluxo de exportações de suco brasileiro também apresentou retração, com embarques 46% menores em dezembro de 2024, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado da safra (julho a dezembro), a queda foi de 21%. Apesar da redução no volume exportado, o preço médio do suco em FCOJ equivalente subiu 5% em dezembro, após uma queda de 10% no mês anterior.

Estoques restritos e safras menores devem manter os preços do suco em alta, tanto no mercado interno quanto externo, criando oportunidades para produtores que ainda possuem oferta disponível ou que negociam contratos para entrega futura.

Flórida enfrenta produção histórica em baixa

Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura (USDA) revisou em 20% para baixo sua estimativa para a produção de laranjas na Flórida, que agora deve alcançar 12 milhões de caixas. Este é o menor volume registrado em quase um século, resultado de secas prolongadas e temperaturas mais baixas que o normal.

Leia Também:  Levedura Geneticamente Modificada Transforma Agave em Etanol

A produção total dos EUA, liderada pela Califórnia desde 2022/23, é projetada em 60,55 milhões de caixas, uma queda de 9,1% em relação à safra anterior. Esse cenário desafiador nos principais polos produtores reflete as condições climáticas adversas que têm impactado globalmente o mercado de laranjas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Indústria da borracha precisa acelerar execução de soluções para ganhar competitividade global, aponta estudo da Fiesp

Published

on

A indústria brasileira de artefatos de borracha já mapeou com clareza seus principais gargalos e oportunidades, mas ainda precisa avançar na transformação de diagnósticos em ações concretas para ampliar sua competitividade. A avaliação foi apresentada por Albino Fernando Calantuono, especialista em Competitividade e Tecnologia da Fiesp, durante a Expobor 2026 e a Pneushow 2026, eventos de referência do setor na América Latina.

Importações pressionam mercado e ampliam desafios da indústria nacional

De acordo com o levantamento apresentado, o setor enfrenta forte concorrência de produtos importados, que já representam cerca de 43% de penetração no mercado brasileiro.

Além disso, a cadeia produtiva convive com entraves estruturais, como o elevado custo de produção no país — o chamado “Custo Brasil” —, a ausência de uma política industrial de longo prazo e a concorrência crescente de materiais substitutos, especialmente os plásticos.

O estudo também aponta que 18,4% dos produtos de borracha são destinados ao setor automotivo, enquanto a maior parte das empresas do segmento é composta por pequenos e médios negócios.

China lidera exportações e amplia disputa global

No cenário internacional, a China se destaca como principal player global, liderando praticamente todas as categorias de produtos de borracha comercializados pelo Brasil e respondendo por 18,4% das exportações mundiais do setor.

O Brasil, por outro lado, ocupa a 30ª posição no ranking global de exportadores, com participação de apenas 0,7%.

Segundo Calantuono, apesar do cenário desafiador, há espaço para expansão da indústria brasileira.

“A China está praticamente no quintal do Brasil quando observamos o mercado latino-americano. Ela lidera em escala, competitividade e capacidade produtiva. Mas isso não significa que o Brasil não tenha espaço”, destacou.

Oportunidade está em inovação, sustentabilidade e economia circular

O especialista defende que o reposicionamento da cadeia da borracha brasileira deve passar por inovação tecnológica e estratégias sustentáveis.

Leia Também:  Em duas décadas, a área de grãos do Brasil cresce 1,26 vez e a produção triplica

Entre os caminhos apontados estão soluções de menor pegada de carbono, maior valor agregado e práticas de economia circular, como reaproveitamento de resíduos e desenvolvimento de materiais inovadores.

“O Brasil possui uma oportunidade única de reposicionar sua cadeia com soluções sustentáveis e customizadas, que podem se tornar diferenciais competitivos importantes”, afirmou.

Calantuono também defendeu a criação de instrumentos regulatórios e políticas públicas para fortalecer o setor.

“A indústria da borracha precisa de uma política tecnológica e industrial consistente para competir em igualdade de condições com o mercado internacional”, completou.

Senai amplia investimentos em capacitação e inovação no setor

Durante o evento, instituições do Sistema S apresentaram iniciativas voltadas à qualificação profissional e ao desenvolvimento tecnológico da indústria da borracha.

O Senai-SP anunciou a implantação de um laboratório de elastômeros no Distrito Tecnológico de São Bernardo do Campo (SP), com início de operação previsto para 2027. O projeto contará com 14 equipamentos de alta tecnologia e investimento estimado em R$ 10 milhões.

Segundo Fernanda Moreira, coordenadora técnica de Novos Negócios do Senai-SP, a estrutura atenderá diferentes segmentos industriais.

“A meta é atender aplicações de alta performance em pneus, indústria automotiva, construção civil, aeroespacial, médico-hospitalar e calçadista, com desenvolvimento de projetos de P,D&I”, afirmou.

Além disso, o Senai-SP está destinando cerca de R$ 3 milhões para capacitação profissional, com 14 cursos voltados ao setor, em formatos presenciais, in company e, futuramente, EAD.

Senai-RS busca ampliar participação da borracha em projetos de inovação

O Senai-RS também destacou iniciativas para expandir a presença da indústria da borracha em seus projetos de pesquisa e desenvolvimento.

Leia Também:  Valor da produção de café canéfora no Brasil deve atingir R$ 34,46 bilhões em 2025

Segundo Jordão Gheller Jr., gerente de Operações do Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros, atualmente apenas 15% dos 29 projetos em andamento envolvem elastômeros.

O painel foi complementado por ações de formação profissional conduzidas por Sandro Lima Bernieri, voltadas à qualificação na área de polímeros.

Novas tecnologias reforçam sustentabilidade e eficiência produtiva

A Arena do Conhecimento da Expobor e da Pneushow 2026 também apresentou inovações tecnológicas voltadas à indústria da borracha.

Entre os destaques, Jason Silva, da Retilox, apresentou sistemas de cura com peróxidos atóxicos, com menor uso de insumos, maior produtividade e reciclabilidade total dos resíduos pós-cura. A tecnologia também reduz emissões de compostos orgânicos voláteis (VOC), contribuindo para a saúde ocupacional e a economia circular.

Já Guilhermo Spangenberg, da Cabot Corporation, apresentou o CGX 1000, um novo tipo de negro de carbono com até 30% de carbono recuperado, desenvolvido para apoiar empresas na redução das emissões dos escopos 1, 2 e 3 do Protocolo GHG.

Indústria precisa reforçar foco no cliente e adaptação ao mercado

Encerrando o ciclo de palestras, o consultor Sérgio Luís Patzlaff, da STG Consultoria Empresarial, destacou a importância da leitura de mercado e da conexão com o cliente como fatores decisivos para a competitividade.

Segundo ele, muitas empresas acabam direcionando esforços para questões internas, em detrimento das demandas externas.

“A empresa não está perdendo cliente, está desistindo de vê-los. A reconexão começa dentro da organização”, afirmou.

O especialista reforçou ainda que a atenção aos clientes em risco deve ser prioridade estratégica, já que a perda de relacionamento pode ser irreversível.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA