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A China e o Mercado de Pesticidas no Brasil: Uma Parceria de Crescimento Mútuo

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Nos últimos 25 anos, a China passou por uma transformação significativa, não apenas internamente, mas também no contexto global, tornando-se um dos protagonistas nas relações comerciais entre países. Inicialmente distante do mercado internacional, o país se tornou líder mundial na produção e exportação de pesticidas, com impacto direto no Brasil.

O engenheiro agrônomo e especialista em registro de agrotóxicos, Flavio Hirata, compartilha sua visão sobre essa relação, que começou de forma tímida, mas que evoluiu consideravelmente ao longo do tempo.

O Início da Parceria

Em sua primeira visita à China, em 1999, Hirata observou que os chineses não vislumbravam o potencial do mercado internacional, especialmente em relação ao Brasil. Na época, a indústria de pesticidas chinesa era predominantemente composta por empresas estatais, com foco na produção em grande escala, e os preços dos produtos fabricados na China eram muito mais baixos em comparação aos vendidos no Brasil, o que tornava a relação comercial inviável.

Os desafios estavam não apenas na distância geográfica e no idioma, mas também na resistência dos chineses em explorar o mercado brasileiro, que ainda estava emergindo como um grande produtor agrícola. Apesar disso, Hirata acreditava no potencial de uma parceria mútua entre a China e o Brasil, baseada na troca de pesticidas chineses por grãos brasileiros. Com essa visão, ele iniciou, em 2004, um trabalho de aproximação, promovendo visitas, seminários e eventos para apresentar a agricultura brasileira aos empresários chineses e estreitar laços comerciais.

Mudança Gradual e Adoção de Novas Práticas

A evolução foi gradual, mas notável. Ao longo dos anos, a China aprimorou suas práticas de segurança, proteção ambiental e qualidade, seguindo as diretrizes dos Planos Quinquenais do Governo. O fechamento de fábricas irregulares e o aumento da qualidade dos produtos prepararam o terreno para uma nova fase de interação com o mercado brasileiro. A partir de 2005, fabricantes de pesticidas chineses começaram a registrar seus produtos no Brasil, inicialmente com produtos técnicos, e, mais tarde, com produtos formulados.

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As parcerias com empresas brasileiras e transnacionais se fortaleceram, e a China tornou-se um dos principais fornecedores de pesticidas para o Brasil, adaptando-se às demandas locais. A precificação dos produtos chineses também passou a ser ajustada ao que o mercado estava disposto a pagar, especialmente durante a pandemia, quando a escassez global de produtos levou a aumentos de até 400% nos preços.

Desafios e Concorrência no Mercado Brasileiro

Com a presença crescente das empresas chinesas no Brasil, surgiram novas dinâmicas de mercado. Além das parcerias com empresas locais, muitas delas começaram a importar e revender produtos diretamente aos distribuidores e agricultores, tornando-se, muitas vezes, concorrentes diretos de seus próprios clientes. Apesar disso, os desafios permanecem, já que o mercado brasileiro possui peculiaridades que exigem estratégias bem definidas para alcançar o sucesso.

Nos últimos anos, algumas empresas chinesas enfrentaram dificuldades financeiras no Brasil, acumulando prejuízos. Por outro lado, os importadores de produtos chineses passaram a contar com linhas de crédito, algo impensável anos atrás. A especulação sobre aquisições de empresas brasileiras por grupos chineses e indianos é crescente, especialmente considerando o excesso de capacidade de produção mundial.

O Impacto das Práticas de “Menor Preço”

Uma preocupação crescente no mercado é a prática de “menor preço”, comum em diversos setores, incluindo o de agroquímicos. Esta estratégia, adotada por muitas empresas chinesas, visa competir por meio da redução de custos, o que pode comprometer a qualidade dos produtos e a integridade do mercado. No Brasil, já é possível observar exemplos de empresas estabelecidas em condições inadequadas, como apartamentos residenciais, para reduzir custos operacionais.

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Embora a prática seja comum em várias partes do mundo, ela apresenta riscos a longo prazo, com possíveis danos à reputação e à sustentabilidade do mercado. Os próprios fabricantes chineses demonstram apreensão sobre essa abordagem e buscam alternativas para lidar com a concorrência desleal.

O Futuro da Parceria China-Brasil

Nos últimos 20 anos, a China consolidou-se como um player essencial no mercado de pesticidas brasileiro. Contudo, essa relação, que inicialmente parecia improvável, agora é uma via de mão dupla, beneficiando ambos os países. Mais recentemente, empresas indianas também começaram a disputar o mercado brasileiro, o que tem levado a uma intensificação da competição.

A trajetória da AllierBrasil, pioneira em promover a agricultura brasileira no exterior, reflete a evolução dessa parceria entre os dois países, que segue se desenvolvendo com a ampliação de registros de produtos, parcerias técnico-comerciais e aquisições. A entrada de empresas asiáticas no mercado brasileiro, especialmente da China e da Índia, é um indicativo claro de como o Brasil continua sendo um destino estratégico para o setor de pesticidas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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