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Mercado de Café no Brasil Enfrenta Lentidão em Meio a Cenário Divergente

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O mercado físico brasileiro de café iniciou esta quinta-feira (12) com expectativas de negócios lentos. Enquanto os contratos futuros na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) apresentam leve alta, o dólar segue em queda frente ao real. Essa combinação de fatores opostos leva os produtores a adotar uma postura mais cautelosa, aguardando maior clareza no cenário.

Na quarta-feira (11), o mercado registrou preços mais baixos no Brasil, refletindo a queda tanto do arábica na Bolsa de Nova York quanto do robusta em Londres. Diante dessas desvalorizações externas, os vendedores reduziram sua presença no mercado, limitando a capacidade dos compradores de ajustar os preços internos na mesma proporção.

Preços nas principais regiões produtoras
  • Sul de Minas Gerais: O arábica bebida boa com 15% de catação ficou entre R$ 2.150,00 e R$ 2.155,00 por saca, frente aos R$ 2.240,00 a R$ 2.245,00 registrados anteriormente.
  • Cerrado Mineiro: O arábica bebida dura com 15% de catação foi negociado entre R$ 2.175,00 e R$ 2.180,00, contra R$ 2.265,00 a R$ 2.270,00 do dia anterior.
  • Zona da Mata de Minas Gerais: O arábica “rio” tipo 7 com 20% de catação teve preço entre R$ 1.760,00 e R$ 1.775,00, em comparação aos R$ 1.840,00 a R$ 1.845,00 da véspera.
  • Vitória (Espírito Santo): O conilon tipo 7 foi negociado entre R$ 1.765,00 e R$ 1.770,00, ante R$ 1.805,00 a R$ 1.810,00 anteriormente. O tipo 7/8 variou entre R$ 1.760,00 e R$ 1.765,00, frente aos R$ 1.800,00 a R$ 1.805,00 do dia anterior.
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Estoques certificados e desempenho em Nova York

Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados da ICE Futures somaram 919.388 sacas de 60 quilos na posição de 11 de dezembro, com um aumento de 8.285 sacas em relação ao dia anterior, segundo informações da bolsa.

Na Bolsa de Nova York, os contratos para entrega em março de 2025 registraram alta de 0,43%, sendo negociados a 321,60 centavos de dólar por libra-peso. Na quarta-feira, o mesmo contrato havia encerrado o dia com queda de 4,2%, cotado a 321,70 centavos de dólar por libra-peso.

Indicadores financeiros
  • Dólar comercial: Baixa de 1,20%, cotado a R$ 5,8993.
  • Dollar Index: Redução de 0,08%, a 106,62 pontos.
  • Petróleo WTI (janeiro/25): Alta de 0,12%, cotado a US$ 70,37 o barril.
Bolsas internacionais
  • Ásia: Fechamento em alta. Xangai: +0,85%; Japão: +1,21%.
  • Europa: Operando em alta. Paris: +0,03%; Frankfurt: +0,15%; Londres: +0,16%.

O ambiente de negócios permanece desafiador para o mercado de café no Brasil, com produtores preferindo aguardar uma melhor definição do cenário econômico e cambial antes de retomar negociações.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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