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Desembolso de Crédito Rural Encolhe R$ 50 Bilhões em Quatro Meses do Plano Safra

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O desembolso de crédito rural realizado por instituições financeiras recuou 25% entre julho e outubro de 2024, comparado ao mesmo período do ano passado. Nos primeiros quatro meses do Plano Safra 2024/25, foram liberados R$ 151,4 bilhões em financiamentos, um valor R$ 50 bilhões inferior aos R$ 201,2 bilhões registrados no ciclo anterior (2023/24).

De acordo com dados extraídos do sistema do Banco Central, os desembolsos no período foram distribuídos da seguinte forma: R$ 95,4 bilhões para custeio, R$ 32,6 bilhões para investimentos, R$ 13,5 bilhões para comercialização e R$ 9,8 bilhões para industrialização. Esses números podem ser atualizados à medida que novos dados sejam acessados.

Em audiência pública realizada na semana passada, o subsecretário de Política Agrícola do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, explicou que o sistema do Banco Central ainda pode refletir mudanças, já que algumas operações contratadas pelos produtores ainda não aparecem nos relatórios públicos. A liberação dos recursos ocorre dentro de um prazo de aproximadamente 45 dias.

Embora o subsecretário tenha reconhecido que o ritmo de liberação de crédito nesta safra está mais lento — em torno de 14% a 15% inferior ao ciclo anterior — ele destacou fatores como o impacto climático, a redução dos custos com insumos e até o abandono de áreas agrícolas marginalizadas como razões para essa queda na demanda por financiamentos.

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Bittencourt também observou que o recuo nos desembolsos foi mais pronunciado entre os grandes produtores, enquanto os médios produtores aumentaram a procura por crédito, e os pequenos mantiveram o volume de solicitações. Ele acrescentou que a diminuição das operações com taxa livre de crédito rural foi parcialmente compensada pelas Cédulas de Produto Rural (CPR), que passaram por uma análise de risco mais rigorosa por parte dos bancos.

Entre julho e setembro, os financiamentos realizados por meio de CPRs bancárias registraram um aumento de 58,8%, passando de R$ 65,8 bilhões para R$ 104,5 bilhões em comparação ao mesmo período de 2023. Esse crescimento compensou a queda de 20,1% nos desembolsos pelas linhas tradicionais de crédito rural.

Ao somar os financiamentos tradicionais e as CPRs, o governo apontou que o total acessado pelos produtores no Plano Safra aumentou 2,4% até setembro, atingindo R$ 236,1 bilhões. O crescimento continuou em outubro, mas os dados ainda não foram consolidados.

Em junho, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, defendeu a inclusão dos recursos provenientes de CPRs bancárias no cálculo do total de crédito liberado no Plano Safra 2024/25, o que antes não era contabilizado. A medida ajudou a inflar o montante disponível no sistema financeiro nesta safra. O Ministério da Agricultura argumenta que os bancos devem aplicar recursos captados por meio de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) em financiamentos via CPRs, justificando a inclusão desses valores no total.

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No setor produtivo, líderes empresariais mencionaram a escassez de recursos, o que tem levado os produtores a recorrerem ao barter com indústrias e tradings, operações de custo mais elevado.

Por outro lado, o Ministério do Desenvolvimento Agrário informou que, até outubro, foram liberados mais de R$ 29,5 bilhões para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), um aumento de 4% em relação ao mesmo período de 2023. A maior parte dos recursos (R$ 17,3 bilhões) foi direcionada à região Sul, embora o Nordeste concentre o maior número de contratos, com 323,4 mil.

O balanço do ministério revelou ainda um aumento de 176% no crédito de custeio para a produção de feijão, totalizando R$ 188 milhões, além de crescimento nos desembolsos para o cultivo de outros alimentos essenciais, como cebola, batata, repolho e cenoura.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Semi-hidroponia avança no Brasil e transforma produção agrícola em solos degradados

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Produzir no campo brasileiro tem se tornado cada vez mais desafiador diante das mudanças climáticas, da irregularidade das chuvas e da crescente degradação dos solos. Em culturas mais sensíveis, como as hortaliças, esses fatores elevam os riscos e podem comprometer totalmente a viabilidade econômica das lavouras.

Doenças de solo como murcha bacteriana, fusariose e a presença de nematoides estão entre os principais entraves à produtividade, especialmente em áreas já afetadas. Nesse cenário, soluções inovadoras têm ganhado espaço, com destaque para sistemas de cultivo sem solo, como a semi-hidroponia.

Alternativa sustentável para solos problemáticos

Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que uma parcela significativa dos solos agrícolas do país apresenta algum nível de degradação, o que reforça a necessidade de tecnologias mais adaptáveis e resilientes.

A semi-hidroponia surge como uma evolução dos sistemas hidropônicos tradicionais. Nesse modelo, o solo é substituído por substratos inertes que sustentam as plantas, enquanto a nutrição ocorre por meio da fertirrigação — técnica que permite o fornecimento controlado de água e nutrientes.

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Na prática, o produtor passa a ter maior controle sobre o ambiente de cultivo, reduzindo significativamente os riscos fitossanitários.

“Problemas como murcha bacteriana, fusariose e nematoides são comuns no solo e de difícil controle. Com a semi-hidroponia, é possível praticamente eliminar essas ameaças, mantendo a produtividade”, explica o especialista em agricultura Felipe Vicentini Santi.

Substratos acessíveis e eficientes

Entre as alternativas mais viáveis economicamente, destaca-se a combinação de casca de arroz carbonizada com areia lavada, geralmente na proporção 50/50.

Essa mistura oferece condições ideais para o desenvolvimento das plantas: a casca de arroz contribui para a retenção equilibrada de umidade e aeração das raízes, enquanto a areia favorece a drenagem, evitando o encharcamento — fator diretamente ligado ao surgimento de doenças.

Ganhos em produtividade e uso de recursos

Além de reduzir drasticamente problemas sanitários, o sistema semi-hidropônico apresenta outras vantagens relevantes. Entre elas, a possibilidade de cultivo contínuo ao longo do ano, inclusive em períodos de alta pluviosidade, e a eliminação da necessidade de rotação de culturas.

Outro ponto estratégico é a eficiência no uso de insumos. A fertirrigação permite economia de água e fertilizantes, reduz perdas e minimiza impactos ambientais, tornando o sistema mais sustentável no longo prazo.

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Desafios ainda limitam expansão

Apesar dos benefícios, a adoção da semi-hidroponia ainda enfrenta barreiras. O investimento inicial em infraestrutura e a necessidade de conhecimento técnico para o manejo adequado da irrigação e da nutrição das plantas são os principais desafios apontados.

Em operações de maior escala, questões como custo, logística e acesso à tecnologia também podem dificultar a implementação.

Inovação como caminho para o futuro

Mesmo diante desses entraves, o avanço de sistemas como a semi-hidroponia sinaliza uma transformação importante na agricultura brasileira. Em um cenário de maior instabilidade climática e pressão por produtividade, a adoção de tecnologias que aumentem o controle e a eficiência tende a ser decisiva.

A capacidade de adaptação, aliada à inovação e ao manejo técnico, desponta como o principal diferencial para garantir a sustentabilidade e a competitividade da produção agrícola no país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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