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Mercado eleva projeção da Selic para 2025 e aponta inflação no teto da meta em 2024

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Analistas consultados pelo Banco Central elevaram novamente suas estimativas para a taxa básica de juros, a Selic, em 2025, refletindo expectativas de maior avanço do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e crescimento econômico em 2024, além de uma inflação projetada em patamar mais elevado no ano seguinte. As informações são do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira.

De acordo com o levantamento, que consolida as percepções do mercado sobre os principais indicadores econômicos, a mediana das previsões para a Selic no fim de 2025 subiu para 11,25%, ante os 11,00% estimados na semana anterior, sugerindo cortes de juros mais tímidos no período. Para o ano de 2024, a taxa permanece projetada em 11,75%, com dois aumentos consecutivos de 0,5 ponto percentual previstos para novembro e dezembro deste ano.

Em 2025, espera-se mais um ajuste de 0,25 ponto percentual na primeira reunião do ano, levando a Selic a 12,0%. A partir de então, a expectativa é de reduções gradativas, com cortes de 0,50 ponto em novembro e 0,25 ponto em dezembro.

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Essas revisões refletem um crescente ceticismo do mercado em relação aos esforços do governo para equilibrar as contas públicas. O Executivo anunciou a intenção de implementar novas medidas de contenção de gastos após o segundo turno das eleições municipais, que ocorre em 27 de outubro, com o objetivo de cumprir as exigências do novo arcabouço fiscal. Contudo, analistas acreditam que a confiança na gestão fiscal só será restaurada com o anúncio concreto dessas medidas.

O boletim Focus também revelou um aumento na previsão de inflação para 2024. Agora, o mercado estima uma alta de 4,50% no IPCA, atingindo o teto da meta estipulada pelo governo, que é de 3,00% com margem de 1,5 ponto percentual. Na semana anterior, a projeção era de 4,39%. Para 2025, a expectativa de inflação subiu para 3,99%, ligeiramente acima dos 3,96% estimados anteriormente.

Ainda houve uma leve melhora nas previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, com expectativa de expansão de 3,05%, frente aos 3,01% projetados anteriormente. Para 2025, a previsão de crescimento econômico se manteve em 1,93%.

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No mercado cambial, a expectativa é de que o dólar encerre 2024 cotado a R$ 5,42, levemente superior aos R$ 5,40 projetados na semana anterior. Para 2025, a previsão continua em R$ 5,40.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

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A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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